O Novo Territory (modelo 2024 em diante) usa o motor 1.5 EcoBoost de ciclo Otto (169 cv), muito superior ao antigo ciclo Miller. O câmbio agora é um automatizado de dupla embreagem (DCT) de 7 marchas banhado a óleo. O conjunto é robusto, mas a periferia do carro tem seus caprichos.
1. Multimídia e “Tela Preta” (O Defeito nº 1)
(Recall e Falhas de Software)
A tela gigante que une painel e multimídia é linda, mas instável.
- O Problema: A tela central apaga do nada, trava ou, pior, exibe uma tela preta ao engatar a ré (deixando você sem câmera de manobra).
- A Causa: Falha de software no módulo de processamento de imagem.
- O Recall: A Ford já emitiu comunicados e recalls (para modelos 2024) para atualização de software.
- O Teste: Ao testar o carro, conecte o CarPlay/Android Auto sem fio e engate a ré várias vezes. Se a imagem piscar ou demorar para entrar, o módulo precisa de atualização ou troca.
2. Consumo Urbano (O “Bebedor” de Gasolina)
Apesar da Ford prometer melhorias, o Territory é um SUV pesado (quase 1.700 kg) e só bebe Gasolina.
- A Realidade: Em trânsito pesado de capitais (anda-e-para), donos relatam médias de 5,5 a 6,5 km/l.
- O Contraste: Na estrada ele é excelente, fazendo até 12 km/l graças à 7ª marcha longa. Mas se você rodar só na cidade, prepare o bolso. O tanque de 60 litros dura pouco no uso urbano.
3. Suspensão “Batida Seca”
A Ford recalibrou a suspensão para o Brasil, mas ela ainda sofre em buracos.
- O Sintoma: Ao passar em lombadas ou buracos cortantes, a suspensão dianteira dá um fim de curso barulhento (“PÁ!”), como se não tivesse amortecimento.
- Ruídos: Com menos de 10.000 km, é comum aparecerem rangidos nas buchas da barra estabilizadora e nos coxins dos amortecedores. O isolamento acústico do carro é ótimo, o que faz qualquer barulho de suspensão parecer mais alto do que é.
4. Vibração em Baixa Velocidade (Câmbio DCT)
O câmbio de dupla embreagem é rápido, mas tem características que alguns confundem com defeito.
- O Relato: Ao rodar devagar (entre 10 e 15 km/h) em engarrafamentos ou manobras, sente-se uma vibração no assoalho ou estalos metálicos leves.
- A Causa: É o acoplamento das embreagens (banhadas a óleo). Em situações de “quase parando”, o sistema fica indeciso entre abrir a embreagem ou manter engatado. Embora incômodo, muitas vezes é característica do projeto, mas vale checar se há atualização de software do câmbio (TCM).
5. Falhas nos Sensores (ADAS e Câmeras)
O excesso de tecnologia traz falsos alertas.
- Câmera do Para-brisa: Há relatos de embaçamento da lente da câmera frontal (que controla a frenagem autônoma e faixa), gerando avisos de “Câmera Bloqueada” no painel em dias de chuva ou frio.
- Frenagem Fantasma: O sistema de pré-colisão pode ser intrusivo demais, apitando ou freando bruscamente por causa de sombras ou carros estacionados em curvas. Geralmente resolve ajustando a sensibilidade no menu.
6. Acabamento Sensível
Apesar de luxuoso, alguns materiais não aguentam o uso severo.
- Plásticos do Porta-Malas: As laterais do porta-malas riscam com muita facilidade (basta colocar uma mala rígida).
- Bomba do Esguicho: Relatos prematuros de queima da bomba do limpador de para-brisa em carros com baixa quilometragem.
Conclusão: Nave com Ressalvas
- Veredito: O Novo Territory (2024+) é, sem dúvida, o melhor custo-benefício da categoria em espaço e luxo. Ele entrega mais que o Compass pelo mesmo preço.
- A Compra Segura: Exija o comprovante de que o Recall da Multimídia foi feito.
- Atenção: Se você roda 100% na cidade e se incomoda com consumo alto, ele pode não ser o carro ideal. Mas para estrada e conforto de família, é imbatível se a suspensão estiver revisada.







