O Audi A4 B6 (2001-2005) foi a geração que modernizou o design da marca, abandonando as linhas arredondadas dos anos 90. É um carro sólido, silencioso e com excelente proteção contra corrosão.
Porém, essa geração introduziu uma tecnologia que se tornou o pesadelo de muitos proprietários: o câmbio CVT Multitronic. Além disso, a manutenção corretiva da suspensão e dos motores exige peças de alta qualidade.
1. Câmbio Multitronic CVT (O Grande Vilão)
Se o Audi A4 B6 for tração dianteira e automático, ele usa o câmbio Multitronic (CVT de corrente). É unânime: evite se não tiver histórico de reparo recente.
- Módulo TCU (Erro F125): O módulo eletrônico que fica dentro do câmbio (mergulhado no óleo quente) queima ou solta soldas.
- Sintoma: A luz das marchas no painel (PRND) começa a piscar inteira ou o carro perde a ré.
- Custo: O reparo do módulo custa entre R$ 2.500,00 e R$ 4.000,00.
- Desgaste Mecânico: A corrente metálica e as polias cônicas desgastam, gerando trancos nas saídas e patinação. A retífica completa dessa caixa passa facilmente de R$ 10.000,00.
- Dica: A versão Quattro (4×4) usa o câmbio Tiptronic (ZF convencional), que é muito mais robusto.
2. Motor 2.0 20V (O “Beberrão” de Óleo)
O motor 2.0 aspirado de 130cv (código ALT) é famoso por baixar óleo “de fábrica”.
- Consumo de Óleo: É considerado “normal” pelo manual baixar até 500ml a cada 1.000 km, mas unidades cansadas baixam 1 litro. O problema crônico está nos anéis de pistão e no sistema de respiro (PCV).
- Variador de Fase: A polia variadora do comando de admissão faz um barulho de “tec-tec” (parece motor diesel) na partida a frio quando está desgastada. A peça nova é cara.
3. Suspensão Dianteira (Braços de Alumínio)
O B6 manteve o sofisticado sistema Multilink na dianteira, com 4 braços de alumínio em cada roda.
- O Problema: Asfalto brasileiro. As buchas de borracha rasgam e os pivôs criam folga rapidamente.
- O Sintoma: Barulhos secos ao passar em buracos e direção imprecisa (“passarinhar” na estrada).
- A Solução: Não adianta trocar só a bucha. O ideal é trocar o kit completo de braços (são 8 braços + bieletas + terminais). Um kit de primeira linha (Meyle HD ou Febi) custa mais de R$ 3.500,00 só de peças. Kits chineses duram 6 meses.
4. Acabamento Interno e Elétrica
O interior do B6 é luxuoso, mas tem pontos fracos irritantes:
- Porta-Luvas: A dobradiça da tampa do porta-luvas quebra se alguém forçar para abrir (o amortecedor trava com o tempo). É quase impossível achar um A4 B6 com o porta-luvas intacto.
- Botões Descascando: O revestimento “Soft Touch” (emborrachado) dos botões do ar-condicionado, vidros e rádio derrete com o calor e descasca, deixando os botões brancos e feios.
- Módulo de Conforto: Se entrar água no carro (geralmente por entupimento do dreno da bateria, abaixo do para-brisa), o módulo de conforto que fica no assoalho do motorista queima. O carro para de travar portas, baixar vidros e acender luzes internas.
5. Motor 1.8 Turbo e 3.0 V6
- 1.8 Turbo (150/163cv): Ainda sofre com a borra de óleo se não usar sintético. As bobinas de ignição queimam com frequência (tenha sempre uma reserva no porta-malas).
- 3.0 V6 30V: Motor robusto, mas com manutenção caríssima. Tem 4 sondas lambda e 4 catalisadores. Vazamentos de óleo nas tampas de válvula e nos retentores dos comandos são crônicos e difíceis de sanar sem desmontar muita coisa.
Conclusão: Tiptronic ou Manual
- Veredito: O Audi A4 B6 é um excelente carro se você fugir do câmbio Multitronic.
- A Melhor Compra: Procure um A4 1.8 Turbo Manual ou um raro 3.0 V6 Quattro (Tiptronic). Se for comprar o 2.0, aceite que terá que completar o óleo quinzenalmente. E reserve R$ 4.000,00 para a revisão da suspensão assim que comprar.






