Problemas Crônicos do Renault Kwid E-Tech (2022-2026): Os 4 Defeitos Que Você Deve Conhecer

O Renault Kwid E-Tech (lançado em 2022) tem um papel histórico: foi o primeiro carro elétrico a quebrar a barreira dos R$ 100 mil no Brasil (após o reposicionamento de preço), iniciando a “guerra” que trouxe o BYD Dolphin Mini e o GWM Ora 03 para o jogo.

Ele é a porta de entrada para a mobilidade elétrica. No entanto, por ser um projeto focado no custo extremo (baseado no Dacia Spring europeu, que por sua vez é baseado no Renault City K-ZE chinês), ele possui “características de projeto” que, para o consumidor brasileiro, se tornaram problemas crônicos.

Se você tem ou está de olho em um Kwid E-Tech usado, esta é a lista definitiva do que você precisa saber.

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1. O Dilema da Bateria: Autonomia Baixa e Sem Carga Rápida (DC)

Este é, de longe, o maior e mais limitante problema crônico do Kwid E-Tech.

  • O Sintoma: O carro não pode ser usado para viagens e demora muito para carregar.
  • A Causa Real (Técnica): O Kwid E-Tech tem dois problemas de projeto na bateria:
    1. Autonomia Baixa: A bateria é pequena (26,8 kWh), o que resulta em uma autonomia oficial de apenas 185 km (no ciclo PBEV/Inmetro). Isso é muito menos que seus rivais diretos, como o Dolphin Mini.
    2. SEM Carga Rápida (DC): Este é o defeito mais grave. O Kwid E-Tech não possui um bocal de carregamento DC (CCS2). Ele só pode ser carregado em corrente alternada (AC).
  • O Risco: Isso significa que você NÃO PODE usar os carregadores ultrarrápidos de 150 kW encontrados em estradas e postos. O “carregamento rápido” do Kwid é em um Wallbox AC (7 kW), que leva 3 horas (de 20% a 80%). Numa tomada caseira, são 9 horas. Isso o limita a ser um carro exclusivamente urbano.

2. Acabamento Interno (A “Cabine de R$ 70 Mil”)

Esta é a queixa de 10 em cada 10 proprietários. O carro custa R$ 100 mil, mas tem o interior idêntico ao do Kwid 1.0 de R$ 70 mil.

  • O Sintoma: Uma “escola de samba” de ruídos de plástico vibrando (“grilos”), especialmente em pisos irregulares.
  • A Causa Real: Projeto focado 100% no baixo custo. Todo o acabamento interno é feito de plástico rígido (duro), da pior qualidade possível, com encaixes simples que geram atrito e folga com o tempo.
  • A Solução: Paciência e o famoso serviço de “caça-grilos” (aplicação de feltros e espumas).

3. Segurança Questionável (1 Estrela no Euro NCAP)

Este é um ponto técnico grave que afeta a segurança do projeto.

  • O Risco: O Dacia Spring, o carro europeu que dá origem ao Kwid E-Tech, foi testado em 2021 pelo Euro NCAP (o mais rigoroso teste de colisão do mundo) e recebeu a nota de apenas 1 estrela (de um total de 5).
  • A Causa Real: O relatório do Euro NCAP apontou um “alto risco de lesões potencialmente fatais” no peito do motorista e na cabeça do passageiro traseiro em caso de colisão frontal, além de uma proteção “fraca” contra o efeito chicote (lesão no pescoço).
  • A Solução: Embora a versão brasileira tenha 6 airbags (contra 2 do Dacia na época), a estrutura do carro é a mesma, o que levanta sérias questões sobre sua segurança em acidentes.

4. Desempenho “Urbano” (Limitado na Estrada)

O Kwid E-Tech é ágil na cidade, mas sofre na estrada.

  • O Sintoma: O carro é muito rápido no 0 a 50 km/h (4,1 segundos), mas “morre” em velocidades mais altas. A velocidade máxima é limitada a 130 km/h.
  • A Causa Real: O motor elétrico tem apenas 65 cv. Ele foi calibrado para o “anda e para” da cidade. Em uma rodovia, a 110 km/h, o motor já está trabalhando perto do limite, e qualquer retomada ou ultrapassagem é lenta e exige planejamento. Além disso, rodar a 120 km/h drena a bateria (que já é pequena) em uma velocidade assustadora.
  • A Solução: Entender a proposta do carro. Ele é um carro 100% urbano, não foi feito para pegar estrada.

Conclusão: Um Carro de Nicho, Não um Carro Para Tudo

O Renault Kwid E-Tech é um carro honesto, desde que você entenda o que está comprando. Ele é um excelente segundo carro para uso exclusivo na cidade.

Seus problemas crônicos não são “quebras” inesperadas, mas sim limitações de um projeto de baixíssimo custo. A falta de carga rápida (DC) e a baixa autonomia o tornam inviável para viagens. O acabamento pobre e a nota baixa em segurança são os preços que se paga por ter o elétrico (antes) mais barato do Brasil.

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