A indústria automotiva europeia está à beira de uma nova e grave paralisação, e o Grupo Volkswagen está no epicentro da crise. A montadora admitiu publicamente que possui chips suficientes para manter suas linhas de produção funcionando apenas “até o final da próxima semana”.
Desta vez, a causa não é uma falha na cadeia de suprimentos ou um desastre natural, mas sim uma crise de natureza puramente política. A produção do Volkswagen Golf em Wolfsburg já foi suspensa, e modelos como Tiguan e Touran devem ser os próximos.
A Origem da Crise: Uma Disputa Geopolítica
O pivô da crise é a empresa Nexperia, uma fabricante de semicondutores sediada na Holanda, mas que possui capital chinês.
Segundo fontes do setor, a crise foi deflagrada após o governo holandês, sob forte pressão dos Estados Unidos, intervir na Nexperia, citando preocupações com a propriedade intelectual da empresa. Em retaliação direta, a China teria suspendido as exportações desses componentes cruciais.
Arno Antlitz, diretor financeiro do Grupo Volkswagen, foi claro: “Não se trata de uma escassez física de oferta, mas sim de uma escassez de oferta resultante de decisões políticas.”
Por que Esses Chips São Tão Importantes?
Os componentes fabricados pela Nexperia são descritos como “simples”, mas são absolutamente essenciais para a arquitetura dos veículos modernos.
Eles são utilizados nas unidades de controle do sistema elétrico da maioria dos carros europeus. Sem eles, o carro simplesmente não funciona.
A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) já expressou profunda preocupação, alertando que muitos de seus membros “já esperam paralisações iminentes nas linhas de montagem”.
O Impacto Imediato: Produção do Golf Já Parou
O Grupo Volkswagen é o primeiro e mais afetado. A montadora já foi forçada a suspender, na última quarta-feira, a produção do Volkswagen Golf em sua principal fábrica, em Wolfsburg.
A paralisação deve se espalhar. A expectativa é que a produção dos modelos Tiguan, Touran e Tayron, todos fabricados na mesma planta, seja interrompida na sequência.
A Volkswagen está em uma corrida contra o tempo para encontrar fornecedores alternativos, mas a solução definitiva, como admitiu Antlitz, “deve ser resolvida com as partes envolvidas se sentem juntas e encontrem soluções para o mercado europeu”.
A Indústria como Refém da Geopolítica
A crise de 2021-2023, causada pela alta demanda na pandemia, expôs a fragilidade da cadeia de suprimentos de semicondutores. A crise atual expõe um problema ainda mais complexo: a dependência da indústria automotiva de componentes que se tornaram armas em disputas geopolíticas.
Enquanto os executivos da VW afirmam que há “muito mais transparência” do que na crise anterior, a realidade é que as linhas de montagem da maior montadora da Europa podem silenciar em questão de dias.
É a prova definitiva de que, no século 21, a fabricação de um carro depende tanto de aço e borracha quanto de microchips e das relações diplomáticas entre Washington, Bruxelas e Pequim.





