O Citroën Basalt (lançado em 2025) é a peça final do “Projeto C-Cubo” da Stellantis, que também nos deu o C3 e o Aircross. É um carro com uma proposta de mercado agressiva: oferecer o design de um SUV-Cupê e motores modernos (incluindo o T200 turbo) por um preço extremamente competitivo.
No entanto, como acontece com todo projeto focado em redução de custos, o carro mal chegou às ruas e já apresenta um padrão de queixas recorrentes, muitas delas herdadas de seus irmãos de plataforma.
É importante frisar: os problemas crônicos do Basalt (e da família C-Cubo) não são, em sua maioria, de confiabilidade mecânica grave. Seus motores Firefly e T200 são robustos. As queixas se concentram quase que inteiramente no acabamento e no conforto.
Se você tem ou está de olho em um Basalt zero quilômetro, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar (e ter paciência).
1. O “Show de Plástico”: Ruídos Internos Crônicos
Este é, de longe, o problema crônico número um e a maior queixa dos proprietários: o carro é “barulhento” por dentro.
- O Sintoma: Um “festival de grilos”. Ruídos constantes de plástico vibrando contra plástico, que parecem vir de todos os lados: do painel central (na junção com a multimídia), dos forros de porta (especialmente dos puxadores) e da tampa do porta-malas.
- A Causa Real: É uma característica do projeto. Para atingir o preço agressivo, todo o acabamento interno do Basalt é feito de plástico rígido (duro), sem nenhuma parte macia (soft touch). Com a vibração natural do motor (especialmente o 3 cilindros) e o asfalto brasileiro, as peças atritam entre si e rangem.
- A Solução: Reclamação na concessionária (para reaperto dos painéis, ainda na garantia) ou o serviço de “caça-grilos”, onde um profissional aplica fitas de feltro e espuma nos pontos de contato.
2. “Batida de Pino” (Motores 1.0 Firefly)
Este é um problema técnico que assustou muitos proprietários dos motores 1.0 Firefly aspirados (também presentes no Argo e Novo Uno).
- O Sintoma: Um barulho metálico, como uma “máquina de costura” ou “rajada” (tec-tec-tec), que aparece em acelerações leves, especialmente com o carro em baixa rotação e abastecido com etanol.
- A Causa Real: Não é uma “batida de pino” (detonação) perigosa, mas um ruído de pré-ignição (LSPI). A causa principal era uma calibração de software muito agressiva da injeção eletrônica, que tentava otimizar o consumo ao máximo.
- A Solução: A Stellantis já tem uma solução para isso há algum tempo. O problema é resolvido com uma atualização de software (ECU) na concessionária, que ajusta o ponto de ignição e resolve o ruído.
3. Suspensão Dianteira Barulhenta (O “Toc-Toc”)
Uma queixa recorrente nos irmãos C3 e Aircross, e que já aparece no Basalt, é a de ruídos na suspensão dianteira, mesmo com baixíssima quilometragem.
- O Sintoma: Um “toc-toc” ou pancada seca ao passar em buracos, valetas ou lombadas, dando a sensação de que algo está “solto”.
- A Causa Real: Desgaste prematuro de componentes simples da suspensão, sendo as bieletas (links da barra estabilizadora) e as buchas da barra estabilizadora as principais suspeitas.
- A Solução: A troca dos componentes em garantia. É um reparo simples, mas que frustra o proprietário de um carro zero quilômetro.
4. Bugs e Lentidão na Central Multimídia
O Citroën Connect de 10 polegadas é um dos destaques do carro, mas não é livre de falhas.
- O Sintoma: Lentidão para iniciar o sistema ao ligar o carro, travamentos aleatórios, “apagões” (tela preta) e, principalmente, instabilidade na conexão sem fio com o Apple CarPlay ou Android Auto, que desconectam sozinhos.
- A Causa Real: Software (SOW) precisando de maturação. Como todo sistema complexo, as primeiras versões apresentam bugs que vêm sendo corrigidos.
- A Solução: Manter o sistema sempre atualizado. A maioria das correções é feita via atualização de software na concessionária.
Um Carro Honesto, Com Pecados de Projeto
O Citroën Basalt é um projeto honesto: ele entrega um design de SUV-Cupê, motores modernos (especialmente o T200) e muito espaço por um preço que os concorrentes não conseguem bater.
No entanto, para chegar a esse preço, a Stellantis cortou custos agressivamente no acabamento interno e, talvez, em alguns componentes de suspensão. Seus problemas crônicos não afetam a confiabilidade (seus motores Firefly e T200 são robustos e usam corrente de comando), mas afetam diretamente o conforto acústico no dia a dia.
Ao comprar um, faça um test drive em uma rua esburacada: ela será seu melhor diagnóstico para saber se o nível de ruídos do carro está dentro do seu aceitável.






