O Peugeot 206 (fabricado no Brasil de 1999 a 2008, e depois “transformado” no 207) é um carro que envelheceu como um clássico. Seu design arrojado e sua ótima dirigibilidade ainda conquistam fãs. Hoje, é um dos carros mais baratos de se comprar no mercado de usados.
No entanto, há um motivo para seu preço ser tão baixo. O “leãozinho” é conhecido por uma lista de problemas crônicos que são verdadeiras “bombas-relógio” de manutenção. Se você tem ou está de olho em um 206, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar antes de fechar negócio.
1. O “Pesadelo”: O Eixo Traseiro (A Roda Aberta)
Este é, de longe, o maior, mais caro e mais famoso problema crônico do Peugeot 206.
- O Sintoma: A roda traseira começa a ficar “aberta” (ganhando cambagem negativa), “comendo” o pneu por dentro. Em casos avançados, o pneu começa a raspar na caixa de roda e a traseira bate seco, como se estivesse sem amortecedor.
- A Causa Real: É uma falha de projeto crônica. O eixo traseiro é de torção, mas utiliza rolamentos de agulha (rolimãs) nos braços. Esses rolamentos perdem a vedação, a graxa vaza, a água entra e eles enferrujam. Os rolamentos travados “comem” o eixo, criando uma folga catastrófica.
- A Solução: É um reparo caro. Se a folga for descoberta no início, a troca dos rolamentos (um serviço de R$ 800) resolve. Se o eixo já foi danificado, a solução é o “embuchamento” do eixo ou a troca da peça inteira. O reparo completo pode variar de R$ 2.000 a R$ 4.000.
2. O Câmbio Automático (AL4 / DP0)
Se o 206 que você está olhando for automático, a recomendação profissional é unânime: FUJA.
- O Sintoma: Trancos violentos (o famoso “soco”), patinação, e a temida luz “Modo de Emergência” (ícones “Neve” e “Sport” piscando no painel), que trava o câmbio em 3ª marcha.
- A Causa Real: É um defeito de projeto crônico da transmissão AL4 (também chamada de DP0). As eletroválvulas de pressão (solenoides) falham com frequência assustadora. O câmbio também superaquece facilmente, degradando o fluido e entupindo o corpo de válvulas.
- A Solução: O reparo do corpo de válvulas e a troca das solenoides é um serviço que pode facilmente ultrapassar os R$ 6.000 a R$ 8.000.
3. A Famosa Chave de Seta (COM 2000)
Este é o defeito elétrico clássico do 206 e de toda a linha Peugeot/Citroën da época.
- O Sintoma: O farol não acende, a seta dispara sozinha ou não funciona, a buzina para de funcionar, ou a luz do airbag acende no painel.
- A Causa Real: O “COM 2000” é o nome da peça (o complexo da chave de seta) que controla todas essas funções. As trilhas elétricas internas e os flat cables (cabos planos) são frágeis e se rompem com o tempo.
- A Solução: A troca da peça inteira. Um reparo caro que pode custar de R$ 600 a R$ 1.200.
4. Falha na Bobina de Ignição (Motores 1.4 e 1.6)
Uma falha elétrica comum que deixa o motorista na mão.
- O Sintoma: O carro falha subitamente, perde a força (fica “xôxo”), começa a “pipocar” e a luz da injeção acende. O carro passa a funcionar com 2 ou 3 cilindros.
- A Causa Real: O “pack” de bobinas de ignição (que é uma peça única sobre as velas) é famoso por queimar ou trincar, especialmente se as velas de ignição estiverem velhas.
- A Solução: A troca do pack de bobinas (um reparo de R$ 300 a R$ 600) e, obrigatoriamente, das velas.
5. Vazamentos de Óleo e Arrefecimento (Todos os Motores)
O motor 1.6 16V (TU5JP4) é um ótimo motor, mas é um “vazador” crônico.
- O Sintoma: Cheiro de óleo queimado vindo do capô ou nível da água (aditivo) baixando.
- A Causa Real: A junta da tampa de válvulas é a principal culpada pelo vazamento de óleo, que pinga diretamente sobre o coletor de escapamento quente (um risco de incêndio). No sistema de arrefecimento, a carcaça da válvula termostática, que é de plástico, resseca e trinca, causando vazamento de água.
- A Solução: Troca da junta da tampa de válvulas (barato) e a troca da carcaça da válvula termostática (muitas vezes por uma de alumínio, do mercado de reposição).
Um Carro Barato de Comprar, Caríssimo de Manter
O Peugeot 206 é o exemplo perfeito de carro que “custa R$ 15.000 para comprar e R$ 15.000 para arrumar”.
Seu design é apaixonante, mas sua manutenção é um campo minado. Ao comprar um usado, a regra de ouro é clara: compre apenas a versão manual, verifique se o eixo traseiro não está “aberto” (ou já foi reparado) e se prepare para gastar com a parte elétrica e vazamentos.






