O Peugeot 208 (geração 1, fabricada em Porto Real-RJ de 2013 a 2020) é um dos hatches mais bonitos e bem acabados da sua categoria. O conceito de volante pequeno e painel elevado (i-Cockpit) conquistou muitos fãs.
Porém, comprar um 208 usado exige conhecimento técnico. Existem versões que são “tanques de guerra” e versões que são “bombas-relógio”. A diferença está no ano e no conjunto mecânico.
Se você está de olho em um 208, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.
1. O Câmbio Automático de 4 Marchas (AL4 / AT8)
Este é o maior divisor de águas do modelo. Até o ano/modelo 2017, o 208 automático usava o câmbio de 4 marchas (uma atualização do antigo AL4).
- O Sintoma: Trancos fortes nas trocas (especialmente de 1ª para 2ª), o carro trava em 3ª marcha (modo de segurança) e acende luz de serviço, ou patina em subidas.
- A Causa Real: Desgaste das eletroválvulas (solenoides) de pressão e degradação do óleo devido ao aquecimento. Embora melhor que nos Peugeot antigos, essa caixa ainda é frágil.
- A Solução: Troca das solenoides e do fluido. O ideal é evitar essa versão. Procure os modelos 2018 em diante, que usam o câmbio Aisin de 6 marchas (excelente e confiável).
2. Suspensão Dianteira (O “Nhec-Nhec”)
A suspensão do 208 é confortável, mas sofre no asfalto brasileiro.
- O Sintoma: Barulhos de “toc-toc” seco ao passar em buracos e rangidos metálicos ou de borracha em lombadas.
- A Causa Real: Desgaste prematuro das bieletas, buchas da bandeja e, principalmente, dos batentes dos amortecedores. A caixa de direção também pode apresentar folga precocemente.
- A Solução: Troca dos componentes. Dica: use peças de marcas premium (Axios, Monroe, Cofap). Peças baratas não duram 5.000 km na suspensão Peugeot.
3. A Correia Banhada a Óleo (Motor 1.2 Puretech)
O motor 1.2 de 3 cilindros (presente nas versões mais novas e econômicas) é tecnológico, mas tem um “calcanhar de Aquiles” grave se mal cuidado.
- O Sintoma: Luz de óleo acendendo, aviso de “Defeito no Motor” e perda de freio (vácuo).
- A Causa Real: A correia dentada deste motor roda dentro do óleo (como no Onix). Se o dono usar óleo errado ou atrasar a troca, a correia esfarela. Os pedaços de borracha entopem o pescador da bomba de óleo e a bomba de vácuo do freio.
- A Solução: Ao comprar um 1.2, exija histórico de óleo. Se não tiver, peça para um mecânico medir a largura da correia (existe ferramenta para isso) e verificar se há farelos no cárter.
4. Central Multimídia (Touchscreen Fantasma)
Um defeito eletrônico irritante nas primeiras centrais multimídia (2013-2016).
- O Sintoma: A tela troca de estação sozinha, liga para contatos aleatórios ou não responde ao toque (“ghost touch”).
- A Causa Real: Defeito no digitalizador (a película de toque) da tela, causado pelo calor do sol no painel.
- A Solução: Troca do digitalizador (vidro da tela) em assistências técnicas de eletrônica.
5. Catalisador Quebrado (Motor 1.5 8V)
O motor 1.5 é muito robusto (o mais barato de manter), mas tem um ponto fraco.
- O Sintoma: Barulho de “lata solta” vindo debaixo do carro e luz da injeção acesa (erro de eficiência catalítica).
- A Causa Real: A cerâmica interna do catalisador se solta ou quebra com a vibração e choques térmicos, entupindo o escape ou apenas fazendo barulho.
- A Solução: Troca do catalisador e das sondas lambda.
Conclusão: O Segredo é o Ano
O Peugeot 208 é um excelente carro, muito superior aos rivais em acabamento.
- A Melhor Compra: Versões 1.6 com Câmbio Aisin de 6 Marchas (2018-2020) ou 1.5/1.6 Manual (qualquer ano).
- O Risco: Versões Automáticas de 4 marchas (até 2017) exigem reserva financeira para o câmbio. Versões 1.2 Puretech exigem inspeção rigorosa da correia.






