Chevrolet Cobalt SS: O anti-Civic Si que o Brasil nunca teve. Conheça a lenda americana

Chevrolet Cobalt SS Chevrolet Cobalt SS

Quando se fala em “Chevrolet Cobalt” no Brasil, a imagem que vem à mente é a do sedã espaçoso e de vocação familiar. No entanto, nos Estados Unidos, o nome Cobalt pertenceu a um carro completamente diferente – e que teve uma versão esportiva de tirar o fôlego: o Chevrolet Cobalt SS.

Enquanto o Brasil recebia um sedã pragmático, o mercado norte-americano desfrutava de um cupê e sedã com performance de tirar o fôlego, projetado para brigar de igual para igual com ícones como o Honda Civic Si.

Esta é a história do “outro Cobalt”, um cultuado clássico moderno que, por uma série de razões estratégicas, o Brasil nunca teve a chance de conhecer oficialmente.

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Design Exterior: A Agressividade Discreta

O Cobalt americano, em suas versões comuns, tinha um design simples e funcional, típico dos carros compactos da GM na época. No entanto, a versão SS transformava essa aparência comportada em algo muito mais instigante.

O pacote SS adicionava para-choques dianteiro e traseiro mais agressivos, saias laterais que deixavam o carro visualmente mais baixo e rodas de liga leve de 18 polegadas com design exclusivo.

O elemento mais icônico e controverso do design, no entanto, era o enorme aerofólio traseiro instalado na versão cupê. Apelidado de “alça de carrinho de supermercado” por uns e amado por outros, ele não deixava dúvidas sobre a vocação esportiva do modelo. Já a versão sedã era mais discreta, com um aerofólio menor e mais elegante sobre a tampa do porta-malas.

Interior: Um Cockpit Focado na Performance

Por dentro, a cabine do Chevrolet Cobalt SS também recebia um tratamento especial para diferenciá-la das versões comuns. O layout era simples e focado no motorista.

A principal mudança estava nos bancos dianteiros esportivos, com apoios laterais avantajados para segurar o corpo em curvas e o logotipo “SS” bordado. Para os mais exigentes, havia a opção de bancos da renomada marca Recaro.

Outros detalhes reforçavam a atmosfera de performance, como o volante e a manopla de câmbio revestidos em couro, os mostradores do painel com fundo branco e, um detalhe crucial nos modelos turbo, um manômetro de pressão do turbo instalado na coluna “A”. As versões mais recentes ainda ofereciam uma tela digital configurável (RPD) que exibia dados de performance do motor.

O “Super Sport”: A Evolução da Performance

A sigla SS não era apenas um pacote estético. O Chevrolet Cobalt SS foi oferecido em duas gerações distintas e de alta performance.

O SS Supercharged (2005-2007): A primeira encarnação era a mais visceral. O Cobalt SS era equipado com um motor 2.0 Ecotec dotado de um compressor mecânico (supercharger), que entregava 205 cv. Era um conjunto de performance bruta, que oferecia respostas instantâneas e um som instigante.

O SS Turbocharged (2008-2010): Na sua evolução, o Cobalt SS ficou ainda mais sério. A GM substituiu o supercharger por um turbocompressor, e a potência do motor 2.0 Ecotec saltou para impressionantes 260 cv. Com recursos como controle de largada, ele se tornou um dos esportivos de tração dianteira mais rápidos e eficazes de seu tempo.

O Lado Sombrio: Recalls e Problemas de Segurança

Apesar da performance empolgante, a plataforma do Cobalt americano carregou um histórico conturbado. O modelo recebeu notas baixas em testes de impacto lateral e chegou a registrar a maior taxa de fatalidades em sua categoria.

O problema mais infame foi o escândalo do interruptor de ignição defeituoso. Uma falha no componente podia desligar o motor do carro em movimento, desativando airbags e assistências. O defeito foi ligado a dezenas de acidentes fatais e gerou um recall massivo, manchando a reputação do modelo.

Por que o Chevrolet Cobalt SS Nunca Veio para o Brasil?

A ausência do esportivo em nosso mercado pode ser explicada por três fatores principais:

1. O “Nosso” Cobalt: O motivo mais forte. A GM do Brasil já tinha em desenvolvimento o seu próprio Cobalt, um projeto totalmente diferente, focado em baixo custo e espaço interno para mercados emergentes.

2. Concorrência Interna: No auge do Cobalt SS nos EUA, a Chevrolet oferecia no Brasil o Astra GSI/SS e o Vectra GT-X como seus esportivos médios, o que criaria uma canibalização no portfólio.

3. O Sucessor Global (Cruze): O Cobalt americano foi sucedido globalmente pelo Chevrolet Cruze. Foi uma decisão acertada da GM do Brasil investir na produção local do Cruze, um projeto muito mais moderno, em vez de apostar em um modelo já no fim de seu ciclo de vida.

Ficha Técnica: Chevrolet Cobalt SS Turbo (2008)

Ficha TécnicaChevrolet Cobalt SS Coupé
Motor2.0 Litros, 4-cil, DOHC, Turbo
PosiçãoDianteiro, transversal
Potência~260 cv @ 5.300 rpm
Torque~35,9 kgfm @ 2.000 rpm
CâmbioManual de 5 marchas
TraçãoDianteira
0-100 km/h~5,7 segundos
Peso~1.349 kg

Conclusão: Uma Lenda Americana com Cicatrizes

O Chevrolet Cobalt SS foi uma máquina fascinante e imperfeita. Ofereceu um nível de performance avassalador por um preço acessível, capaz de desafiar os melhores esportivos compactos de sua época.

No entanto, sua história é inseparável dos graves problemas de segurança da plataforma em que foi construído. Enquanto o Brasil conheceu um Cobalt sensato e espaçoso, a América do Norte teve o privilégio e os perigos de conviver com uma versão selvagem e memorável.

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