A Nova Ram 3500 (lançada no Brasil em 2022) não é apenas uma picape; é uma máquina de trabalho pesado com luxo incomparável. Com seu motor 6.7L Cummins Turbodiesel High Output (HO) e uma capacidade de reboque que beira o inacreditável, ela é a “rainha” do segmento.
No entanto, por trás de toda essa força bruta, existe um veículo de engenharia complexa e com problemas crônicos bem conhecidos nos EUA e que já começam a aparecer no Brasil. Seus defeitos, quando ocorrem, são de uma escala “caminhão” e podem gerar custos de manutenção astronômicos.
Se você tem ou está de olho em uma Ram 3500, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.
1. O “Pesadelo”: O Câmbio Automático 68RFE (O Elo Fraco Crônico)
Este é, de longe, o ponto mais fraco e o problema crônico mais famoso da Ram Heavy Duty.
- O Sintoma: Patinação em acelerações fortes (especialmente com carga ou reboque pesado), superaquecimento (a temperatura do fluido da transmissão sobe rapidamente), trocas de marcha lentas ou “indecisas” (o câmbio “caça” marchas) e, em casos extremos, a perda de tração.
- A Causa Real: O câmbio automático de 6 marchas 68RFE (Chrysler) não foi originalmente projetado para lidar com o torque brutal do motor Cummins 6.7L High Output (que pode passar de 100 kgfm na versão original, e muito mais em motores “chipados”). Ele é o “elo fraco” do powertrain. O câmbio superaquece, o fluido se degrada e os pacotes de embreagem internos “queimam”.
- A Solução: Para uso original, a troca do fluido da transmissão a cada 40.000 km (e não 100.000 km) é vital. Para quem “chipou” (reprogramou) o motor, a quebra é uma questão de tempo. A única solução é a substituição do câmbio por um 68RFE “preparado” (com componentes internos reforçados), um serviço que pode custar facilmente acima de R$ 40.000.
2. O Temido “Death Wobble” (A Vibração da Morte)
Este é um problema crônico de projeto, que afeta todas as picapes (e Jeeps) com eixo dianteiro sólido, e a 3500 é especialmente suscetível por seu peso.
- O Sintoma: Uma vibração violenta e incontrolável no volante e na dianteira do veículo, que surge subitamente após passar em um buraco ou irregularidade (geralmente acima de 60-80 km/h). A vibração é tão forte que o motorista é forçado a parar o veículo no acostamento para que ela cesse.
- A Causa Real: É um defeito de ressonância do eixo sólido. Qualquer pequena folga em um dos componentes da direção (terminais, pivôs, buchas da barra Panhard ou, o principal suspeito, o amortecedor de direção) faz o eixo “balançar” descontroladamente.
- A Solução: Não há recall. A solução é a troca preventiva de todo o conjunto de direção por peças de primeira linha ou, preferencialmente, por componentes aftermarket reforçados.
3. Falhas Crônicas no Sistema de Emissões (DPF e EGR)
Este é um defeito crônico de todas as picapes a diesel modernas, e a 3500, com seu uso profissional, é a principal vítima.
- O Sintoma: Luz do DPF (filtro de partículas) acesa no painel, perda de potência e o caminhão entrando em “modo de emergência” (limp mode).
- A Causa Real: Uso 100% urbano ou cargas leves por longos períodos. O motor Cummins 6.7L HO é um motor de estrada, feito para trabalhar quente e com carga. Usá-lo para curtas distâncias ou sem peso não aquece o DPF o suficiente para a “autolimpeza” (regeneração). A fuligem entope o filtro, ou os sensores falham.
- A Solução: Se você só anda na cidade, NÃO COMPRE UMA RAM 3500. O reparo exige a regeneração forçada na concessionária (cara) ou a limpeza química do DPF. Muitos donos optam pela solução ilegal de remover fisicamente o DPF/EGR e reprogramar a central.
4. Vazamentos Crônicos no Motor Cummins (Juntas e Retentores)
O motor 6.7L Cummins HO é um “tanque de guerra”, mas é um “tanque” que vibra muito (6 cilindros em linha) e que, com o tempo, desenvolve vazamentos.
- O Sintoma: “Melado” de óleo constante no motor e manchas na garagem.
- A Causa Real: É uma característica do projeto e do uso pesado. A vibração do motor “vence” as juntas com o tempo. O ponto mais crônico de vazamento é a junta da tampa de válvulas (que é enorme e cara) e, em alguns casos, o retentor do volante.
- A Solução: Troca das juntas. A da tampa de válvulas é uma manutenção recorrente e exige cuidado.
5. O Custo Absurdo das Peças (e a Falta delas)
Este não é um “defeito” mecânico, mas é um “problema crônico” de pós-venda.
- O Sintoma: Preços exorbitantes para qualquer peça de reposição (lataria, faróis, componentes eletrônicos) e prazos de entrega longos.
- A Causa Real: A Ram 3500 é um veículo de nicho, importado do México. O volume de vendas é baixo, e o estoque de peças da Mopar no Brasil é limitado. Quase tudo precisa ser importado sob demanda, e os preços são dolarizados.
- A Solução: Tenha um seguro completo com cobertura para carro reserva pelo maior tempo possível. Qualquer batida, mesmo que leve, pode resultar em meses de espera e um custo de reparo que se aproxima do valor da tabela FIPE.
Conclusão: Um “Trator” Que Exige Manutenção de “Trator”
A Nova Ram 3500 é uma das máquinas mais impressionantes do mercado. No entanto, ela não pode ser tratada como um carro de passeio ou mesmo uma picape média. Seu custo de manutenção é o de um caminhão, e seus problemas crônicos (especialmente o câmbio 68RFE e o DPF) exigem um proprietário que entenda o uso correto e os cuidados rigorosos.
Se você precisa de sua capacidade de reboque e carga, ela é insubstituível. Mas esteja preparado para os custos de um gigante.






