A Fiat Palio Weekend G2 (2001-2003) é lembrada pelo design mais limpo e pela introdução da versão Adventure. Mecanicamente, ela marcou a chegada dos motores Fire (1.0 e 1.3 de 16 válvulas) e manteve o forte 1.6 16V Torque.
Embora seja um carro robusto, essa geração sofreu com a adaptação das novas tecnologias. O motor Fire 16V inicial é famoso por ser sensível, e o sistema elétrico começou a ficar mais complexo (e problemático).
Se você está de olho em uma Weekend dessa época, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.
1. A Borra de Óleo (Motor Fire 1.0 e 1.3 16V)
Este é o problema mais temido dos primeiros motores Fire 16V.
- O Sintoma: O motor começa a bater tucho (tec-tec) na partida, a luz do óleo pisca em marcha lenta ou, ao abrir a tampa de abastecimento, vê-se uma pasta preta.
- A Causa Real: O motor Fire 16V tem passagens de óleo estreitas e trabalha quente. O uso de óleo mineral de baixa qualidade (comum na época) ou trocas atrasadas geram borra rapidamente. Isso entope a lubrificação do cabeçote.
- A Solução: Se o motor tiver borra, é necessário um “flush” químico com extremo cuidado ou a desmontagem para limpeza (banho químico). A prevenção é usar óleo semissintético e trocar a cada 5.000 km.
2. Acelerador Eletrônico “Louco” (Drive-by-Wire)
A linha 2001 introduziu o acelerador eletrônico nos motores Fire, e ele deu muita dor de cabeça.
- O Sintoma: O carro perde a aceleração do nada, a marcha lenta oscila (sobe e desce), ou a luz da injeção acende e o carro entra em modo de emergência (sem força).
- A Causa Real: Sujeira ou desgaste nas pistas do Corpo de Borboleta (TBI) ou falha no sensor do pedal do acelerador. O chicote elétrico do TBI também costuma quebrar por vibração.
- A Solução: Limpeza do TBI e reprogramação. Em casos de desgaste, a troca do corpo de borboleta é necessária (e a peça original Magneti Marelli não é barata).
3. Suspensão Traseira (O Mal de Família)
Assim como na G1, a suspensão traseira independente exige atenção.
- O Sintoma: Rodas traseiras “abertas” (cambagem negativa excessiva), comendo pneu por dentro, e batidas secas em buracos.
- A Causa Real: Os rolamentos dos braços oscilantes traseiros não possuem vedação perfeita contra a poeira brasileira. Eles travam e o braço desgasta o próprio eixo.
- A Solução: Kit de reparo dos braços traseiros. É uma manutenção obrigatória a cada 40.000 ou 50.000 km para quem roda em estradas ruins.
4. Manutenção do 1.6 16V (O Custo da Potência)
A versão Stile/Adventure com motor 1.6 16V anda muito, mas cobra o preço.
- O Sintoma: Motor fora de ponto, gastão e fraco.
- A Causa Real: A troca da correia dentada deste motor exige ferramentas específicas que muitos mecânicos ignoram. Além disso, o alternador deste motor fica em uma posição difícil e costuma apresentar falhas no regulador de voltagem.
- A Solução: Apenas compre se tiver histórico de manutenção em oficina especializada em Fiat. Peças de motor 1.6 16V são significativamente mais caras que as do Fire.
5. Acabamento “Pegajoso” (Maçanetas e Painel)
Um problema estético que afeta o prazer de dirigir.
- O Sintoma: As maçanetas externas e partes do painel (console central) ficam grudentas, parecendo cola velha.
- A Causa Real: A Fiat usou um revestimento emborrachado (“soft touch” primitivo) que se decompõe com o calor e a umidade do Brasil.
- A Solução: Remoção química do revestimento (deixando no plástico liso) ou pintura das peças. Não adianta limpar com álcool, o problema volta.
Conclusão: A Weekend Fire é a Racional
A Fiat Palio Weekend G2 é uma excelente perua.
- A Melhor Compra: A versão 1.3 8V Fire (que saiu no final dessa fase, em 2003/2004) ou a 1.5 MPI (2001). São motores mais simples e robustos.
- Atenção: Se optar pela 1.0/1.3 16V, verifique a borra no motor. Se optar pela 1.6 16V, verifique o estado da correia dentada e do alternador.






