O Ford Edge (primeira geração, vendida no Brasil de 2008 a 2015) é um SUV que impressiona até hoje. Importado do Canadá, ele oferece um rodar macio, motor 3.5 V6 Duratec de quase 300 cv e uma lista de equipamentos invejável.
Mas cuidado: o Edge é um carro complexo e pesado. Seus problemas crônicos não são apenas “chatos”; eles são financeiramente perigosos. Existe um defeito específico no motor que é considerado uma “bomba-relógio” por mecânicos experientes.
Se você está sonhando com um Edge, esta é a lista do que você precisa investigar antes de fechar negócio.
1. O “Juízo Final”: Bomba D’água Interna (Vazamento No Óleo)
Este é o maior pesadelo do motor 3.5 V6 Duratec da Ford.
- O Problema: A bomba d’água é movida pela corrente de comando e fica localizada dentro do motor.
- O Sintoma: Quando a bomba d’água falha (geralmente o selo mecânico ou rolamento), ela não vaza para o chão. Ela vaza para dentro do cárter, misturando água com o óleo do motor.
- O Desastre: A mistura vira uma “maionese” (emulsão) que perde a capacidade de lubrificação. Em questão de minutos, as bronzinas giram e o motor funde.
- A Solução/Custo: A troca preventiva da bomba d’água é caríssima (pois exige desmontar toda a frente do motor e o sincronismo das correntes). Se o motor fundir, o prejuízo passa de R$ 25.000.
- Dica: Verifique sempre a cor do óleo e o nível da água. Se a água baixar e não tiver vazamento externo, pare o carro imediatamente.
2. Falha Na PTU (Caixa De Transferência AWD)
O sistema de tração integral (AWD) do Edge é famoso por quebrar a PTU (Power Transfer Unit), que envia força para as rodas traseiras.
- O Sintoma: Cheiro forte de óleo de câmbio queimado (vazando sobre o escape), barulho de moedor vindo de baixo do carro ou vazamento de uma “graxa preta” grossa.
- A Causa Real: A Ford projetou a PTU com pouco volume de óleo e, pior, sem bujão de dreno (considerado “vitalício”). O óleo superaquece, vira uma borra sólida (coke) e as engrenagens se desintegram por falta de lubrificação.
- A Solução: Troca da PTU. A peça nova é cara (mais de R$ 8.000). A prevenção envolve adaptar um bujão de dreno para trocar esse óleo a cada 30.000 km.
3. Falha No Hidrovácuo (Pedal De Freio Duro)
Um problema de segurança muito comum.
- O Sintoma: O pedal do freio fica duro (“pedra”) de repente, exigindo muita força para parar o carro, e ouve-se um chiado de ar (“pssss”) vindo da região dos pedais.
- A Causa Real: O diafragma interno do servo-freio (hidrovácuo) rasga.
- A Solução: Troca do hidrovácuo. É um serviço chato devido ao acesso difícil no cofre do motor.
4. Sensor De Porta Aberta (Luz No Painel)
Um defeito elétrico irritante que afeta a segurança e a bateria.
- O Sintoma: O painel acusa “Porta Aberta” (geralmente a do motorista) mesmo com ela fechada. As luzes internas não apagam e o alarme não arma, drenando a bateria.
- A Causa Real: O microinterruptor dentro da fechadura da porta falha ou fica sujo.
- A Solução: Limpeza com limpa-contatos (solução temporária) ou a troca da fechadura completa da porta (solução definitiva e cara).
5. Buchas Da Suspensão E Rolamentos
O Edge pesa mais de 2 toneladas. O asfalto brasileiro não perdoa esse peso.
- O Sintoma: Ronco alto de rolamento em velocidade e batidas secas na suspensão.
- A Causa Real: Os rolamentos de roda dianteiros são subdimensionados para o peso do carro e duram pouco. As buchas das bandejas inferiores também rasgam com facilidade.
- A Solução: Troca dos cubos de roda/rolamentos e bandejas. Use peças de primeira linha (Timken, SKF, Moog), pois as baratas não aguentam o peso do Edge por uma semana.
Conclusão: Uma Nave Que Exige Respeito
O Ford Edge é um carro espetacular para viajar. Conforto, silêncio e potência de sobra.
No entanto, ele é uma “bomba-relógio” se não tiver histórico de manutenção. Ao comprar, a primeira pergunta não é sobre a lataria, mas sim: “a bomba d’água já foi trocada?”. Se o dono não souber ou o carro tiver mais de 100.000 km com a bomba original, saiba que você terá que fazer esse serviço preventivo imediatamente (custo de aprox. R$ 4.000 a R$ 6.000) para não perder o motor.






