O Fiat Cronos (lançado em 2018) é o sedã derivado do Argo e fabricado na Argentina. Com um porta-malas de 525 litros e design italiano, ele conquistou famílias e motoristas de aplicativo. Mecanicamente, seus motores Firefly (1.0 e 1.3) e E.torQ (1.8) são robustos (ambos usam corrente de comando).
Porém, robustez não significa imunidade a falhas. O Cronos possui um “calcanhar de Aquiles” grave nas versões automáticas e uma série de aborrecimentos de acabamento e direção.
Se você está negociando um Cronos usado, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.
1. O “Pesadelo”: Trocador de Calor (Câmbio Automático AT6)
Este é o problema mais grave, caro e perigoso da linha Fiat/Jeep, e o Cronos não escapou. Afeta as versões 1.8 (e 1.3 mais novas) equipadas com o câmbio automático de 6 marchas (Aisin).
- O Sintoma: O câmbio começa a dar trancos, patinar ou trava. Ao verificar o reservatório de água do radiador, o líquido está com cor de “doce de leite” (óleo misturado).
- A Causa Real: O trocador de calor (peça que resfria o óleo do câmbio usando a água do motor) fura internamente devido à corrosão causada pelo uso de água de torneira ou aditivo vencido. A água entra no câmbio e destrói os discos de embreagem.
- A Solução: Se a água entrou, o reparo do câmbio custa entre R$ 15.000 e R$ 25.000. A prevenção é trocar o aditivo do radiador anualmente ou instalar um kit de radiador de óleo externo (eliminando o trocador original).
2. Estalos na Coluna de Direção (“Toc-Toc”)
Uma queixa que afeta quase 100% dos donos de Argo e Cronos em algum momento.
- O Sintoma: Um barulho de “tec-tec” ou estalos ao virar o volante para manobrar, ou batidas secas ao passar em ruas de paralelepípedo.
- A Causa Real: Falta de lubrificação na coluna de direção elétrica (na junção das estrias) ou folga na caixa de direção.
- A Solução: Em muitos casos, uma lubrificação técnica com graxa especial na coluna resolve. Em outros, é necessária a troca da coluna intermediária ou o reparo da caixa de direção.
3. Consumo de Óleo (Motor 1.8 E.torQ)
O motor 1.8 E.torQ (que equipou as versões Drive e Precision até 2021) é forte, mas tem “sede” de óleo.
- O Sintoma: O nível do óleo baixa rapidamente entre as trocas, sem vazamentos visíveis no chão e sem fumaça no escape.
- A Causa Real: É uma característica de projeto (anéis e brunimento) que a própria Fiat considera “normal” (até 400ml a cada 1.000 km, segundo o manual).
- A Solução: Não é um defeito a ser consertado, mas exige monitoramento semanal da vareta. Se o dono anterior rodou com nível baixo, o motor pode ter desgaste prematuro.
4. Sistema Start-Stop Inoperante
O sistema que desliga o motor em paradas para economizar combustível costuma parar de funcionar cedo.
- O Sintoma: O aviso “Start-Stop Indisponível” aparece no painel e o carro não desliga mais nos semáforos.
- A Causa Real: A bateria. O sistema exige uma bateria especial (EFB/AGM) em perfeito estado. Se a bateria perder um pouco da eficiência (o que é normal após 18 meses), o módulo desativa o Start-Stop para poupar energia. O sensor da bateria (IBS) no polo negativo também pode falhar.
- A Solução: Troca da bateria (que é cara) ou recarga lenta.
5. Maçanetas e Acabamento Frágil
O Cronos é bonito, mas o plástico interno cobra seu preço.
- O Sintoma: Maçanetas internas que quebram na mão, difusores de ar que soltam as aletas e ruídos de “grilo” nas portas e painel.
- A Causa Real: Plásticos rígidos de montagem simples que sofrem com o calor e vibração.
- A Solução: “Caça-grilos” e substituição das peças plásticas quebradas.
Conclusão: Um Sedã Confiável, Se Bem Cuidado
O Fiat Cronos é um excelente carro familiar.
- Versão 1.3 (Manual/GSR): É muito econômica e barata de manter. O câmbio GSR (automatizado) exige cautela, mas é melhor que o antigo Dualogic.
- Versão 1.8 (Automático): É confortável e potente, mas exige atenção obsessiva ao sistema de arrefecimento para não perder o câmbio. Se for comprar um automático, verifique a cor da água do radiador e do óleo do câmbio antes de fechar negócio.






