Problemas Crônicos da BYD Shark (2025-2026): Suspensão, T-Box e Freio Fantasma

A BYD Shark chegou em 2025 para “morder” o mercado das picapes médias com uma proposta tentadora: potência de V6, 0 a 100 km/h de esportivo e consumo de carro popular (enquanto houver bateria).

Porém, como todo lançamento de uma plataforma inédita (DMO), ela sofre com “dores do crescimento”. Proprietários no Brasil, México e Austrália já relatam falhas eletrônicas e de calibração que podem deixar o dono na mão ou assustado.


1. Módulo T-Box (O “Apagão” da Conectividade)

Este é o defeito mais sério e frequente relatado globalmente. O módulo de telemática (T-Box) apresenta falha de hardware.

Anúncio

  • O Defeito: O carro perde totalmente a conexão 4G/5G.
  • Os Sintomas: O GPS nativo para de funcionar, o aplicativo de celular não conecta mais ao carro (impossível ligar o ar à distância ou ver a carga) e as atualizações OTA (Over-The-Air) falham. Além disso, o relógio do painel pode mostrar a hora errada e não permitir ajuste.
  • Solução: Troca física do módulo T-Box em garantia. A peça costuma demorar para chegar, deixando o proprietário com um carro “offline” por semanas.

2. Suspensão Traseira (Vibração e “Shudder”)

A Shark usa uma suspensão independente Double Wishbone na traseira, algo raro em picapes (que geralmente usam eixo rígido). Isso traz conforto, mas também problemas.

  • Vibração em Desníveis: Há relatos de uma vibração lateral excessiva (shudder) na traseira ao passar por buracos ou ondulações com apenas um lado do carro. A carroceria “treme” de forma diferente do chassi, gerando desconforto.
  • Batida Seca: Apesar de robusta, a suspensão tem curso limitado para o peso das baterias (Blade) integradas ao chassi. Com carga na caçamba, é fácil dar “fim de curso” em lombadas, gerando uma batida seca metálica.

3. Frenagem Fantasma (Sistema ADAS Sensível)

O pacote de segurança ativa da BYD é generoso, mas sofre com calibração excessivamente cautelosa.

  • O Susto: O sistema de Frenagem Autônoma de Emergência (AEB) detecta “perigos inexistentes” — como sombras, placas metálicas no chão ou carros em faixas vizinhas em curvas — e aciona os freios bruscamente sem aviso.
  • O Risco: Além do susto, isso aumenta o risco de colisões traseiras (quem vem atrás não espera uma freada brusca em estrada livre). A solução paliativa é reduzir a sensibilidade na multimídia, mas o sistema tende a resetar para o padrão ao desligar o carro.

4. Consumo com Bateria “Morta” (O Peso Cobra a Conta)

A Shark é vendida como econômica, e realmente é — enquanto tem carga na bateria.

  • A Realidade: Em viagens longas onde a bateria de 29,6 kWh se esgota, o motor 1.5 Turbo a gasolina precisa empurrar sozinho as quase 2,7 toneladas da picape e ainda recarregar a bateria.
  • O Consumo: Nessa situação (bateria zerada na estrada), o consumo pode cair para a casa dos 6,5 a 8,0 km/l, ficando pior que as rivais a diesel (Hilux, Ranger).

5. Ruídos na Dianteira (Semieixos)

Algumas unidades com baixa quilometragem (menos de 5.000 km) apresentaram ruídos na tração dianteira.

  • O Barulho: Um som de “cloc-cloc” ou estalos ao esterçar o volante em manobras ou em saídas fortes.
  • A Causa: Folga prematura nas juntas homocinéticas ou nos semieixos dianteiros, que recebem uma descarga de torque brutal (instantânea) dos motores elétricos.

6. Delay Eletrônico (Atraso nos Comandos)

Diferente de carros tradicionais, tudo na Shark é “by-wire” (eletrônico).

  • Infotainment: A tela giratória pode apresentar atrasos (lags) irritantes ao alternar entre as câmeras 360º e o mapa.
  • Comandos Físicos: Há um leve atraso perceptível entre apertar o botão de seta ou travar as portas e a ação acontecer. Não é um defeito de quebra, mas uma característica de software mal otimizado que incomoda no dia a dia.

Conclusão: Tecnologia com Preço de Pioneirismo

  • Veredito: A BYD Shark é uma nave espacial perto das picapes a diesel, mas você será um “piloto de testes”. Se você roda muito em locais sem sinal ou precisa de confiabilidade absoluta de trabalho pesado, espere a linha 2027.
  • Dica: Antes de retirar da concessionária, teste o aplicativo do celular na frente do vendedor. Se não conectar na hora, recuse o recebimento até trocarem o T-Box. Uma vez fora da loja, você entra na fila de espera da peça.
Adicione um comentário Adicione um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Previous Post

Qual O Consumo Do Troller RF (1995–2001)? (AP 2.0 Gasolina)

Next Post

Corrente de Comando da BYD Shark (2025-2026): Precisa Trocar? Quanto Custa?

Anúncio