A Dodge Dakota chegou ao Brasil oferecendo motores que a concorrência não tinha (V6 e V8) e um design que ainda hoje impõe respeito. Mas a estrutura mecânica, em alguns pontos, não aguentou a realidade brasileira ou trouxe tecnologias europeias que não funcionaram aqui.
Se você sonha com uma, fuja das armadilhas abaixo.
1. O Motor Diesel VM Motori (2.5 TD) (O “Fazedor de Viúvas”)
Diferente da F-1000 ou Silverado que usavam MWM (indestrutível), a Dodge escolheu um motor italiano da VM Motori para a Dakota Diesel.
- O Sintoma: Superaquecimento súbito, mistura de água no óleo e fumaça branca.
- A Causa Real: Esse motor tem 4 cabeçotes individuais (um para cada cilindro). O sistema de arrefecimento é ineficiente para o clima tropical. Os cabeçotes trincam com facilidade e as juntas queimam.
- A Solução: Não há solução definitiva barata. A manutenção é caríssima e as peças são raras.
- Veredito: A maioria das Dakotas Diesel rodando hoje já teve o motor trocado por um MWM Sprint ou foi convertida para gasolina. Não compre a Diesel original, a menos que queira um projeto de swap de motor.
2. Pivôs da Suspensão Dianteira (O Risco de Vida)
Este foi motivo de um recall mundial famoso e assustador.
- O Sintoma: Chiados na suspensão dianteira (nheco-nheco) e direção imprecisa. Em casos extremos, a roda “abre” e cai com o carro em movimento.
- A Causa Real: Os pivôs (ball joints) originais eram subdimensionados e não tinham lubrificação adequada. Eles quebravam e a manga de eixo soltava.
- A Solução: Troca imediata dos pivôs superiores e inferiores por marcas de primeira linha (como Moog ou Spicer). Verifique se o recall foi feito. Nunca use pivôs “recondicionados” ou marcas chinesas baratas na Dakota.
3. Folga na Caixa de Direção (O Caminhão Desgovernado)
Dirigir uma Dakota cansada exige corrigir o volante o tempo todo em linha reta.
- O Sintoma: O volante tem uma zona morta no centro. Você vira 3 dedos para a esquerda ou direita e as rodas não mexem.
- A Causa Real: Desgaste prematuro no setor (caixa de direção) e na barra intermediária. O sistema de direção da Dakota é complexo e pesado.
- A Solução: Recondicionamento da caixa de direção em empresa especializada ou importação de uma caixa nova dos EUA. O aperto do parafuso de ajuste da caixa é apenas um paliativo temporário.
4. Pane Elétrica “NO BUS” (O Painel Morto)
Um defeito eletrônico clássico da linha Chrysler/Dodge dessa época.
- O Sintoma: Os ponteiros do painel caem para o zero, as luzes espia acendem e o odômetro digital exibe a mensagem “NO BUS”. O carro pode continuar andando ou morrer.
- A Causa Real: Falha de comunicação no barramento de dados (CCD Bus), geralmente causada por solda fria nos conectores atrás do painel de instrumentos ou sensores em curto (frequentemente o sensor de velocidade).
- A Solução: Retirada do painel para ressolda dos conectores ou limpeza dos contatos da ECU (Módulo).
5. Bomba de Combustível (Gasolina) (O Mal das V6 e V8)
Nos modelos a gasolina (2.5, 3.9 V6 e 5.2 V8), a bomba é um item de desgaste frequente.
- O Sintoma: O carro demora a pegar, falha em alta rotação ou apaga do nada e não liga mais até esfriar.
- A Causa Real: O copo da bomba (que fica dentro do tanque) resseca e trinca, perdendo pressão, ou o refil queima por andar muito na reserva (o combustível refrigera a bomba).
- A Solução: Troca do refil ou do conjunto completo.
- Dica: Evite andar com menos de 1/4 de tanque na Dakota.
Conclusão: Sonho ou Pesadelo?
- O Sonho: Dakota V6 (3.9) ou V8 R/T (5.2). São motores Magnum robustos, bebem muito, mas entregam durabilidade de tanque de guerra se o sistema de arrefecimento estiver limpo.
- O Pesadelo: Dakota 2.5 Diesel. É um casamento com o mecânico.
- A Racional: Dakota 2.5 Gasolina (4 cilindros). Anda pouco (é manca), mas usa o motor do Jeep Wrangler/Cherokee, que é muito confiável e tem manutenção mais barata.






