O Fiat Mobi (fabricado de 2016 até hoje) é o “guerreiro urbano” da Fiat, projetado com uma única missão: ser o carro mais barato de se comprar e manter no Brasil. Ele é, em essência, uma versão mais compacta e simplificada da plataforma do Novo Uno.
No entanto, como acontece com todo projeto focado no custo extremo, seus anos de estrada revelaram um padrão de problemas crônicos e queixas recorrentes. É crucial saber que o Mobi usou dois motores diferentes: o antigo 1.0 4 cilindros Fire Evo (até 2020) e o moderno 1.0 3 cilindros Firefly (de 2017 em diante).
Se você tem ou está de olho em um Mobi usado, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.
1. O Pesadelo: Fuga do Câmbio Automatizado (GSR / Dualogic)
Este é, de longe, o maior, mais caro e mais famoso problema crônico do modelo. É o ponto de atenção número um.
- O Sintoma: Trancos violentos nas trocas de marcha, a luz de “avaria no câmbio” acende, o “N” (Neutro) fica piscando no painel e, no pior cenário, o carro se recusa a engatar as marchas, parando no meio do trânsito.
- A Causa Real: O sistema GSR (o nome novo do Dualogic) não é um câmbio automático. É um câmbio manual com um robô hidráulico que faz o papel da embreagem e das trocas. Esse robô é complexo, seus atuadores e o acumulador de pressão falham.
- A Solução: O reparo do robô e da bomba do sistema pode facilmente ultrapassar os R$ 5.000. A recomendação da maioria dos especialistas é unânime: FUJA das versões GSR. Procure sempre o câmbio manual.
2. A Tampa do Porta-Malas de Vidro (O Risco da Quebra)
O que era o charme do design do Mobi (inspirado no VW Up!) se tornou um problema crônico de custo e fragilidade.
- O Sintoma: A tampa traseira, que é uma peça única de vidro temperado, se estilhaça com pequenas batidas ou até mesmo ao ser fechada com mais força.
- A Causa Real: O vidro temperado é muito forte contra impactos frontais, mas extremamente frágil em seus cantos (quinas). Uma pequena batida de canto de portão de garagem ou um impacto de uma moto pode fazer a peça inteira explodir em milhares de pedaços.
- A Solução: O custo da troca é altíssimo, muitas vezes passando de R$ 2.500 (peça + mão de obra), o que é um valor desproporcional para um carro popular. Ao comprar um usado, verifique se a tampa é original e se o seguro cobre este item especificamente.
3. O “Show de Plástico” (Ruídos Internos Crônicos)
Esta é a queixa de 10 em cada 10 proprietários de Mobi. O carro é, por natureza, “barulhento” por dentro.
- O Sintoma: Um “festival de grilos”. Ruídos constantes de plástico vibrando, especialmente em pisos irregulares. Os barulhos vêm do painel, dos forros de porta e da tampa do porta-malas.
- A Causa Real: Projeto focado 100% no baixo custo. Todo o acabamento interno é feito de plástico rígido (duro), com encaixes simples que atritam entre si com a vibração do motor e o asfalto brasileiro.
- A Solução: Aumentar o volume do rádio ou investir em um serviço de “caça-grilos” (aplicação de fitas de feltro).
4. “Batida de Pino” (Motores 1.0 Firefly 3-cyl / Pós-2017)
Este problema é específico das versões mais novas (Way, Drive), equipadas com o moderno motor 1.0 de 3 cilindros.
- O Sintoma: Um barulho metálico, como uma “máquina de costura” ou “rajada” (tec-tec-tec), que aparece em acelerações leves, especialmente com o carro em baixa rotação e abastecido com etanol.
- A Causa Real: Não é uma “batida de pino” (detonação) perigosa, mas um ruído de pré-ignição (LSPI). A causa principal era uma calibração de software muito agressiva da injeção eletrônica.
- A Solução: A Fiat lançou atualizações de software (ECU) para corrigir essa calibração. Ao comprar um usado, é fundamental verificar em uma concessionária se o carro está com a última versão do software do motor instalada.
5. Vazamentos no Arrefecimento (Motores 1.0 Fire Evo 4-cyl / 2016-2020)
Este problema é crônico das versões de entrada (Easy, Like) equipadas com o motor Fire antigo.
- O Sintoma: O nível do líquido de arrefecimento (água do radiador) baixa constantemente; cheiro de aditivo queimado vindo do motor; ou, no pior caso, superaquecimento.
- A Causa Real: O “calcanhar de Aquiles” crônico do motor Fire: a carcaça da válvula termostática. Ela é feita de plástico e, com o tempo e o calor, resseca, trinca e começa a vazar.
- A Solução: Manutenção preventiva. A troca da carcaça de plástico por uma de alumínio (facilmente encontrada no mercado de reposição) resolve o problema definitivamente.
Conclusão: Um Carro Confiável, Desde que Você Escolha Certo
O Fiat Mobi é um projeto robusto em sua essência (os motores Fire Evo e Firefly são ótimos). No entanto, seus problemas crônicos estão ligados às escolhas de corte de custo (acabamento e tampa de vidro) e a tecnologias que não envelheceram bem (GSR).
A regra de ouro ao comprar um Mobi usado é simples: vá de câmbio manual e verifique se a tampa de vidro não está trincada.






