A década de 1930 foi, para o automobilismo britânico, uma era de ouro de pura engenhosidade e paixão. Foi nesse cenário vibrante que nasceu, em 1933, um dos carros mais singulares e mecanicamente fascinantes de sua época: o Frazer Nash Type TT Roadster.
Produzido por uma daquelas pequenas e obstinadas marcas inglesas, o Type TT era a personificação da crença de que dirigir deveria ser uma experiência visceral, uma conexão direta entre o homem, a máquina e o asfalto.
Ele é um ícone da era pré-guerra, um carro que hoje é reverenciado por sua simplicidade mecânica, sua beleza funcional e, principalmente, por seu engenhoso e quase excêntrico sistema de transmissão.
Design Exterior: A Elegância da Simplicidade Esportiva

O visual do Frazer Nash Type TT Roadster é um espetáculo de proporções clássicas e pureza de linhas. A carroceria era baixa, leve e desprovida de qualquer adorno desnecessário.
A dianteira longa e afilada, a cabine recuada e os para-lamas destacados evocavam velocidade, mesmo com o carro parado. O nome “TT” era uma referência direta à lendária e perigosa corrida “Tourist Trophy”, sinalizando a vocação esportiva do modelo.

O design não era sobre ostentação, mas sobre a essência de um roadster: leveza, agilidade e o prazer de dirigir a céu aberto.
Interior: O Cockpit Minimalista

Por dentro, a filosofia purista continuava. O interior do Frazer Nash Type TT era um cockpit minimalista, com espaço para apenas dois ocupantes em bancos justos.
O ambiente era totalmente focado na tarefa de pilotar. Um grande e fino volante de madeira dominava a visão do condutor, acompanhado por um painel simples com apenas os instrumentos essenciais, dispostos como em um avião de época.

Não havia espaço para o luxo ou o conforto excessivo. A emoção vinha da intimidade com a mecânica, do som do motor e da resposta direta de cada comando.
A Genialidade Mecânica: O “Câmbio” de Correntes

O coração do Frazer Nash Type TT Roadster era um motor de 4 cilindros em linha, que em muitas unidades era de origem Bristol (um projeto derivado do da BMW), entregando cerca de 70 cv – um número respeitável para um carro de pouco mais de 700 kg.
No entanto, a verdadeira joia da engenharia, e o que tornou a marca famosa, era seu sistema de transmissão por correntes.

Não havia uma caixa de câmbio convencional. Em seu lugar, um engenhoso sistema conectava o motor ao eixo traseiro através de um conjunto de correntes e engrenagens de diferentes tamanhos. O motorista selecionava as marchas movendo alavancas que engatavam fisicamente a corrente correspondente à relação desejada.
Era uma solução complexa, que exigia habilidade do piloto, mas que oferecia trocas de marcha extremamente rápidas e uma conexão mecânica direta e sem perdas, ideal para a competição.
Ficha Técnica: Frazer Nash Type TT Roadster (1933)
| Ficha Técnica | Frazer Nash Type TT Roadster |
| Motor | ~1.5 Litros, 4 cilindros em linha, OHV |
| Posição | Dianteiro |
| Potência | ~70 cv |
| Câmbio | Manual por correntes (geralmente 4 marchas) |
| Tração | Traseira |
| Chassi | Tubular de aço |
| Peso | ~750 kg |
O Charme Mecânico de uma Era Perdida

O Frazer Nash Type TT Roadster é muito mais do que um carro antigo; é um testemunho de uma era de criatividade e paixão pela mecânica. Ele representa um tempo em que pequenos fabricantes, movidos por engenho e coragem, não tinham medo de trilhar caminhos técnicos completamente diferentes.
Em um mundo de transmissões automáticas e assistências eletrônicas, a ideia de trocar de marcha engatando uma corrente parece quase uma loucura. Mas é exatamente essa pureza mecânica e essa conexão visceral com a máquina que tornam o Type TT um ícone tão reverenciado e um dos mais autênticos esportivos britânicos de todos os tempos.






