O Chevrolet Opala (fabricado de 1968 a 1992) é um clássico absoluto. Seja nas versões Gran Luxo, Comodoro ou no desejado Diplomata, ele é o sonho de consumo de quem busca a experiência do “velho mundo” automotivo: tração traseira, motores grandes e suspensão macia.
No entanto, manter um Opala rodando perfeitamente em 2026 não é barato. Além da idade, o modelo sofre de problemas estruturais e mecânicos crônicos que, se ignorados na compra, podem exigir uma restauração completa que custa três vezes o valor do carro.
Se você quer entrar para o clube do Opala, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.
1. O “Câncer” Estrutural: Trincas na Longarina (Caixa de Direção)
Este é o problema mais grave, famoso e perigoso do Opala. É o primeiro lugar que você deve olhar.
- O Sintoma: A direção fica “boba”, estala ao esterçar e, ao olhar o cofre do motor enquanto alguém vira o volante, você vê a caixa de direção se mexendo.
- A Causa Real: A caixa de direção é fixada diretamente na longarina dianteira esquerda. Com o peso do motor (especialmente o 6 cilindros) e o esforço da direção hidráulica ao longo de décadas, a chapa da longarina fadiga e rasga.
- O Risco: A caixa de direção pode se soltar com o carro em movimento.
- A Solução: Solda MIG e reforço estrutural (conhecido como “bacalhau”). É um serviço de funilaria e mecânica que deve ser muito bem feito para não comprometer o alinhamento do carro.
2. Diferencial “Cantador” (Dana ou Braseixos)
O ruído de diferencial é quase uma trilha sonora do Opala, mas indica desgaste.
- O Sintoma: Um zumbido ou ronco (“uooooo”) vindo da traseira que aumenta com a velocidade e muda de tom quando você tira o pé do acelerador.
- A Causa Real: Desgaste natural ou falta de óleo nos dentes da coroa e do pinhão do diferencial (seja ele Dana ou Braseixos). Folgas nos rolamentos também contribuem.
- A Solução: O ajuste de diferencial é uma arte perdida. A maioria dos mecânicos recomenda a troca do conjunto de coroa e pinhão ou a substituição do eixo traseiro completo (muitos adaptam o Dana 44 do Maverick ou da F-1000 em projetos de performance).
3. Superaquecimento (O “Ferver” do 6 Cilindros)
O motor 4.1 (250 ou 250-S) gera muito calor, e o sistema original sofre no trânsito moderno.
- O Sintoma: O ponteiro da temperatura vai para o vermelho em engarrafamentos, a água ferve e vaza pela tampa do radiador.
- A Causa Real: O sistema de arrefecimento original (com hélice mecânica ou viscosa) era dimensionado para o trânsito dos anos 70. Radiadores de cobre antigos entupidos e a polia viscosa travada (ou solta) são os vilões.
- A Solução: Upgrade. Instalação de uma ventoinha elétrica moderna e, se possível, um radiador de alumínio de alta performance.
4. Carburador “Empenado” (Solex H34 e 3E)
Manter a marcha lenta de um Opala original é um desafio.
- O Sintoma: O carro oscila na lenta, morre fácil, cheira a gasolina crua e tem um “buraco” na aceleração.
- A Causa Real: Os carburadores originais (principalmente o Solex H34 e os Brosol 2E/3E) sofrem com o calor do motor. A base do carburador empena, criando entradas falsas de ar que tornam a regulagem impossível.
- A Solução: Plainar a base do carburador ou, para quem busca paz de espírito (e performance), instalar um carburador moderno (como uma Weber 40 réplica) ou um sistema de injeção eletrônica programável (FuelTech/Pandoo).
5. Ferrugem nas “Churrasqueiras” e Portas
Como todo carro antigo, a corrosão é inimiga, mas o Opala tem seus pontos fracos.
- O Sintoma: Bolhas na pintura na base do para-brisa e no canto inferior das portas.
- A Causa Real: A grelha de ventilação abaixo do para-brisa (churrasqueira) acumula folhas e terra, entupindo os drenos. A água empoça e apodrece a parede corta-fogo e as colunas A.
- A Solução: Funilaria complexa. Um Opala com a “churrasqueira” podre exige a desmontagem do painel e do para-brisa para o reparo.
Conclusão: Um Clássico que Exige Paixão (e Dinheiro)
O Chevrolet Opala é um carro maravilhoso de guiar, mas não se iluda: ele é um carro antigo.
Comprar um Opala barato (abaixo do preço de mercado) geralmente significa comprar um carro com a longarina trincada e o motor cansado. A regra de ouro é: verifique a estrutura (longarinas) antes de qualquer coisa. Motor e câmbio se arrumam fácil; carroceria torta é casamento eterno.






