A Ford F-250 (produzida de 1998 a 2011) é um ícone. Ela sucedeu a F-1000 e elevou o nível de potência e tamanho das picapes no Brasil. Seja com o lendário motor MWM 6 cilindros (Sprint) ou com o robusto Cummins 4 cilindros eletrônico, ela é um trator de luxo.
Mas, manter um “caminhão” desses rodando exige bolso e conhecimento. A F-250 sofre com o desgaste de componentes de direção (que não aguentam o peso da frente) e problemas específicos de cada motor.
Se você está buscando realizar o sonho de ter uma F-250, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.
1. O “Mal de F-250”: Caixa de Direção e Braço Pitman
Este é o problema número 1, que afeta 100% das F-250, especialmente as que usam pneus grandes.
- O Sintoma: Uma folga gigantesca na direção (você vira o volante e a roda não mexe) e um comportamento instável na estrada (“passarinhar”).
- A Causa Real: O sistema de direção (com caixa e braços) sofre muito com o peso do motor e da frente da picape. O Braço Pitman (que liga a caixa às barras) cria folga rapidamente. Além disso, a própria caixa de direção desenvolve folga interna e vazamentos.
- A Solução: Troca dos terminais e do braço Pitman. Em casos graves, o recondicionamento ou troca da caixa de direção. Muitos donos instalam reforços de chassi (conhecidos como “bracket”) para segurar a caixa de direção no lugar e evitar que ela rasgue a longarina.
2. Diferencial Traseiro (Dana 70) e o Desgaste do LSD
A F-250 tem um diferencial traseiro robusto (Dana 70), mas o sistema de deslizamento limitado (LSD – Positraction) é um ponto de atenção.
- O Sintoma: Estalos fortes ou “arrasto” das rodas traseiras em curvas fechadas e manobras, além de ruído de rolamento (ronco).
- A Causa Real: Os discos do sistema blocante (LSD) se desgastam ou “colam” se o óleo não for trocado com o aditivo correto.
- A Solução: Troca do óleo do diferencial com o aditivo modificador de atrito específico para LSD. Se os discos estiverem gastos, o reparo é caro.
3. Motor MWM 4.2 Sprint (6 Cilindros – 1998 a 2006)
(O Motor Mais Desejado)
O motor MWM 6cc é famoso pelo ronco e potência, mas tem um ponto fraco crítico no sistema de arrefecimento.
- O Problema: Queima da Junta do Cabeçote ou trinca no cabeçote entre as válvulas.
- A Causa: O motor é longo (6 cilindros em linha) e o 6º cilindro (o último, perto da cabine) sofre com refrigeração deficiente. Se o radiador sujar ou a bomba d’água fraquejar, o 6º cilindro superaquece e queima a junta.
- A Solução: Manutenção preventiva rigorosa do sistema de arrefecimento. Nunca deixe faltar aditivo.
4. Motor Cummins 3.9 Eletrônico (4 Cilindros – 2006 a 2011)
(O Motor “MaxPower”)
Quando a F-250 virou eletrônica, ganhou o motor Cummins ISB (o mesmo do caminhão Ford Cargo). Ele é fortíssimo, mas vibra muito.
- O Problema: A vibração excessiva do motor 4 cilindros “solta” tudo.
- Os Sintomas: Coxins de motor e câmbio estourados com frequência, trincas em suportes de periféricos (alternador/ar-condicionado) e chicote elétrico que se rompe por atrito/vibração. O módulo de injeção (que é refrigerado pelo diesel) também é uma peça cara que pode falhar.
- A Solução: Verificar coxins e chicotes a cada revisão.
5. Atuador de Embreagem (Pedal no Fundo)
Um problema que deixa muito dono de F-250 a pé.
- O Sintoma: O pedal da embreagem afunda e não volta, ou fica impossível engatar marchas.
- A Causa Real: O sistema hidráulico da embreagem (cilindro mestre e atuador escravo) tem componentes plásticos que não suportam a pressão da embreagem pesada da picape por muito tempo.
- A Solução: Troca do conjunto hidráulico. Dica: use peças originais ou de marcas premium (Sachs/Luk), pois as paralelas estouram em semanas.
Conclusão: Um Caminhão Disfarçado
A Ford F-250 não é um carro grande; é um caminhão pequeno.
Seus problemas crônicos são reflexo do peso e da força bruta. Ao comprar uma usada, a regra de ouro é: verifique a caixa de direção (é o reparo mais chato) e o estado do arrefecimento (especialmente na MWM 6cc). Se esses dois estiverem em dia, você terá uma máquina eterna.






