A Volkswagen Eurovan (Geração T4) é um veículo cultuado mundialmente pelo espaço e versatilidade. No Brasil, ela chegou importada da Alemanha em versões de passageiros (VR6 gasolina) e carga/furgão (Diesel).
Embora robusta em estrutura, a Eurovan sofre com a idade e a falta de tropicalização de alguns componentes, tornando sua manutenção um desafio para poucos.
1. Câmbio Automático (O Grande Vilão)
Se você está olhando uma Eurovan VR6 automática, redobre a atenção. A transmissão de 4 marchas (01P) é notoriamente problemática.
- O Defeito: O câmbio superaquece com facilidade, “cozinhando” o fluido e degradando os discos de composite internos. O corpo de válvulas também sofre desgaste prematuro.
- Os Sintomas: Trancos fortes nas trocas (principalmente de 2ª para 3ª), demora para engatar o “Drive” a frio e patinação em subidas.
- Solução: Muitas exigem retífica completa (que passa de R$ 8.000,00) ou a instalação de radiadores de óleo externos para tentar prolongar a vida útil.
2. Motor VR6 2.8: Correntes e Plásticos
O motor VR6 tem um ronco lindo e boa potência, mas sua manutenção é complexa.
- Corrente de Comando: Diferente dos motores comuns a correia, o VR6 usa correntes. Os guias e tensores de plástico ressecam e quebram. Se a corrente fizer barulho de “bolinhas de gude” batendo, prepare-se: para trocar, é preciso remover o câmbio ou o motor, o que torna a mão de obra caríssima.
- “Crack Pipe” e Arrefecimento: O sistema de água usa tubos e carcaças de plástico (incluindo o famoso “tubo de distribuição” atrás do radiador) que ressecam e trincam, causando vazamentos repentinos e risco de queimar a junta do cabeçote.
3. Motor Diesel 2.4 (O “Burro de Carga”)
As versões a diesel (geralmente aspiradas no Brasil, 5 cilindros) são mais robustas, mas sofrem com a idade.
- Cabeçote: O motor 2.4 de 5 cilindros não tolera superaquecimento. Trincas no cabeçote entre as válvulas são comuns se o sistema de arrefecimento não estiver 100%.
- Bomba Injetora: A correia da bomba injetora traseira exige ajuste preciso de ponto. Se estiver fora, o carro solta muita fumaça branca e tem dificuldade de partida a frio.
4. Suspensão Dianteira (Peso Elevado)
A Eurovan é pesada e, no asfalto brasileiro, a suspensão sofre.
- Pivôs e Buchas: As bandejas superiores e os pivôs (ball joints) desgastam com frequência, gerando estalos altos ao passar em lombadas.
- Desgaste de Pneus: Devido à geometria de suspensão, se as buchas estiverem gastas, ela “come” os pneus dianteiros na parte interna em questão de poucos quilômetros.
5. Elétrica e Acabamento
- Chicote das Portas: O chicote elétrico que passa dentro da sanfona da porta do motorista costuma quebrar os fios devido ao movimento de abrir/fechar. Isso faz parar os vidros elétricos, travas e ajuste de espelhos.
- Painel de Instrumentos: Falhas nas soldas frias da placa do painel fazem os marcadores de temperatura e combustível funcionarem de forma intermitente.
6. Disponibilidade de Peças (O Pesadelo Logístico)
Talvez o maior “defeito” da Eurovan no Brasil hoje não seja mecânico, mas logístico.
- Peças de Acabamento: Itens como faróis, lanternas, maçanetas e acabamentos internos são raríssimos e caros.
- Peças Mecânicas: Embora compartilhe algumas peças com Golf/Passat (no caso da VR6), muitas peças específicas de suspensão e lataria precisam ser importadas, o que pode deixar o carro parado na oficina por semanas.
Conclusão: Para Entusiastas, Não para o Dia a Dia
- Veredito: A Volkswagen Eurovan T4 é um veículo fantástico para lazer ou motorhome, desde que você tenha um segundo carro e orçamento para manutenção preventiva rigorosa. Para uso diário intenso, o custo de manutenção e o consumo (na VR6) tornam a conta difícil de fechar.
- Dica: Entre uma VR6 Automática e uma Diesel Manual, a Diesel Manual é infinitamente mais racional e barata de manter a longo prazo no Brasil.






