A nova família Volkswagen Delivery, lançada em 2017, revolucionou o segmento de leves com cabine moderna e dirigibilidade de automóvel. Equipados majoritariamente com motores Cummins ISF, eles são robustos, mas a eletrônica embarcada e os sistemas antipoluição (Euro 5 e Euro 6) são seus maiores pontos fracos.
1. Sistema de Arla 32 (SCR) – O Grande Vilão
Nos modelos acima de 3,5 toneladas (6.160, 9.170, 11.180, 13.180), o sistema de pós-tratamento é a principal fonte de visitas à oficina.
- Bomba de Arla: A bomba de dosagem costuma travar ou queimar precocemente.
- Cristalização: O bico injetor de Arla (no escape) entope com cristais de ureia, especialmente se o caminhão roda pouco ou usa Arla de má qualidade.
- Sintoma: O painel acende a luz de avaria do motor e o caminhão entra em modo de segurança, perdendo força drasticamente (não passa de 20 km/h em subidas).
2. Delivery Express e o DPF (Filtro de Partículas)
O modelo de entrada (Express), que pode ser dirigido com habilitação B, não usa Arla, mas usa EGR e DPF.
- O Problema: Como esse veículo é usado majoritariamente em “anda e para” urbano e em baixas rotações, o Filtro de Partículas (DPF) satura e não consegue fazer a regeneração automática.
- O Sintoma: Luz do DPF acende no painel. Se o motorista ignorar e não pegar estrada para limpar, o filtro entope totalmente, exigindo limpeza química ou troca (peça caríssima).
3. Pane Elétrica e “Árvore de Natal” no Painel
A arquitetura eletrônica do novo Delivery é complexa.
- Chicote Elétrico: Há relatos frequentes de fios rompendo por vibração ou atrito mal isolado no chassi, causando falhas intermitentes.
- Sensores do ABS: Os sensores de velocidade das rodas são sensíveis à sujeira e água, acendendo a luz do ABS e desativando o sistema de freio auxiliar.
- Painel: O computador de bordo às vezes apresenta “bugs”, informando erros que não existem ou apagando informações.
4. Suspensão Dianteira e Barra Estabilizadora
Embora robusta, a suspensão sofre no asfalto brasileiro.
- Bieletas e Buchas: As bieletas da barra estabilizadora dianteira têm vida útil curta na distribuição urbana, gerando batidas metálicas secas na cabine.
- Desgaste de Pneus: Se as buchas da suspensão (especialmente nos modelos 9.170 e 11.180) estiverem gastas, o caminhão “come” pneu dianteiro de forma irregular em questão de semanas.
5. Turbina e Atuador (Motor Cummins)
Os motores Cummins ISF 2.8 e 3.8 são excelentes, mas exigem atenção.
- Atuador da Turbina: O atuador eletrônico da geometria variável (nos modelos que possuem) pode travar devido à fuligem, causando oscilação de potência.
- Chicote do Motor: O plugue do chicote que liga aos bicos injetores pode apresentar mau contato devido à vibração do diesel, fazendo o motor “falhar” ou rodar em 3 cilindros.
6. Acabamento da Cabine
Para reduzir peso e custo, há muito plástico.
- Maçanetas e Trincos: As maçanetas internas são frágeis e podem quebrar na mão de motoristas mais brutos.
- Ruídos: O painel e os revestimentos de porta desenvolvem ruídos de “grilo” com facilidade após 50.000 km de uso severo.
Conclusão: Moderno, mas exige Diesel S-10
- Veredito: O Volkswagen Delivery (2017-2026) é o melhor caminhão leve do mercado em conforto e revenda. Porém, ele não tolera manutenção atrasada.
- Atenção: Jamais use Diesel S-500. O sistema de injeção e o DPF não suportam o enxofre e vão gerar prejuízos de mais de R$ 10.000,00 em bicos e catalisadores.
- Dica: No modelo Express, pegue uma rodovia a cada 15 dias e ande com o giro alto (acima de 2.500 rpm) por 20 minutos para forçar a regeneração do DPF e evitar entupimento.






