O Creta G1 foi vendido com motores 1.6 Gamma (130 cv) e 2.0 Nu (166 cv). Ambos são confiáveis, mas o motor 2.0 exige atenção redobrada com um defeito que pode fundir o motor silenciosamente.
1. Pintura Descascando (O “Efeito Dálmata”)
Este é o defeito mais visível e revoltante dos proprietários.
- O Problema: Um defeito na aplicação do fundo (primer) na fábrica faz a tinta soltar em placas, como se fosse um adesivo velho.
- Cores Afetadas: Principalmente a cor Branca (White Polar) e, em menor escala, a Prata.
- Onde: Começa no teto, capô e tampa do porta-malas (áreas horizontais expostas ao sol), mas se espalha pelas colunas e portas.
- A Solução: Pintura completa da peça. A Hyundai chegou a estender a garantia de pintura em alguns casos, mas muitos donos tiveram que arcar com o prejuízo na revenda.
2. Catalisador Desintegrando (Perigo no Motor 2.0)
O motor 2.0 (Nu) tem um problema grave no sistema de exaustão.
- O Defeito: A cerâmica interna do catalisador se quebra e esfarela prematuramente.
- O Risco Fatal: Devido à contrapressão do escape, o pó de cerâmica pode ser sugado de volta para dentro dos cilindros do motor. Isso age como uma lixa, riscando as camisas e fazendo o motor fumar e baixar óleo.
- Sintoma: Luz da injeção acesa, perda de potência (carro amarrado) e barulho de “algo solto” no escapamento ao dar pancadinhas no catalisador.
3. Direção Elétrica (Estalos e Folgas)
A direção elétrica do Creta é leve e precisa, mas sofre em nossas ruas.
- O Problema: Desgaste prematuro da bucha de acoplamento do motor elétrico (a famosa “estrelinha” de borracha) ou folga no próprio mecanismo da coluna.
- O Sintoma: Barulhos do tipo “toc-toc” ao passar em paralelepípedos ou ao esterçar o volante parado.
- Custo: A troca da bucha é barata (mão de obra trabalhosa), mas se a folga for na caixa ou na coluna, o reparo passa de R$ 2.000,00.
4. Sistema Start-Stop (Versão Prestige 2.0)
A versão topo de linha Prestige vinha com o sistema que desliga o motor no semáforo.
- A Queixa: O sistema “para de funcionar” com frequência.
- A Causa: Não é exatamente um defeito, mas uma característica sensível. O sistema só funciona se a bateria estiver com carga acima de 70% e o sensor de bateria (IBS) calibrado. Baterias comuns não aguentam.
- O Custo: A bateria para carros com Start-Stop é do tipo EFB ou AGM, que custa o dobro de uma bateria comum (cerca de R$ 1.000,00 a R$ 1.500,00). Muitos donos colocam bateria comum e perdem a função.
5. Dificuldade na Partida a Frio (Flex)
O Creta (especialmente o 1.6) tem um sistema de partida a frio sem tanquinho, que aquece o combustível nos bicos.
- O Problema: Em dias frios, se estiver abastecido com etanol, o carro falha na primeira partida (“pega e morre” várias vezes) ou demora muito a pegar.
- Solução: Manter sempre o software da injeção atualizado na concessionária e usar gasolina de boa qualidade misturada ao etanol no inverno.
6. Arrefecimento e Infiltração
- Portas Cheias de Água: Os drenos das portas entopem com sujeira, e você ouve barulho de água chacoalhando dentro da porta ao frear.
- Freio Duro (Recall): Houve um recall para atualização do software do motor, pois o vácuo do freio poderia falhar na partida a frio, deixando o pedal duro momentaneamente. Verifique se foi feito.
Conclusão: Racionalidade x Potência
- Veredito: O Creta 1.6 Automático (versão Pulse Plus ou Smart) é a compra mais racional. O motor 1.6 é mais simples, não tem o problema crônico do catalisador do 2.0 e a manutenção é mais barata.
- Evite: Unidades na cor Branca que nunca foram repintadas (é uma bomba-relógio estética).
- Atenção no 2.0: Se for comprar o 2.0, leve num mecânico para passar o scanner e verificar a eficiência do catalisador. Se tiver luz de injeção acesa, fuja, pois o motor pode já estar comprometido.






