O Troller RF (Rogério Farias) é o pai de todos os Trollers. Produzido em Horizonte (CE) antes da compra pela Ford, ele é um jipe “raiz”, montado quase artesanalmente com peças de prateleira de outras marcas (VW, Ford, Chevrolet).
Embora tenha carisma e capacidade off-road, ele é um protótipo que foi para a rua. Se você pensa em ter um, prepare-se para ser mecânico e eletricista nas horas vagas.
1. Motor VW AP 2.0 (O “Pulmão Curto”)
A maioria dos Trollers dessa fase usa o lendário motor Volkswagen AP 2.0 a gasolina (o mesmo do Santana).
- Falta de Torque: O motor AP é excelente em carros leves, mas o Troller pesa quase 2 toneladas. O resultado é que o motorista precisa “esgoelar” o giro para o jipe andar na areia ou lama.
- Superaquecimento: Devido ao esforço excessivo e a um radiador mal dimensionado nos primeiros modelos, a queima da junta do cabeçote é frequente. O motor trabalha sempre no limite térmico.
- Distribuidor Molhado: Diferente do Diesel, o motor a gasolina precisa de faísca. O distribuidor do AP fica baixo e exposto. Se você entrar na água rápido, o motor apaga instantaneamente. A solução é usar um “luva” de borracha ou elevar o respiro.
2. Carroceria de Fibra (Trincas Estruturais)
A fibra de vidro não enferruja, mas quebra. O chassi do RF torce muito nas trilhas, e a carroceria sofre.
- Pontos Críticos: Verifique trincas na base da Coluna B (atrás da porta), na parede corta-fogo (cofre do motor) e nos suportes onde a carroceria se apoia no chassi.
- Infiltração: O RF já vem com “piscina de série”. A vedação das portas, do quadro do para-brisa basculante e da capota (seja lona ou rígida adaptada) é precária. Molha o pé do motorista em chuva forte.
3. Elétrica “Artesanal” (O Ninho de Gato)
A parte elétrica dos Trollers pré-Ford é famosa pela desorganização.
- Chicote: Fios sem padrão de cores, conectores não selados e emendas feitas com fita isolante comum eram rotina na fábrica. Com o tempo e a vibração, surgem maus contatos misteriosos.
- Painel de Instrumentos: Os marcadores (VDO ou Cronomac) costumam falhar por falta de aterramento. O ponteiro de temperatura e combustível raramente marcam a verdade. Refazer o aterramento do painel é obrigatório.
4. Eixos e Suspensão (Shimmy)
O Troller usa eixos Dana (30 na frente e 44 atrás), robustos, mas com geometria sensível.
- Death Wobble (Shimmy): É uma trepidação violenta na direção entre 60 e 80 km/h. Geralmente causada por folga na Barra Panhard (buchas estouradas) ou terminais de direção gastos. No RF, corrigir isso pode exigir alinhamento técnico especializado.
- Ponta de Eixo: Se você usar pneus muito grandes (acima de 33″) sem reforçar os semi-eixos, é comum quebrar a ponta de eixo traseira em trilhas pesadas.
5. Freios e Adaptações
- Freio “Borrachudo”: O sistema de freio do RF é uma colcha de retalhos. O pedal costuma ser fundo e a frenagem exige força. Cilindros mestres adaptados de outros carros nem sempre casam bem com as pinças.
- Peças de Acabamento: Peças mecânicas são fáceis (motor de Santana, caixa de direção de Opala/Santana, eixos de Cherokee/Rural), mas peças de acabamento (maçanetas, borrachas, faróis específicos) são quase impossíveis de achar originais.
Conclusão: Só para quem Gosta de Graxa
- Veredito: O Troller RF (AP 2.0) é um brinquedo incrível e barato de manter (motor VW), mas não serve como carro único. Ele vai quebrar coisinhas todo mês.
- Dica: Entre o RF Gasolina e o T4 Diesel (2001 em diante), o Diesel é infinitamente superior em durabilidade e força, mas custa o dobro. O RF é a porta de entrada para quem tem orçamento curto e disposição para aprender mecânica.






