Move Brasil Bate R$ 1 Bilhão Liberado, Mas Burocracia e Queda no Serasa Assombram Motoristas

A engrenagem do programa de renovação de frota do Governo Federal começou a girar. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acaba de atingir a marca expressiva de R$ 1 bilhão em créditos liberados através do programa Move Motoristas (integrante da política Move Brasil).

No entanto, enquanto os números globais impressionam, quem está na ponta do balcão tentando fechar negócio relata que a burocracia e as falhas de sistema ainda são grandes pedras no sapato.

1. O Marco do Bilhão (Os Números Reais)

O volume de dinheiro injetado mostra que a demanda da categoria por carros 0km era reprimida e urgente. Segundo os dados oficiais divulgados:

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  • Beneficiados: 9.908 profissionais (entre taxistas e motoristas de aplicativo) já conseguiram o financiamento.
  • Alcance: O crédito chegou a 1.015 municípios em todos os estados do país.
  • Valor Médio: Cada motorista financiou, em média, R$ 102 mil para a compra do veículo novo.
  • O Teto: O limite máximo de compra segue travado em veículos de até R$ 150 mil que façam parte do programa Mover.

2. As Condições de Pagamento (Taxas e Prazos)

O grande atrativo do programa continua sendo a estrutura de juros subsidiada, que é repassada pelo BNDES para as instituições financeiras parceiras (que assumem o risco da operação).

Para facilitar o entendimento, veja as condições fixadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN):

CondiçãoEspecificação no Move Motoristas
Prazo MáximoAté 72 meses para pagar.
Juros para HomensMáximo de 0,99% ao mês.
Juros para MulheresMáximo de 0,91% ao mês.
Taxas ExtrasProibidas. Bancos e concessionárias não podem cobrar taxa de cadastro.

3. O Pneu Furado da Operação (As Críticas e Entraves)

Apesar do otimismo do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, que prevê a aceleração do programa para alcançar o potencial de R$ 30 bilhões estipulado na MP 1.362/2026, a operação tem recebido críticas pesadas de dentro do próprio governo.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, apontou falhas graves na execução prática que estão prejudicando o motorista:

  • Rejeição Injustificada: Cadastros de motoristas sem o nome sujo estão sendo negados pelos bancos de forma arbitrária.
  • Sistema Lento: Falta de integração tecnológica entre o BNDES e as financeiras, gerando esperas de vários dias entre a aprovação e a liberação real da carta de crédito.
  • A Armadilha do Score: A reclamação mais grave da categoria: motoristas relatam queda abrupta na pontuação do Serasa (o score de crédito) apenas por fazerem cotações e buscarem os bancos para tentar a contratação.
  • Cobranças Ilegais: Denúncias de instituições cobrando indevidamente a taxa de abertura de crédito (TAC), prática proibida pelas regras do programa.

Conclusão: Um Motor em Fase de Amaciamento

O Move Motoristas provou que a teoria funciona: injetar crédito barato renova a frota e movimenta a economia. A meta agora, segundo o próprio governo, é forçar os bancos parceiros a afinarem seus sistemas. Corrigir o problema da queda de pontuação no Serasa e a lentidão da aprovação é vital para que os outros R$ 29 bilhões previstos no programa cheguem efetivamente às mãos de quem precisa rodar para viver.

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