A Chevrolet Zafira (fabricada no Brasil de 2001 a 2012) deixou saudade. Com seu sistema Flex7 de bancos, ela transportava 7 pessoas com dignidade ou virava um furgão de carga em segundos. É um carro insubstituível para muitos, tanto que seu preço no mercado de usados permanece firme.
No entanto, a Zafira é um carro pesado (quase 1.500 kg) montado sobre uma plataforma de carro médio (Astra). Isso gera desgastes prematuros. Além disso, os motores Família 2 da GM, embora robustos, têm seus vazamentos característicos.
Se você está procurando uma Zafira para a família, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.
1. O “Marcador de Território”: Vazamentos de Óleo (Motor Família 2)
Se não tiver uma gota de óleo no chão, desconfie: pode estar sem óleo.
- O Sintoma: Motor “suado” ou pingando óleo na garagem e cheiro de óleo queimado no capô.
- A Causa Real: O motor 2.0 (8V ou 16V) da GM tem pontos crônicos de vazamento. O principal é a junta da tampa de válvulas, que resseca e vaza sobre o coletor de escape. O anel de vedação (O-ring) da bobina de ignição (nos 8V) e o retentor do volante também são vilões clássicos.
- A Solução: Troca das juntas e retentores. É uma manutenção barata, mas recorrente.
2. Suspensão Dianteira (O Peso da Minivan)
A Zafira é pesada e carrega muita gente. A suspensão sofre.
- O Sintoma: Barulhos de “toc-toc” seco na dianteira, folga na direção e desgaste irregular dos pneus.
- A Causa Real: As buchas da bandeja e as bieletas da barra estabilizadora não aguentam o tranco do asfalto brasileiro com o peso extra da carroceria. Elas estouram com frequência.
- A Solução: Troca dos componentes. Dica: use peças de marcas premium (como Axios ou original GM), pois as paralelas duram meses, não anos.
3. Arrefecimento e Válvula Termostática
Um ponto de atenção vital para não ferver o motor.
- O Sintoma: O ponteiro da temperatura sobe além do meio ou a ventoinha fica ligada direto.
- A Causa Real: A válvula termostática original costuma travar fechada. Além disso, o tubo de distribuição de água (que passa atrás do motor, de plástico) resseca e trinca, causando vazamento oculto.
- A Solução: Troca preventiva da válvula e do tubo d’água. Recomenda-se também usar aditivo de qualidade, pois o radiador da Zafira é propenso a corrosão.
4. Consumo de Combustível Elevado
Não é um defeito, mas uma característica crônica que assusta novos donos.
- O Sintoma: O dono abastece e o ponteiro cai rápido.
- A Realidade: A Zafira tem a aerodinâmica de um tijolo e é pesada. O motor 2.0 (especialmente o Flexpower automático de 4 marchas) trabalha forçado.
- O Consumo Real: Espere médias de 5 a 6 km/l no etanol na cidade. Na estrada, dificilmente passa de 10 km/l. Se o consumo estiver muito pior que isso (ex: 3 km/l), verifique sonda lambda e bicos injetores.
5. Ruídos na Coluna de Direção e Tampa Traseira
Detalhes de acabamento que incomodam.
- O Sintoma: Estalos ao virar o volante e barulho de “batedeira” vindo do porta-malas.
- A Causa Real: Folga nas buchas da coluna de direção (comum na linha Astra/Vectra). Na traseira, a fechadura e os batentes da enorme tampa do porta-malas criam folga e barulho.
- A Solução: Reparo da coluna de direção e ajuste/troca dos batentes da tampa traseira.
Conclusão: A Melhor 7 Lugares Antiga, Mas Prepare o Bolso
A Chevrolet Zafira é um carro excelente e muito superior à sua sucessora (Spin) em termos de acabamento e conforto dos bancos.
No entanto, é um carro antigo. A manutenção do motor GM é barata, mas o consumo de combustível é alto. Ao comprar, foque no estado do câmbio automático (se for o caso) e na integridade do sistema de arrefecimento. Se estiver tudo em ordem, é um “tanque” para a família.






