O BYD D1 chegou ao Brasil com uma proposta revolucionária: ser o primeiro carro pensado exclusivamente para motoristas de aplicativo. Desenvolvido em parceria com a Didi Chuxing (dona da 99), ele oferece espaço de limousine e custo por km de moto.
Porém, como ferramenta de trabalho severo, ele apresenta pontos fracos que podem deixar o motorista parado na oficina, perdendo dias de faturamento.
1. Porta Lateral Elétrica (O Grande Diferencial e Vilão)
A porta traseira direita deslizante é a assinatura do carro, mas também sua maior fonte de dor de cabeça.
- Travamento: O mecanismo elétrico é sensível à sujeira e desalinhamento. Há relatos de portas que não fecham completamente ou que travam fechadas, exigindo reset do sistema ou lubrificação constante dos trilhos.
- Abertura Interna: Muitos passageiros forçam a maçaneta enquanto a porta está operando eletricamente, o que quebra o mecanismo ou descalibra os sensores antiesmagamento.
- Child Lock: Um “falso defeito” comum é a trava de criança ser ativada acidentalmente, impedindo a abertura por dentro e gerando reclamações de passageiros.
2. Suspensão (Barulhos e Batidas Secas)
O D1 pesa mais de 1.700 kg e roda o dia todo em asfalto lunar. A suspensão sofre.
- Batida de Fim de Curso: Os amortecedores traseiros têm curso curto para o peso das baterias. Com 3 passageiros e bagagem, o carro bate “seco” em qualquer lombada.
- Buchas e Bieletas: As buchas da suspensão dianteira desgastam prematuramente (antes dos 40.000 km), gerando ruídos de “escola de samba” na frente.
- Garantia Curta: Atenção! A garantia para itens de suspensão da BYD geralmente é menor (cerca de 1 ano ou 30.000 km). Verifique isso antes de comprar um usado.
3. Pneus (Desgaste Acentuado)
Não é exatamente um defeito, mas uma característica que pega donos de surpresa.
- Torque Instantâneo: O motor elétrico entrega torque imediato nas rodas dianteiras. Motoristas acostumados com carros 1.0 “lixam” pneu sem perceber nas saídas de semáforo.
- Peso: O peso das baterias faz os pneus originais durarem pouco (cerca de 30.000 a 40.000 km), o que aumenta o custo operacional (TCO).
4. Conector de Carregamento (Trava)
Um problema relado por motoristas de frota envolve o plugue de recarga.
- O Defeito: O pino de trava do conector (que prende a pistola de recarga ao carro) pode emperrar, impedindo a remoção do carregador.
- A Solução: Existe um cabo de emergência “escondido” (geralmente sob o capô ou acessível pelo porta-malas, dependendo do lote) para destravar manualmente, mas é um transtorno em eletropostos públicos.
5. Peças de Lataria e Reposição
O maior medo de quem trabalha com o carro é a colisão.
- Logística: Peças de desgaste (pastilhas, filtros) já são encontradas, mas itens de lataria (para-choques, a porta elétrica, faróis) podem demorar semanas para chegar da China, pois o D1 não tem o volume de vendas do Dolphin.
- Custo: Um toque na traseira pode custar caro devido aos sensores de estacionamento e câmeras integrados.
6. Multimídia e Software
Apesar de robusto, o sistema apresenta bugs.
- Tela Preta: Há relatos da central multimídia travar ou ficar com a tela preta, exigindo desligar o carro por alguns minutos para reiniciar.
- Ar-Condicionado: O comando do ar é na tela. Se a tela travar, você perde o controle da climatização, o que é inviável no verão com passageiro a bordo.
Conclusão: A Melhor Ferramenta, Se Bem Cuidada
- Veredito: O BYD D1 é imbatível no lucro por km rodado. A economia de combustível paga a prestação. Porém, ele exige um dono cuidadoso que não trate a porta elétrica com brutalidade.
- Dica de Ouro: Lubrifique os trilhos da porta deslizante com graxa branca spray a cada 15 dias. Isso evita 90% dos problemas de travamento e garante a sua nota 5.0 no app.






