Problemas Crônicos da Volkswagen Amarok (2010-2026): Os 4 Defeitos Que Você Deve Conhecer (Principalmente no Motor 2.0)

A Volkswagen Amarok (fabricada de 2010 a 2023) é um projeto que sempre dividiu opiniões. Por um lado, ela é elogiada por ter “a dirigibilidade de um sedã”, com uma estabilidade e conforto no asfalto muito superiores aos das rivais da época. Por outro, sua versão mais vendida acumulou um histórico de problemas crônicos tão graves que mancharam sua reputação.

É crucial entender que a Amarok é, na prática, duas picapes diferentes: a problemática 2.0 Bi-Turbo (2010-2017) e a elogiadíssima 3.0 V6 (2018-2023). Se você tem ou está de olho em uma Amarok usada, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.


1. O “Calcanhar de Aquiles”: Motor 2.0 Bi-Turbo e a Correia Dentada

Este é, de longe, o maior, mais caro e mais temido problema crônico da Amarok.

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  • O Sintoma: Perda de potência súbita, barulho metálico forte e a parada total do motor. Na maioria dos casos, o motor “funde” e não liga mais.
  • A Causa Real: É um defeito de projeto do motor 2.0 Bi-Turbo (EA189). Este motor usa duas correias dentadas, e a correia principal é notoriamente frágil para o esforço de uma picape de 2 toneladas. Ela se rompe prematuramente, muitas vezes bem antes dos 80.000 km recomendados.
  • O Desastre (Atropelamento de Válvulas): O motor 2.0 da Amarok é “com interferência”. Quando a correia arrebenta, os pistões se chocam violentamente com as válvulas. O resultado é a necessidade de uma retífica completa de motor, um serviço que, em uma picape diesel, raramente sai por menos de R$ 20.000 a R$ 30.000.
  • A Solução: A única solução é a prevenção obsessiva. Proprietários experientes recomendam a troca preventiva da correia e seus tensores a cada 40.000 km ou 3 anos, metade do que a VW recomendava.

2. Falhas no Filtro de Partículas (DPF) e na Válvula EGR

Este é o segundo problema crônico mais comum do motor 2.0, especialmente em carros de uso urbano.

  • O Sintoma: A luz do DPF (filtro de partículas) acende no painel, o carro perde potência e entra em “modo de emergência” (limp mode), não passando de 2.000 RPM.
  • A Causa Real: O DPF é um filtro no escapamento que captura a fuligem do diesel. Ele precisa de longos trechos de estrada (calor constante) para se “regenerar” (queimar a fuligem). A Amarok usada apenas na cidade não atinge essa temperatura, e o filtro entope. Além disso, a válvula EGR (que recircula os gases) também costuma travar por excesso de carbonização.
  • A Solução: A solução de oficina é a “regeneração forçada” via scanner ou a limpeza química do DPF. Muitos proprietários, infelizmente, optam pela solução ilegal de remover fisicamente o DPF e a EGR e “reprogramar” a central eletrônica.

3. Infiltração de Água na Cabine (O “Aquário”)

Um problema crônico de vedação que afeta muitas unidades, com ou sem teto solar.

  • O Sintoma: Carpete encharcado, geralmente nos pés do motorista ou do passageiro dianteiro, e um forte cheiro de mofo.
  • A Causa Real: A causa mais comum é o entupimento dos drenos do ar-condicionado ou, em carros com teto solar, o entupimento dos drenos do teto. A água, em vez de sair para fora do carro, transborda e escorre para dentro da cabine.
  • A Solução: Manutenção preventiva. A limpeza periódica desses drenos (com ar comprimido ou uma sonda) é fundamental para evitar que a água danifique os módulos eletrônicos que ficam sob o carpete.

4. Trancos no Câmbio Automático ZF 8HP (Por Falta de Manutenção)

Aqui, o problema não é o câmbio em si, mas a recomendação errada da montadora.

  • O Sintoma: “Sucos” ou trancos perceptíveis nas trocas de marcha em baixa velocidade.
  • A Causa Real: O câmbio automático da Amarok (todas as versões) é o lendário ZF 8HP, o mesmo usado por BMW, Audi e Land Rover. É um dos melhores câmbios do mundo. No entanto, a VW o tratou no manual como “livre de manutenção” (óleo vitalício). Isso é um erro fatal. O óleo se degrada e, se não for trocado (especialistas recomendam a cada 80.000 km), a unidade mecatrônica começa a falhar.
  • A Solução: Troca completa do fluido da transmissão (um serviço caro, na casa dos R$ 2.000 a R$ 3.000). Se a mecatrônica já estiver danificada, o reparo pode ultrapassar R$ 15.000.

A Grande Exceção: E a Amarok V6 (2018-2023)?

É crucial separar o joio do trigo. A Amarok V6 3.0 usa um motor completamente diferente, da família Audi, que é considerado um dos motores V6 diesel mais confiáveis do mundo.

A Amarok V6 NÃO TEM os problemas crônicos do 2.0.

  • Ela usa CORRENTE DE COMANDO (não quebra correia dentada).
  • O DPF é mais robusto e o motor (com 258 cv) trabalha com mais folga.
  • Ela usa o mesmo câmbio ZF 8HP, mas sua reputação é impecável.

Conclusão: Duas Picapes em Uma

A Volkswagen Amarok é, literalmente, duas picapes. O modelo 2.0 Bi-Turbo é um veículo de altíssimo risco no mercado de usados, que exige uma manutenção preventiva obsessiva e cara. Já a Amarok 3.0 V6 é uma das picapes mais potentes, confiáveis e prazerosas de dirigir do mercado.

Ao comprar uma usada, o conselho é claro: se o seu orçamento permitir, faça o esforço e compre a V6.

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