A Ford Maverick (lançada no Brasil em 2022) é um fenômeno. Ela acertou em cheio ao oferecer o tamanho de uma Toro com a robustez e o design da “raça forte” Ford. Baseada na moderna plataforma C2 (a mesma do Bronco Sport), ela é um sucesso de crítica e vendas.
No entanto, como todo projeto, ela tem seus problemas crônicos. É crucial entender que a Maverick foi projetada para ser o veículo mais barato da Ford nos EUA, uma picape de entrada. No Brasil, ela é vendida como uma picape premium, e é nesse “choque de realidade” que surgem as principais queixas.
É importante frisar: seus motores (o 2.0 EcoBoost e o 2.5 Híbrido) são extremamente confiáveis. Os problemas crônicos da Maverick se concentram no acabamento e no refinamento.
1. O “Show de Plástico” (Ruídos Internos Crônicos)
Esta é, de longe, a maior e mais comum queixa de todos os proprietários da Maverick.
- O Sintoma: Um “festival de grilos”. Ruídos constantes de plástico vibrando contra plástico, que parecem vir de todos os lados: do painel, dos forros de porta (especialmente dos puxadores) e do console central.
- A Causa Real: É uma característica do projeto. Para ser o carro mais barato da Ford nos EUA, todo o acabamento interno é feito de plástico rígido (duro), com encaixes simples. Em uma picape que, no Brasil, custa mais de R$ 200 mil, essa simplicidade gera frustração, e no asfalto brasileiro, tudo vibra.
- A Solução: Reclamação na concessionária (para reaperto, na garantia) ou o famoso serviço de “caça-grilos” (aplicação de fitas de feltro).
2. Trancos no Câmbio Automático (Versão 2.0 EcoBoost)
Este não é um defeito de quebra, mas uma característica de calibração que irrita muitos motoristas da versão a gasolina.
- O Sintoma: Um “soco” ou “tranco” (clunk) perceptível em trocas de marcha em baixa velocidade, especialmente em reduções (ex: 3ª para 2ª) ou ao engatar o “D” (Drive).
- A Causa Real: É uma característica da calibração do câmbio automático de 8 marchas (8F35). Com muitas marchas para gerenciar, o software por vezes é “indeciso” no trânsito urbano.
- A Solução: Em alguns casos, uma atualização de software (TCM) na concessionária pode “suavizar” o comportamento, mas raramente o elimina 100%.
3. Suspensão Traseira Barulhenta (O “Cloc-Cloc”)
Uma queixa recorrente de conforto, que não se espera de uma picape com suspensão multilink.
- O Sintoma: Um barulho de “cloc-cloc” ou uma batida “solta” vindo da suspensão traseira ao passar em buracos, valetas ou lombadas.
- A Causa Real: Desgaste prematuro ou folga nas bieletas (links da barra estabilizadora) traseiras ou nas buchas dos braços da suspensão multilink.
- A Solução: A troca dos componentes, geralmente coberta pela garantia.
4. O Fantasma do Pós-Venda (Demora Crônica de Peças)
Este não é um problema do carro em si, mas é o maior risco de ser um dono de Maverick no Brasil.
- O Sintoma: Em caso de colisão (mesmo uma batida leve), os proprietários relatam uma espera de semanas ou até meses por peças de reposição básicas, como para-choques, faróis, para-lamas ou até mesmo o para-brisa.
- A Causa Real: A Maverick é importada do México. A rede de peças da Ford Brasil, que está focada na Ranger nacional e no Territory chinês, sofre com a logística de importação de componentes para a picape.
- A Solução: Paciência e ter um seguro completo com carro reserva. Sem seguro, o custo de um farol de LED ou de um para-choque pode ser proibitivo, e o tempo de reparo é um grande problema.
5. Bugs na Multimídia (SYNC 3)
Uma queixa comum para um sistema que, embora maduro, já está sendo substituído pelo SYNC 4.
- O Sintoma: A conexão sem fio com o Apple CarPlay ou Android Auto é instável e “cai” com frequência. A tela também pode apresentar lentidão ou travamentos.
- A Causa Real: Software (SOW) “imaturo” ou com bugs de compatibilidade com smartphones mais novos.
- A Solução: Manter o sistema sempre atualizado. A maioria das correções é feita via atualização na concessionária ou (em alguns casos) via Wi-Fi.
Conclusão: Uma Picape Robusta, Com “Pecados” de Custo
A Ford Maverick é um projeto de grande sucesso e seus motores (tanto o 2.0 EcoBoost quanto o 2.5 Híbrido) são considerados muito confiáveis.
Seus problemas crônicos estão ligados diretamente às escolhas de corte de custo no acabamento (para o mercado dos EUA) e aos desafios logísticos de um carro importado. É uma picape com excelente dirigibilidade, mas que exige paciência com os “grilos” internos e com o pós-venda.






