Problemas Crônicos da Volkswagen Caravelle T4 (1990-2003): Cabeçote Trincado e Peças Raras

A Caravelle (ou Eurovan/Transporter) é um tanque de guerra, mas com “pés de barro”. A manutenção negligenciada pelos donos anteriores cobra um preço altíssimo hoje.


1. Motor 2.4 Diesel (AAB) – O Cabeçote de Cristal

A maioria das Caravelle no Brasil usa o motor 5 cilindros 2.4 Diesel aspirado. Ele tem um som lindo, mas um defeito grave.

  • O Problema: Superaquecimento. O sistema de arrefecimento é complexo e, se falhar (ventoinha, radiador sujo), o motor ferve rápido.
  • A Consequência: O cabeçote de alumínio trinca entre as válvulas.
  • Sintoma: O carro consome água, as mangueiras ficam duras (pressão excessiva) e sai fumaça branca pelo escape.
  • Solução: Retífica ou troca do cabeçote. Um cabeçote novo para esse motor 5 cilindros é caro e difícil de achar.

2. Painel de Instrumentos (Solda Fria)

Um defeito clássico da VW dos anos 90, mas crítico na T4.

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  • O Defeito: O regulador de voltagem atrás do painel sofre com “solda fria” (a solda trinca com a vibração).
  • O Sintoma: Os ponteiros de temperatura e combustível ficam loucos ou param de funcionar de repente. A luz da temperatura pisca sem motivo.
  • Solução: Desmontar o painel e refazer as soldas do regulador. É barato, mas exige paciência.

3. Suspensão Dianteira (Bieletas e Pivôs)

A Caravelle é pesada (quase 2 toneladas). A suspensão dianteira sofre muito no asfalto brasileiro.

  • Desgaste Acelerado: Pivôs superiores e inferiores, bieletas e buchas da barra estabilizadora duram pouco.
  • Barulho: O carro começa a bater seco na frente (“tuc-tuc”).
  • Atenção: A troca dos pivôs superiores exige uma ferramenta especial para comprimir a barra de torção. Muitos mecânicos tentam fazer na marra e danificam a suspensão.

4. Câmbio Manual (Trambulador)

O trambulador da alavanca de câmbio tem buchas de plástico que se desintegram.

  • Sintoma: A alavanca fica “boba”, parecendo uma colher num pote de doce. A 1ª e a 2ª marcha ficam difíceis de engatar ou arranham.
  • Reparo: O kit de buchas é barato, mas o acesso (por baixo da van) é trabalhoso.

5. Corrosão (Ferrugem Escondida)

Apesar da galvanização, a T4 tem pontos fracos de ferrugem.

  • Onde olhar:
  • 1. Trilho da Porta Corrediça: A água acumula ali e apodrece a lata.
  • 2. Bocal de Abastecimento: A borracha em volta do bocal acumula terra e umidade, apodrecendo a lataria em volta do tanque.
  • 3. Moldura do Para-brisa: Ferrugem por baixo da borracha do vidro.

6. Disponibilidade de Peças (O Pesadelo)

Este não é um defeito mecânico, mas é o maior problema crônico do dono.

  • O Fato: Peças de acabamento (lanterna, maçaneta, frisos, bancos) são Mosca Branca. Se quebrar uma lanterna traseira original, prepare-se para importar da Alemanha ou pagar uma fortuna no Mercado Livre.
  • Mecânica: Peças de motor compartilha algo com Audi/VW antigos, mas suspensão e freios são específicos da T4.

Conclusão: Amor e Ódio

  • Veredito: A Caravelle é um veículo de estilo de vida (“Lifestyle”). Não compre para usar como “Kombi de carga” para carregar cimento, pois a manutenção vai te falir.
  • Dica: O motor 2.4 Diesel exige aditivo de arrefecimento de primeira linha trocado anualmente. Se usar água de torneira, você vai perder o cabeçote em pouco tempo.
  • Melhor Versão: As raras versões a Gasolina (2.5) costumam dar menos dor de cabeça com cabeçote, mas bebem muito.
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