Do ponto de vista da engenharia automotiva, o Audi A5 (2007-2016), desenvolvido sobre a plataforma B8, compartilha integralmente a motorização com o Audi A4 da mesma época. Isso significa que as versões equipadas com os motores 2.0 TFSI (EA888) e 3.2 V6 FSI não utilizam correia dentada para o sincronismo principal, mas sim Corrente de Comando metálica.
Embora o conceito da corrente seja projetado para durar a vida útil do motor, falhas no projeto original de tensionamento exigem intervenção técnica rigorosa para evitar danos catastróficos ao cabeçote.
1. Precisa Trocar? (O Diagnóstico do Tensor)
A troca não é pautada por uma quilometragem predeterminada no manual, mas sim pela análise de fadiga das peças e pela versão do componente instalado.
- A Falha Crônica: Nos modelos fabricados entre 2007 e 2012 (pré-facelift), o tensor hidráulico original da corrente apresenta uma deficiência crítica na trava de retenção. Com a degradação do óleo e o estresse mecânico, o tensor perde a capacidade de manter a corrente esticada.
- O Risco Mecânico: Se a corrente perder a tensão no momento da partida a frio, ela “pulará” os dentes das engrenagens. O dessincronismo faz com que as válvulas colidam com os pistões, resultando em perda total do cabeçote.
- Parâmetro de Diagnóstico: O procedimento institucional correto exige o uso de um scanner de nível de concessionária (VCDS ou ODIS). Na leitura do Bloco 93 do módulo do motor, o parâmetro “Phase Position” ou “Phase Adaptation” deve ser avaliado. Valores que ultrapassem -4.0º a -5.0º indicam alongamento crítico da corrente e exigem a substituição imediata.
2. O Kit de Corrente (Atualização Obrigatória)
A substituição do sistema exige a adoção do tensor atualizado de 3ª Geração, desenvolvido pela Audi para sanar a falha da trava.
- Composição do Kit: A intervenção técnica deve contemplar a substituição completa do conjunto:
- Corrente de sincronismo principal e corrente dos eixos balanceadores.
- Guias plásticas e patins de deslizamento (que ressecam e fraturam com a variação térmica).
- Engrenagens e o tensor hidráulico atualizado.
- Custo das Peças: Exija componentes originais (OEM) ou de fornecedores premium homologados (como Iwis, Febi Bilstein ou Melling).
- Valor Estimado: R$ 1.800,00 a R$ 2.800,00. (A utilização de kits paralelos de baixo custo compromete a confiabilidade de todo o trem de força).
3. Mão de Obra e Procedimento Técnico
A complexidade da arquitetura longitudinal do Audi A5 eleva o custo da mão de obra especializada.
- O Procedimento: O acesso ao sistema de distribuição exige o afastamento do painel frontal (Posição de Serviço). A substituição demanda ferramentas específicas para o travamento milimétrico dos eixos de comando de válvulas e do virabrequim.
- Valor M.O.: Em centros automotivos especializados em linha premium, a mão de obra varia entre R$ 1.500,00 e R$ 2.500,00.
4. A Correia da Bomba D’água (Sistema Auxiliar)
É imperativo esclarecer que o motor 2.0 TFSI (EA888) possui uma correia dentada auxiliar de pequenas dimensões, localizada na parte traseira/lateral do bloco.
- Função: Ela aciona exclusivamente a bomba d’água e o módulo de gerenciamento térmico.
- Custo: A correia em si tem valor nominal baixo (cerca de R$ 120,00) e sua substituição costuma ser realizada de forma conjunta quando há vazamentos na carcaça plástica da bomba d’água.
5. Resumo de Custos (Estimativa Institucional)
| Componente | Motivo da Intervenção | Custo Médio Total (Peças + Mão de Obra) |
|---|---|---|
| Kit Corrente de Comando | Prevenção de falha do tensor (Atualização Gen 3) | R$ 4.000,00 a R$ 5.500,00 |
| Correia Auxiliar da Bomba D’água | Vazamento no módulo térmico (Troca do conjunto) | R$ 600,00 (apenas correia e serviço local) |
Conclusão e Diretriz de Compra
A manutenção do sistema de distribuição do Audi A5 B8 não deve ser negligenciada. O investimento preventivo de aproximadamente R$ 4.500,00 resguarda o proprietário contra uma retífica de motor que pode facilmente ultrapassar a marca de R$ 20.000,00.
Ao avaliar a aquisição de uma unidade usada (especialmente dos anos 2009 a 2012), a ausência de histórico documental atestando a troca do tensor deve ser considerada um fator de depreciação imediata no valor de negociação do veículo. Recomendamos a exigência do laudo de leitura de fase (VCDS) antes da efetivação da compra.




