O Fiat Argo (lançado em 2017) é um pilar do sucesso da Fiat no Brasil, figurando constantemente na lista dos carros mais vendidos. É um projeto moderno, com uma plataforma segura e os eficientes motores Firefly. No entanto, como todo veículo de altíssimo volume de produção, seus anos de convivência nas ruas brasileiras revelaram um conjunto de problemas crônicos e queixas recorrentes.
A boa notícia é que a maioria esmagadora das reclamações não está ligada a defeitos mecânicos graves que deixam o motorista na mão, mas sim a questões de conforto, acabamento e características de projeto que podem irritar no dia a dia.
Se você é proprietário ou está de olho em um Argo usado, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.
1. O “Festival de Grilos” (Ruídos Internos)
Este é, de longe, o problema crônico número um e a maior queixa dos proprietários, especialmente nos modelos pré-reestilização (2017-2023).
- O Sintoma: Um “nhec-nhec” ou “tec-tec” constante de plásticos vibrando, que parecem vir do painel central (próximo à multimídia), dos forros de porta e da região do porta-luvas.
- A Causa: É uma característica de projeto focada na redução de custos. O interior do Argo é 100% montado com plásticos rígidos (duros). Com a vibração natural do carro e a má qualidade do asfalto brasileiro, essas peças atritam entre si, gerando os ruídos.
- A Solução: Reclamação na concessionária (para reaperto, na garantia) ou o serviço de “caça-grilos”, onde um profissional aplica fitas de feltro e espuma nos pontos de contato.
2. A Famosa “Batida de Pino” (Motores 1.0 e 1.3 Firefly)
Este é um problema técnico que assustou muitos dos primeiros proprietários dos motores Firefly.
- O Sintoma: Um barulho metálico, como uma “máquina de costura” ou “rajada” (tec-tec-tec), que aparece em acelerações leves, especialmente com o carro em baixa rotação e abastecido com etanol.
- A Causa: Não se trata de uma “batida de pino” (detonação) perigosa, mas de um ruído de pré-ignição (LSPI). A causa principal era uma calibração de software muito agressiva da injeção eletrônica, que tentava otimizar o consumo ao máximo.
- A Solução: A Fiat reconheceu o problema e lançou diversas atualizações de software (ECU) ao longo dos anos. Ao comprar um usado (especialmente 2017-2019), é fundamental verificar em uma concessionária se o carro está com a última versão do software do motor instalada.
3. Consumo de Óleo (Motor 1.8 E.torQ – Versão HGT)
Este problema é específico das versões topo de linha HGT (2017-2021), equipadas com o motor 1.8 E.torQ.
- O Sintoma: O nível do óleo baixa visivelmente no período entre as trocas, exigindo que o proprietário complete o cárter.
- A Causa: É uma característica de projeto da família de motores E.torQ, e não necessariamente um defeito. O design dos anéis de pistão permite uma passagem de óleo maior que a média, que é queimado na combustão. O manual do proprietário, inclusive, prevê esse consumo.
- A Solução: Não é um “defeito” a ser consertado, mas uma característica a ser gerenciada. O proprietário deve verificar o nível do óleo com frequência (a cada 1.000 km, por exemplo) e completar com o óleo de especificação correta (5W-30 sintético) quando necessário.
4. Falhas no Sistema Start-Stop
O sistema Start-Stop, que desliga o motor no semáforo para economizar combustível (presente nos motores Firefly 1.3), é uma fonte comum de queixas.
- O Sintoma: O sistema para de funcionar (o motor não desliga mais no semáforo) ou, em casos piores, desliga o carro e demora a religar, causando um “susto” no trânsito.
- A Causa: A causa número um é a bateria. O Start-Stop exige uma bateria especial (AGM ou EFB), que é muito mais cara que a comum. Quando essa bateria começa a perder sua eficiência (o que é normal após 2 ou 3 anos de uso), o primeiro sistema que o carro “desliga” para poupar energia é o Start-Stop.
- A Solução: A troca da bateria. Muitos proprietários se assustam com o custo (que pode passar de R$ 1.000) e optam por simplesmente desligar o sistema no botão do painel a cada partida.
5. Barulhos na Suspensão Dianteira
Uma queixa recorrente, embora menos comum que no Onix G1, são os ruídos na suspensão dianteira.
- O Sintoma: Um “toc-toc” ou pancada seca ao passar em buracos, valetas ou lombadas.
- A Causa: Desgaste prematuro de componentes da suspensão, sendo as bieletas (links da barra estabilizadora) e as buchas da barra estabilizadora as principais suspeitas.
- A Solução: A troca dos componentes. É um reparo relativamente simples e de custo baixo, mas que incomoda bastante no dia a dia.
Um Carro Confiável, Mas com Foco no Custo
O Fiat Argo é um projeto moderno e muito confiável, especialmente em suas motorizações Firefly (1.0 e 1.3), que utilizam corrente de comando e são de manutenção simples.
Seus problemas crônicos mais relatados afetam o conforto (ruídos internos, suspensão) e a experiência de uso (Start-Stop, batida de pino), reflexos claros das escolhas de custo da montadora para manter o carro competitivo.
Ao comprar um usado, faça um test drive em uma rua esburacada: ela será seu melhor diagnóstico para o nível de ruídos da cabine e da suspensão.






