Problemas Crônicos do Chevrolet Chevette (1973-1993): O Guia de Sobrevivência

O Chevette é robusto (“tanque de guerra”), mas o tempo é implacável com sua lataria e estrutura.


1. Bandeja da Bateria (O “Câncer” do Chevette)

(O Defeito Mais Famoso)

É quase impossível achar um Chevette original que nunca tenha reparado essa área.

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  • O Problema: A bateria fica alojada numa bandeja na parede corta-fogo, logo acima dos pés do passageiro. Com o tempo, o ácido da bateria vaza ou a água da chuva acumula ali.
  • O Sintoma: A ferrugem come a lata e abre um buraco.
  • A Consequência: Em dias de chuva, a água entra pelo buraco e inunda o carpete do lado do passageiro. Em casos graves, a bateria pode até cair.
  • Solução: Soldar uma chapa nova (remendo) ou trocar a “churrasqueira” completa. Verifique se o serviço foi bem feito ou se só passaram massa plástica.

2. Trinca na Longarina (Caixa de Direção)

(O Defeito Perigoso)

Este é o ponto que define se o carro vai para o ferro-velho ou não.

  • Onde: Na longarina dianteira esquerda, onde a caixa de direção é fixada.
  • O Motivo: O esforço da direção (principalmente se o dono usou rodas largas ou pneus grandes) fadiga o metal da longarina.
  • O Sintoma: A direção fica “boba”, estala ao virar o volante parado ou o carro puxa muito.
  • O Teste: Peça para alguém virar o volante de um lado para o outro enquanto você olha a caixa de direção. Se a longarina “abrir e fechar” (mexer junto), fuja. Soldar longarina exige um funileiro estrutural gabaritado.

3. Diferencial Roncador

(Braseixos vs. Dana)

O Chevette tem tração traseira, e o diferencial é seu ponto fraco em conforto acústico.

  • O Sintoma: Um zumbido (“uuuuu”) que aumenta conforme a velocidade sobe.
  • A Causa: Desgaste no conjunto coroa e pinhão ou falta de óleo.
  • Detalhe: Os eixos da marca Braseixos são mais frágeis e tendem a roncar mais cedo. Os eixos Dana (mais comuns nos últimos modelos ou Chevy 500) são mais robustos.
  • Custo: Arrumar diferencial é caro e exige mão de obra especializada em ajuste de folga.

4. Infiltração na “Churrasqueira”

Além da bateria, a grelha de ventilação abaixo do para-brisas (churrasqueira) apodrece nos cantos.

  • O Problema: Folhas e sujeira entopem os drenos originais. A água empoça e enferruja a chapa de dentro para fora.
  • O Sintoma: Água pingando nos pedais ou escorrendo por trás do painel.
  • Atenção: Consertar isso exige retirar o para-brisas e, às vezes, o painel inteiro.

5. Carburador e Vazamentos

O motor OHC da GM é excelente, mas tem manias.

  • Carburador: Seja Solex H34 ou Weber 460, eles costumam empenar a base e dar entrada falsa de ar. O carro fica falhando na lenta e gastando muito.
  • Vazamentos de Óleo: O retentor do comando de válvulas e a junta da tampa de válvulas (que é de cortiça original) vazam com frequência, melando todo o motor.

Conclusão: Um Clássico que Exige Carinho

  • Veredito: O Chevette é uma escola de mecânica. Se a estrutura (longarinas e túnel) estiver boa, o resto você arruma.
  • Dica de Compra: Leve um ímã embrulhado numa flanela. Passe na bandeja da bateria, nas caixas de roda traseiras e na parte inferior das portas. Se o ímã não grudar, tem massa plástica (fubá) escondendo a ferrugem.
  • Ouro: Prefira os modelos 1.6/S (1988 a 1993), que têm motor mais forte, câmbio de 5 marchas (em sua maioria) e carburador de corpo duplo, tornando o carro muito mais utilizável no trânsito moderno.
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