A Volkswagen Parati G3 marcou época. Com design limpo e interior inspirado no Golf, ela foi objeto de desejo da classe média. Mecanicamente, ela oferecia os robustos motores AP (1.6, 1.8 e 2.0) e as inovações tecnológicas 1.0 16V e 1.0 16V Turbo.
Hoje, como um carro usado com mais de 20 anos, ela exige atenção. O motor 1.0 16V é o grande vilão da desvalorização, e o acabamento interno “de luxo” da época não envelheceu bem.
Se você está buscando uma Parati G3, esta é a lista do que você precisa inspecionar.
1. O Drama do Motor 1.0 16V (Aspirado e Turbo)
Este é o ponto mais crítico. Os motores da família EA111 16V dessa época têm fama de frágeis.
- O Sintoma: O motor bate tucho na partida (tec-tec), a luz de óleo pisca em marcha lenta, ou há fumaça azulada no escape (queima de óleo). No caso da 1.0 Turbo, a turbina costuma fumar e o motor superaquece.
- A Causa Real:
- Lubrificação: O pescador de óleo entope fácil com borra (devido a óleo ruim ou trocas atrasadas), causando falta de lubrificação no cabeçote.
- Desgaste: O comando de válvulas risca com facilidade.
- A Solução: Para quem tem esse motor, a troca de óleo com produto de qualidade a cada 5.000 km é lei. Se o motor já estiver batendo, a retífica completa é cara. Muitos donos acabam trocando o motor inteiro por um AP 1.6.
2. Vazamentos de Água (Motores AP)
Os motores AP são tanques de guerra, mas seu sistema de arrefecimento tem pontos fracos de plástico.
- O Sintoma: O nível da água baixa constantemente e o carro tende a esquentar em trânsito pesado. Marcas de aditivo rosa aparecem no bloco.
- A Causa Real: As flanges de plástico (conexões onde entram as mangueiras no motor) ressecam e trincam. O tubo d’água de metal que passa atrás do motor também fura por corrosão.
- A Solução: Troca das flanges plásticas (recomenda-se usar peças de primeira linha ou de alumínio, se disponível) e uso obrigatório de aditivo para proteger o tubo metálico.
3. Acabamento “Soft Touch” Descascando
A VW tentou dar um ar premium ao Gol/Parati G3 usando uma tinta emborrachada no painel, mas o tiro saiu pela culatra.
- O Sintoma: As maçanetas internas, o console central e as molduras dos botões ficam pegajosos, grudentos e descascam, ficando com aspecto de “leproso” (manchas pretas e cinzas).
- A Causa Real: A tinta “Soft Touch” não resistiu ao calor tropical e à oleosidade das mãos, decompondo-se quimicamente.
- A Solução: Não adianta limpar. A solução é desmontar as peças, remover toda a tinta velha com solvente (deixando no plástico liso original) ou repintar.
4. Trinca no Túnel do Monobloco
Embora menos comum que na G1 (Quadrada), a G3 ainda sofre com a estrutura se for rebaixada ou muito exigida.
- O Sintoma: Dificuldade para engatar marchas, portas desalinhadas ou trincas visíveis no assoalho perto dos pedais (túnel central).
- A Causa Real: O monobloco do Gol/Parati tem um ponto de tensão no túnel central. Carros que andaram muito tempo rebaixados ou sofreram acidentes tendem a abrir essa trinca.
- A Solução: Solda MIG especializada e reforço estrutural. É um reparo complexo que desvaloriza o carro. Olhe sempre por baixo do carpete se possível.
5. Máquinas de Vidro e Fechaduras
O sistema elétrico de conforto da G3 dá bastante dor de cabeça.
- O Sintoma: O vidro elétrico sobe torto, cai dentro da porta ou faz estalos. As portas não destravam no controle.
- A Causa Real:
- Vidros: As roldanas de plástico das máquinas de vidro quebram.
- Fechaduras: As microchaves internas das fechaduras desgastam, impedindo que o alarme reconheça a porta aberta/fechada.
- A Solução: Kits de reparo para as máquinas de vidro (baratos) e troca das fechaduras.
Conclusão: A Melhor Perua, Se For AP
A Volkswagen Parati G3 é um carro excelente se você escolher a versão certa.
- A Compra Segura: Busque as versões com motor 1.6, 1.8 ou 2.0 AP. São motores indestrutíveis se tiverem água e óleo.
- O Risco: Evite as versões 1.0 16V e 1.0 16V Turbo, a menos que você seja um entusiasta disposto a gastar muito em manutenção preventiva. O acabamento grudento é apenas estético e fácil de resolver.






