O Fiat Linea (fabricado de 2008 a 2016) é um sedã que oferece muito por pouco dinheiro. Com um design elegante, porta-malas de 500 litros e itens de luxo para a época, ele parece um excelente negócio.
No entanto, o Linea carrega um histórico de problemas crônicos ligados à sua complexidade e às trocas de motorização que a Fiat fez ao longo da vida do carro. Ele começou com um motor 1.9 (que virou “mico”), passou para o 1.8 E.torQ e teve a versão esportiva T-Jet.
Se você está de olho em um Linea usado, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar para não comprar uma dor de cabeça.
1. O “Mico” de Peças: Motor 1.9 16V (2008-2010)
Este é o maior alerta para quem busca os primeiros modelos (versões HLX, Absolute e LX).
- O Sintoma: O carro funciona bem, mas quando você precisa de uma peça simples do motor (juntas, pistões, sensores específicos), você não encontra ou o preço é absurdo.
- A Causa Real: O motor 1.9 16V (que na verdade tem 1.839 cm³) foi importado da Argentina e usado por pouquíssimo tempo no Brasil. Ele NÃO É o motor GM e NÃO É o motor E.torQ. É um motor “órfão”.
- A Solução: Evite essa versão. Prefira os modelos a partir de 2011 (com motor E.torQ 1.8) ou o T-Jet (que, embora caro, tem peças compartilhadas com Punto e Bravo).
2. O Pesadelo do Câmbio Dualogic
Assim como no Stilo e no Punto, o câmbio automatizado Dualogic é o “calcanhar de Aquiles” do Linea.
- O Sintoma: Trancos nas trocas, marchas que não entram, o carro cai para o Neutro (N) sozinho e a luz de avaria do câmbio acende.
- A Causa Real: Falhas no robô eletro-hidráulico (vazamentos, perda de pressão no acumulador ou falha nas eletroválvulas).
- A Solução: O reparo completo do robô custa caro (acima de R$ 5.000). Se o orçamento permitir, procure um Linea com câmbio manual. Se fizer questão do automático, saiba que terá que manter uma reserva financeira para o Dualogic.
3. Pane no Blue&Me (Hodômetro Piscando)
O Linea foi pioneiro no sistema de conectividade Blue&Me (parceria com a Microsoft), mas ele envelheceu mal.
- O Sintoma: O hodômetro total (quilometragem) no painel fica piscando constantemente. Além disso, o Bluetooth para de funcionar e a entrada USB no porta-luvas morre.
- A Causa Real: O módulo do Blue&Me queima ou entra em curto. Como ele faz parte da Rede CAN do carro, a falha de comunicação faz o painel piscar (indicando erro de alinhamento de proxy).
- A Solução: A troca do módulo Blue&Me é caríssima. A solução mais comum é fazer um “alinhamento de proxy” via scanner para parar de piscar, mas o Bluetooth continuará morto.
4. Trincas na Carcaça da Turbina (Versão T-Jet)
O Linea T-Jet (1.4 Turbo) é a versão mais desejada e divertida, mas exige inspeção minuciosa.
- O Sintoma: Cheiro de gás de escape no cofre do motor, perda de potência em alta rotação e ruído de vazamento.
- A Causa Real: A carcaça quente da turbina original tende a trincar com os ciclos de calor, especialmente se o dono anterior desligava o carro imediatamente após acelerar forte (sem deixar a turbina esfriar).
- A Solução: Troca da carcaça ou da turbina completa. É uma manutenção de custo elevado.
5. Suspensão e Coxins (Desgaste Prematuro)
O Linea usa a plataforma do Punto “esticada”. É um carro pesado para a suspensão que tem.
- O Sintoma: Barulhos de “toc-toc” na dianteira e vibração excessiva em marcha lenta.
- A Causa Real: As buchas de bandeja e bieletas sofrem com o peso do carro. Além disso, o coxim superior do motor (lado direito) estoura com frequência, passando toda a vibração do motor para a cabine.
- A Solução: Troca dos componentes. Use coxins originais ou de primeira linha, pois os paralelos baratos não filtram a vibração.
Conclusão: Um Sedã Confortável, Se Escolhido a Dedo
O Fiat Linea é um carro extremamente confortável e com ótimo espaço interno.
Para fazer um bom negócio, a regra é clara: prefira os modelos 2011 em diante (Motor E.torQ 1.8 16V) com câmbio Manual. Essa configuração foge do “mico” do motor 1.9 argentino e do pesadelo do câmbio Dualogic, entregando um sedã robusto e confiável.






