Problemas Crônicos do Volkswagen Corrado (1988-1995)

O Corrado foi construído sobre uma plataforma híbrida (Golf Mk2 na frente, Passat B3 atrás). Ele é robusto de chassi, mas seus sistemas exclusivos são um pesadelo de manutenção hoje em dia.


1. O Compressor G60 “G-Lader” (A Granada de Mão)

(Versão G60 1.8 8V)

O motor G60 usa um compressor espiral patenteado pela VW (o G-Lader). É uma peça de engenharia linda, mas extremamente frágil.

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  • O Problema: Os selos de vedação (apex seals) e a correia dentada interna do compressor se desgastam.
  • O Desastre: Se a correia interna arrebentar (o que acontece se você negligenciar a troca), o compressor “se come” por dentro, mandando fragmentos de metal para dentro do motor.
  • Manutenção: Exige revisão completa (rebuild) a cada 40.000 km. Quase ninguém no Brasil sabe fazer isso direito hoje. Um G-Lader novo/recondicionado custa uma fortuna em Euro.

2. Motor VR6 2.8/2.9: Arrefecimento de Plástico

(Versão VR6)

O motor VR6 é famoso pelo ronco e pelo torque, mas ele sofre para caber no cofre apertado do Corrado. Isso gera um calor infernal.

  • “Crack Pipe”: O tubo de distribuição de água é de plástico e passa colado no bloco quente. Ele resseca e quebra (“crack”), vazando todo o líquido de arrefecimento. Existe peça de alumínio no mercado paralelo (obrigatório trocar).
  • Bomba D’água Auxiliar: O VR6 tem uma bomba elétrica extra para circular água com o motor desligado. Ela queima com frequência e o carro ferve parado.
  • Correntes de Comando: Diferente do G60 (correia), o VR6 usa correntes. Os guias plásticos da corrente quebram por volta dos 150.000 km, exigindo a retirada do motor ou do câmbio para troca (serviço caríssimo).

3. O Aerofólio Ativo e Teto Solar

O charme do Corrado é também sua dor de cabeça.

  • Aerofólio: Ele deve subir automaticamente aos 72 km/h (45 mph) e descer em baixa velocidade. O módulo de controle queima ou o motor elétrico trava.
  • Teto Solar: É quase garantido que estará quebrado. Os trilhos são de um antimônio/plástico frágil que quebra só de olhar. O conserto é artesanal e difícil.

4. Maçanetas das Portas

Um defeito herdado do Passat da época.

  • O Defeito: O mecanismo interno que aciona a fechadura é feito de um metal vagabundo que quebra no frio ou se você puxar com força.
  • O Sintoma: A maçaneta fica “boba” e a porta não abre por fora. Donos experientes sabem como abrir pelo porta-malas em emergências.

5. Elétrica e Sensores

  • Relés: O relé 109 (alimentação da ECU no VR6) costuma dar solda fria, fazendo o carro apagar do nada.
  • ABS: A bomba do ABS Teves Mk2 é complexa e cara. Se a luz do ABS estiver acesa, negocie um desconto alto.

Conclusão: G60 é para Colecionador, VR6 é para Corajoso

  • Veredito: O Corrado G60 é historicamente mais interessante, mas o compressor é uma bomba-relógio. Só compre se tiver orçamento para importar peças da Alemanha.
  • O Melhor: O Corrado VR6 é mais robusto mecanicamente (se você trocar o sistema de arrefecimento por alumínio), mas as peças de motor são caras.
  • A Regra: Nunca compre um Corrado “barato”. O barato sai caríssimo em peças de acabamento e mecânica exclusiva.
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