O GWM Tank 300 (2025–2026) chega ao mercado brasileiro com uma proposta bastante ousada: unir a robustez bruta de um utilitário off-road raiz com a eficiência térmica de um sistema híbrido plug-in (PHEV). Longe de ser apenas um crossover de passeio com um visual “maquiado” ou um mero facelift urbano, ele inaugura no país a verdadeira Plataforma Tank, uma arquitetura estrutural raiz montada sobre chassi de longarinas.
Contudo, a engenharia de combinar baterias de alta tensão, motores elétricos e um sistema 4×4 mecânico tradicional em um veículo extremamente pesado traz os seus próprios desafios. Se você pretende colocar esse “tanque” na sua garagem para encarar o asfalto brasileiro e as trilhas de fim de semana, conheça os pontos crônicos de atenção inerentes a esta geração estrutural.
1. O Peso Extremo e a Dinâmica de Carroceria
O principal desafio estrutural do Tank 300 no Brasil é a física. Ao unir a construção pesada de chassi de longarina (típica de picapes médias) com um generoso pacote de baterias do sistema híbrido, o veículo atinge um peso em ordem de marcha que beira as 2,5 toneladas.
- Rolagem da Carroceria: Essa massa colossal, aliada ao centro de gravidade alto e ao acerto de suspensão focado em curso off-road, faz com que a carroceria role consideravelmente em curvas de rodovias ou em desvios bruscos de trajetória. Ele não possui a dinâmica afiada de SUVs monobloco (como o próprio Haval H6).
- Desgaste de Freios: Devido ao peso massivo, os proprietários que rodam de forma mais agressiva ou em serras acentuadas costumam relatar o desgaste prematuro de pastilhas e discos de freio, mesmo com o auxílio do freio regenerativo elétrico.
2. Comportamento da Transmissão 9HAT em Baixa Velocidade
O modelo que veio para o Brasil utiliza a complexa transmissão automática de 9 marchas (9HAT), projetada especificamente para acoplar o motor 2.0 turbo a combustão ao potente motor elétrico integrado.
- Trancos e Hesitação: Em uso urbano de trânsito pesado (“anda e para”), a transição entre o motor elétrico e a entrada repentina do motor a combustão pode gerar pequenos trancos e solavancos. O software de gerenciamento da transmissão às vezes “hesita” sobre qual marcha engatar quando o motorista pisa e solta o acelerador rapidamente, tirando parte da fluidez que se espera de um veículo híbrido premium.
3. O “Calcanhar de Aquiles”: Bateria Descarregada (Modo HEV)
Enquanto a bateria de alta tensão possui carga, o Tank 300 é um monstro de força e economia. O problema crônico, típico de SUVs PHEV muito pesados, surge quando essa bateria chega ao nível mínimo de reserva.
- Queda de Desempenho e Consumo Alto: Quando os motores elétricos deixam de tracionar com força total e a responsabilidade cai quase inteiramente sobre o motor 2.0 Turbo a combustão (que precisa carregar as 2,5 toneladas do jipe), o comportamento do carro muda drasticamente. O motor a combustão passa a trabalhar em altas rotações, o que eleva consideravelmente o nível de ruído na cabine e faz o consumo de gasolina despencar, frequentemente registrando marcas inferiores a 7 km/l na cidade nessa condição específica.
4. Calibração do ADAS e Software Intrusivo
Assim como ocorreu nas primeiras gerações de outros modelos da GWM trazidos ao Brasil, a calibração do pacote de assistência à condução (ADAS) exige paciência.
- Assistente de Faixa Violento: O sistema de manutenção corretiva em faixa costuma ser excessivamente intrusivo nas ruas mal sinalizadas do Brasil, “puxando” o volante com força em momentos inoportunos.
- Alertas Sonoros Constantes: O monitor de fadiga e atenção do motorista dispara bipes sonoros constantemente se o condutor desviar o olhar para a central multimídia ou olhar para os espelhos retrovisores por mais de três segundos, forçando muitos donos a desativarem a função toda vez que ligam o carro.
Pontos de Atenção (GWM Tank 300)
| Sistema / Componente | O Problema Crônico ou Característica | Consequência Prática |
| Dinâmica e Chassi | Peso excessivo (longarina + baterias PHEV) | Rolagem forte em curvas e desgaste acelerado das pastilhas de freio. |
| Transmissão (9HAT) | Hesitação no acoplamento híbrido | Pequenos trancos no trânsito urbano pesado. |
| Eficiência (Bateria Zero) | Motor 2.0T sobrecarregado sem o auxílio elétrico | Aumento drástico do consumo de combustível e perda de agilidade. |
| Eletrônica (ADAS) | Calibração de sensores excessivamente sensível | Alertas sonoros irritantes e correções bruscas no volante em vias urbanas. |
Uma Máquina Específica Para Um Público Específico
O GWM Tank 300 (2025–2026) não apresenta falhas mecânicas que desabonem a sua proposta estrutural. Pelo contrário, sua plataforma de longarina o torna um dos híbridos mais robustos já lançados em solo brasileiro.
A maior parte dos seus “problemas” advém de donos que compram o veículo esperando o comportamento dócil, a leveza e a dinâmica de um SUV de shopping (monobloco). O Tank 300 exige que o proprietário compreenda sua física: é um jipe pesado, focado em superar obstáculos, que brilha quando tem a bateria devidamente recarregada na tomada, mas que cobrará o preço na bomba de combustível e na agilidade urbana se for utilizado exclusivamente com o motor a combustão.






