A Nova Fiat Strada Turbo (lançada em 2023 como linha 2024) foi a resposta da Fiat para um mercado que pedia mais performance na picape líder de vendas. A introdução do motor T200 (1.0 Turbo) nas versões topo de linha (Ranch, Ultra e Abarth) foi um sucesso imediato.
No entanto, como acontece com todo projeto novo que combina um motor potente a uma plataforma existente, os “early adopters” (primeiros proprietários) já estão mapeando um conjunto de problemas crônicos e “dores do crescimento”.
É importante frisar: a mecânica do carro (o motor T200 usa corrente de comando) é considerada confiável. As principais queixas se concentram no acabamento, na calibração do câmbio e na eletrônica.
1. Ruídos Internos Crônicos
Esta é, de longe, a maior e mais comum queixa de todos os proprietários da Strada (e de seus irmãos de plataforma, Argo e Pulse).
- O Sintoma: Um “festival de grilos”. Ruídos constantes de plástico vibrando contra plástico, que parecem vir de todos os lados: do painel central (na junção com a multimídia) e dos forros de porta.
- A Causa Real: É uma característica do projeto. Para manter o custo competitivo, todo o acabamento interno da Strada é feito de plástico rígido (duro). Em uma picape que ultrapassa os R$ 135 mil, isso gera frustração. Com a vibração natural do motor 3 cilindros e o asfalto brasileiro, as peças atritam e rangem.
- A Solução: Reclamação na concessionária (para reaperto, na garantia) ou o famoso serviço de “caça-grilos” (aplicação de fitas de feltro).
2. O “Delay” na Aceleração (Câmbio CVT + Turbo Lag)
Este não é um “defeito” de quebra, mas uma característica de calibração que irrita muitos motoristas.
- O Sintoma: Uma demora, um “lag” perceptível entre o momento em que você pisa no acelerador e o momento em que a picape realmente “arranca”. Isso é mais sentido em saídas de semáforo ou no “anda e para” do trânsito.
- A Causa Real: É a combinação de dois fatores: o câmbio CVT (que, por natureza, prioriza a suavidade) e o “turbo lag” (o tempo que a turbina leva para encher). A calibração de fábrica da Fiat priorizou a economia de combustível, deixando a resposta inicial “anestesiada”.
- A Solução: É uma característica do carro. O acionamento do botão “Sport” no volante melhora muito essa resposta, mas o “delay” no modo normal é algo com que o proprietário precisa se acostumar.
3. Bugs e Travamentos da Central Multimídia (Uconnect 7″)
A central multimídia Uconnect de 7 polegadas com espelhamento sem fio é ótima no papel, mas é uma fonte comum de instabilidade.
- O Sintoma: Lentidão para iniciar o sistema ao ligar o carro, “apagões” (tela preta), travamentos aleatórios e, principalmente, instabilidade na conexão sem fio com o Apple CarPlay ou Android Auto, que desconectam sozinhos.
- A Causa Real: Software (SOW) precisando de maturação.
- A Solução: Manter o sistema sempre atualizado. A maioria das correções é feita via atualização de software na concessionária.
4. Suspensão Traseira Rígida (O “Pula-Pula” de Picape)
Muitos proprietários que migraram de um carro de passeio (como um hatch ou sedã) para a Strada Turbo se queixam do conforto.
- O Sintoma: A picape “pula” excessivamente na traseira ao passar em buracos, valetas ou lombadas, especialmente com a caçamba vazia.
- A Causa Real: Não é um defeito, mas a natureza de uma picape. A Strada é um veículo de trabalho projetado para carregar mais de 600 kg. Para isso, ela usa um robusto feixe de molas na traseira (eixo rígido). Este sistema é, por definição, duro e desconfortável quando não há peso na caçamba.
- A Solução: É uma característica do projeto. A picape não é um SUV.
Conclusão: Uma Picape Robusta, Com “Pecados” de Custo
A Fiat Strada Turbo é um projeto de grande sucesso e seus motores (T200 usa corrente de comando) são considerados confiáveis.
Seus problemas crônicos estão ligados diretamente às escolhas de corte de custo da Fiat (acabamento plástico), às características de projeto de uma picape (suspensão dura) e a “dores do crescimento” da eletrônica embarcada (multimídia e calibração do CVT).






