O Sea-Doo Wake 170 (lançado em 2020) é a escolha natural para quem curte esportes. Ele já vem de fábrica pronto para a ação, com mastro de esqui retrátil (Ski Pylon), suporte para prancha e o exclusivo “Modo SKI” de aceleração.
Embora seja mecanicamente idêntico ao GTI SE 170 (mesmo casco Polytec e motor 1630 ACE), o perfil de uso do Wake é muito mais severo. Puxar um wakeboarder ou uma boia exige torque constante e gera arrasto, o que acelera o desgaste de componentes vitais.
Se você tem ou está negociando um Wake 170 usado, esta é a lista do que você precisa inspecionar com lupa.
1. O Anel de Carbono (Carbon Ring): Desgaste Acelerado por Reboque
Este é o problema número 1 de todos os Sea-Doo, mas no Wake 170 ele é crítico.
- O Sintoma: Entrada de água no porão e vibração excessiva.
- A Causa Real: Quando o jet está puxando um esquiador, ele navega com a proa alta e o motor faz muita força em baixa velocidade (arrasto). Isso gera calor excessivo no sistema de transmissão e vibração no eixo, o que “lixa” o anel de carbono muito mais rápido do que em uso de passeio.
- A Solução: Se você usa o jet para puxar boia/wake todo fim de semana, a troca preventiva deve ser feita a cada 80 ou 100 horas, e não 150.
2. Rachaduras na Base do Mastro de Esqui (Ski Pylon)
O mastro retrátil é ótimo, mas a fixação no casco Polytec tem limites.
- O Sintoma: Folga excessiva no mastro ou microfissuras no plástico do convés (deck) ao redor da base do mastro.
- A Causa Real: O esforço lateral de puxar um esquiador pesado ou fazer curvas bruscas (slalom) força a estrutura de plástico do casco superior.
- A Solução: Inspeção visual frequente da base. Em casos graves, é necessário reforçar a área com fibra ou trocar a peça plástica do convés traseiro.
3. Suporte de Prancha (Rack) Quebrado
Um acessório muito útil, mas frágil.
- O Sintoma: O suporte lateral se solta, as borrachas de proteção ressecam/rasgam ou o mecanismo de encaixe (LinQ) quebra.
- A Causa Real: A vibração da navegação em águas agitadas, somada ao peso da prancha no suporte, fadiga o plástico e os elásticos de retenção.
- A Solução: Troca das tiras de borracha e verificação dos parafusos de fixação. Não navegue em mar agitado com a prancha no suporte se não for necessário.
4. Casco Polytec: Riscos e Abrasão
Como o modelo Wake é muito usado em margens de represas e praias para troca de pilotos e equipamentos, o casco sofre mais.
- O Sintoma: Fundo do casco (quilha) extremamente riscado, com sulcos profundos.
- A Causa Real: O material Polytec é “mole” e risca fácil ao ser arrastado na areia ou cascalho durante as paradas frequentes da prática de esportes.
- A Solução: Instalação de um protetor de quilha (Keel Guard) é quase obrigatória para este modelo.
5. Falha no IBR (Freio e Ré)
O uso intenso do freio para buscar o esquiador na água força o sistema.
- O Sintoma: O IBR trava ou a luz de erro acende.
- A Causa Real: O uso repetitivo do freio/ré em manobras de resgate de wakeboarder aquece o motor do atuador. Além disso, cordas de esqui podem ser sugadas para a turbina e travar o IBR e o eixo.
- A Solução: Cuidado redobrado com a corda de reboque (use um flutuador na corda) para não ser sugada pela turbina.
Conclusão: Uma Ferramenta de Diversão que Exige Manutenção
O Sea-Doo Wake 170 é a melhor ferramenta para esportes aquáticos amadores. O Modo SKI (que mantém a velocidade constante) é um diferencial incrível.
No entanto, ele trabalha mais duro que um jet de passeio. Ao comprar um usado, pergunte: “ele puxava muito wake?”. Se a resposta for sim, exija uma inspeção minuciosa do anel de carbono e do alinhamento do motor. Se estiver tudo em ordem, é só diversão.






