O BYD Seal (lançado no Brasil em 2023) é um carro que redefiniu o conceito de sedã esportivo-elétrico no país. Com performance de supercarro (especialmente na versão AWD), design premiado e um pacote tecnológico impressionante por um preço muito agressivo, ele se tornou um objeto de desejo imediato.
No entanto, como acontece com todo veículo recém-lançado de uma marca nova, os “early adopters” (primeiros proprietários) começaram a descobrir um padrão de queixas recorrentes e problemas crônicos.
É fundamental deixar claro: a mecânica do carro (motores e bateria Blade) é considerada extremamente robusta e confiável. Os problemas do Seal não são de engenharia mecânica, mas sim de software, acabamento e adaptação ao mercado.
1. O Aplicativo (BYD Connect): A Principal Irritação
Esta é, de longe, a queixa número um e a maior fonte de frustração dos proprietários. O aplicativo “BYD Connect”, que deveria ser a chave para o universo do carro, é relatado como instável e incompleto.
- O Sintoma: O aplicativo não atualiza o status do carro (não mostra a carga correta da bateria ou a localização), demora a responder e, o pior, a função de “chave digital” (abrir o carro pelo celular ou cartão NFC) falha com frequência, forçando o motorista a usar a chave física.
- A Causa Real: Um software (SOW) que ainda não está “maduro”. A comunicação entre o carro e os servidores da BYD na nuvem é lenta e cheia de bugs, o que torna a experiência de “carro conectado” muito inferior à de seus rivais.
- A Solução: Paciência e atualizações. A BYD está correndo para atualizar seus servidores e o software do aplicativo para corrigir essas falhas de comunicação.
2. A Suspensão Esportiva (Mais “Dura” que o Esperado)
Este não é um “defeito” no sentido de quebra, mas uma característica de projeto que frustrou compradores que esperavam o conforto de um sedã de luxo.
- O Sintoma: A suspensão, especialmente na versão AWD, é muito firme e “seca”. Ela copia demais as imperfeições do asfalto, e o carro bate com força em buracos e valetas, um comportamento diferente do esperado para um sedã premium.
- A Causa Real: O Seal foi projetado para ser um esportivo, um rival do Tesla Model 3 Performance. Sua suspensão foi calibrada na Europa para estabilidade em alta velocidade (o que ele faz com maestria), e não para o asfalto lunar brasileiro.
- A Solução: É uma característica do carro. Quem busca um sedã com foco em conforto (como um Mercedes Classe C) pode se decepcionar. Quem busca um esportivo firme, vai gostar.
3. Software da Multimídia: Confuso e com “Chinglish”
A tela giratória de 15,6 polegadas é espetacular, mas seu software sofre com a localização para o Brasil.
- O Sintoma: Menus confusos, funções difíceis de achar e, o mais relatado, traduções malfeitas. Muitas funções estão em “Português de Portugal” (ex: “gravar” para salvar, “reboque” para trailer) ou, pior, em “Chinglish” (inglês mal traduzido do chinês). Além disso, o carro não tem um computador de bordo “Trip B” separado, algo básico em carros populares.
- A Causa Real: Adaptação de software feita às pressas para um mercado global, sem o refinamento necessário para o português brasileiro.
- A Solução: Atualizações de software (OTA – Over-the-Air). A BYD tem liberado atualizações que melhoram as traduções e adicionam funções, mas o processo ainda está em andamento.
4. Pós-Venda e Demora de Peças (O Risco do Carro Novo)
Este é um problema que afeta não só o Seal, mas toda a linha BYD no Brasil.
- O Sintoma: Em caso de colisão (mesmo uma batida leve), os proprietários relatam uma espera de semanas ou até meses por peças de reposição básicas, como para-choques, faróis ou para-lamas.
- A Causa Real: A BYD cresceu mais rápido que sua infraestrutura de logística de peças no Brasil. A demanda foi tão explosiva que a rede de concessionárias e o estoque de peças não acompanharam.
- A Solução: Paciência. A BYD está investindo bilhões na fábrica da Bahia e na expansão de seu centro de distribuição de peças para normalizar essa situação, mas a curto prazo, ainda é um risco a ser considerado na hora da compra.
Um Carro Revolucionário com “Dores de Crescimento”
O BYD Seal é um projeto de engenharia fantástico, que oferece uma performance de R$ 600 mil em um carro de R$ 300 mil. Seus problemas crônicos não são de motor ou bateria.
Tratam-se de “dores do crescimento” de uma marca que se tornou gigante do dia para a noite em um mercado complexo como o nosso. Ao comprar um, saiba que você está levando para casa um hardware incrível, mas um software (app e multimídia) que ainda está em “Beta”.






