O Ford Ka (geração Mk1 e Mk2, fabricados de 1997 a 2007) revolucionou o mercado de compactos. Pequeno por fora, surpreendentemente espaçoso por dentro e muito divertido de guiar. Ele é uma das opções mais baratas e racionais para quem busca o primeiro carro ou um veículo urbano ágil.
Porém, o Ka é um carro que não tolera descaso com a temperatura. Seu sistema de arrefecimento tem componentes plásticos frágeis que, se falharem, levam o motor para a retífica em minutos. Além disso, a versão com motor Endura (1997-1999) tem peças cada vez mais raras.
Se você está de olho em um “Ka Baratinha”, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.
1. A Válvula do Ar Quente (O Vazamento “Escondido”)
Este é o defeito crônico número 1 de todos os Fords dessa época (Ka, Fiesta, Courier).
- O Sintoma: O nível da água baixa constantemente, o carpete do motorista ou passageiro fica molhado (ou com cheiro de aditivo) e o ar-condicionado para de gelar corretamente.
- A Causa Real: A válvula de controle do ar quente (localizada na “churrasqueira”, perto do para-brisa) é feita de plástico. Com o calor, ela resseca, trinca e vaza água. Pior: ela costuma travar aberta, misturando ar quente com o ar-condicionado, fazendo o sistema perder eficiência.
- A Solução: Troca da válvula. Muitos donos, para economizar, isolam o ar quente, o que resolve o vazamento mas tira o conforto no inverno. Verifique se o sistema ainda está ativo.
2. Carcaça da Válvula Termostática (Superaquecimento)
O motor Zetec Rocam é excelente, mas seu ponto fraco é o plástico.
- O Sintoma: Vazamento de água visível no bloco do motor e superaquecimento repentino.
- A Causa Real: A carcaça da válvula termostática (o cavalete d’água) original é de plástico. Ela empena ou trinca com facilidade após alguns anos de uso.
- A Solução: Troca da peça. A recomendação de ouro é substituir o conjunto plástico por um paralelo de alumínio. A peça de alumínio é eterna e resolve o problema de vazamento crônico do Rocam para sempre.
3. Atuador de Marcha Lenta (O Carro “Morre”)
Um defeito irritante que afeta a dirigibilidade urbana.
- O Sintoma: O carro não segura a marcha lenta. Ao parar no semáforo ou pisar na embreagem para trocar de marcha, o giro cai muito rápido e o motor apaga. Às vezes, fica acelerado sozinho.
- A Causa Real: Sujeira ou falha no Atuador de Marcha Lenta (IAC) ou no sensor de posição da borboleta (TPS). No motor Endura, isso é ainda mais comum.
- A Solução: Limpeza do TBI e do atuador. Se não resolver, troca da peça (prefira Magneti Marelli ou original, peças baratas não funcionam bem).
4. Suspensão Dianteira (Buchas de Bandeja)
O Ka é estável como um kart, mas sua suspensão sofre no Brasil.
- O Sintoma: Barulhos de “nhec-nhec” ao passar em lombadas e batidas secas em buracos.
- A Causa Real: As buchas das bandejas dianteiras se desgastam muito rápido. O design da suspensão do Ka exige muito dessas borrachas.
- A Solução: Troca das buchas ou das bandejas completas.
5. Ferrugem no Bocal do Tanque e Assoalho
Um problema estrutural que afeta os modelos mais antigos (especialmente pré-2002).
- O Sintoma: Cheiro de gasolina dentro do carro ou bolhas na pintura ao redor da portinhola do tanque.
- A Causa Real: Acúmulo de barro e umidade na caixa de roda traseira, que apodrece a lata ao redor do bocal de abastecimento. A água também pode infiltrar pelo assoalho se as borrachas de vedação estiverem velhas.
- A Solução: Funilaria. Ao comprar, olhe por baixo do para-lama traseiro direito. Se estiver “podre”, o reparo é chato e perigoso (perto do tanque).
Conclusão: Rocam é a Melhor Escolha
O Ford Ka (1997-2007) é um carro valente e barato de manter.
Para evitar dores de cabeça, a dica é: prefira os modelos com motor Zetec Rocam (a partir do ano 2000). O motor Endura (antigo) é fraco e as peças estão sumindo do mercado. No Rocam, basta trocar a carcaça da termostática por uma de alumínio e verificar a válvula do ar quente para ter um tanque de guerra urbano.






