O Novo Peugeot 208 (fabricado na Argentina de 2020 em diante) mudou a percepção da marca no Brasil. É um carro desejável, seguro e bem construído. Ele viveu duas fases de motorização: a inicial com o velho conhecido 1.6 16V (EC5) e a atual, já sob gestão da Stellantis, com os motores 1.0 Firefly e 1.0 Turbo 200 (T200) da Fiat.
Embora a plataforma CMP seja excelente, o 208 sofre com alguns problemas de adaptação ao nosso mercado e herda características (boas e ruins) dos motores que usa.
Se você está de olho em um “leãozinho” novo ou seminovo, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.
1. Central Multimídia (Bugs e Tela Preta)
A tela de 10 polegadas virada para o motorista é linda, mas o software é temperamental.
- O Sintoma: A tela apaga (“tela preta”), o sistema reinicia sozinho, o Apple CarPlay/Android Auto desconecta sem motivo ou o ar-condicionado (que é controlado pela tela nas versões topo) trava e você não consegue mudar a temperatura.
- A Causa Real: Instabilidade de software e falhas no módulo de telemática. O sistema operacional às vezes não lida bem com o calor ou com a conexão simultânea de bluetooth e cabo.
- A Solução: Atualização de software na concessionária. Em casos extremos, a troca do módulo da multimídia é necessária (e cara, se fora da garantia).
2. Suspensão Dianteira (Batidas Secas)
O 208 é muito estável, mas sua suspensão tem curso curto e calibração firme para o Brasil.
- O Sintoma: Batidas secas e metálicas (“cloc-cloc”) na dianteira ao passar por buracos pequenos ou emendas de asfalto, mesmo em carros com baixa quilometragem (15.000 km).
- A Causa Real: Desgaste prematuro das bieletas e folga precoce nos batentes dos amortecedores. A caixa de direção elétrica também pode apresentar folga interna (barulho ao esterçar parado).
- A Solução: Troca das bieletas e batentes. É um reparo coberto pela garantia, mas que se torna recorrente dependendo das ruas onde o carro roda.
3. O Risco da Correia no Motor 1.6 (Antigo)
Os modelos 2020 a 2023 usavam o motor 1.6 EC5.
- O Problema: Este motor usa correia dentada. Se você comprar um usado e não trocar a correia a cada 60.000 km (ou 4 anos), ela quebra e o prejuízo é alto.
- A Solução: Troca preventiva do kit de correia.
- Nota: Os modelos com motor 1.0 Firefly e 1.0 Turbo (T200) usam corrente de comando, eliminando essa preocupação, mas exigem atenção ao óleo (ver item 4).
4. Consumo de Óleo (Motor 1.0 Turbo T200)
As versões mais novas (Allure, Griffe, GT) usam o motor T200 da Fiat.
- O Sintoma: O nível do óleo baixa visivelmente entre as revisões.
- A Causa Real: É uma característica de projeto dos motores turbo modernos da Stellantis. Eles podem consumir até 400ml de óleo a cada 1.000 km (segundo o manual).
- A Solução: Monitoramento constante da vareta. Se o dono anterior rodou com nível baixo, o turbo pode estar comprometido. Use sempre o óleo 0W-20 sintético correto.
5. Ruído e Desgaste dos Freios
Uma queixa comum em uso urbano.
- O Sintoma: Chiado alto ao frear ou desgaste das pastilhas dianteiras antes dos 20.000 km.
- A Causa Real: O material das pastilhas originais é macio para garantir eficiência, mas gera muito pó e desgasta rápido. Além disso, discos de freio podem empenar com facilidade se lavados quentes.
- A Solução: Troca das pastilhas. Muitos donos optam por pastilhas de cerâmica no mercado paralelo para reduzir a sujeira e aumentar a durabilidade.
Conclusão: O Hatch Mais Bonito, Mas Exige Cuidado
O Novo Peugeot 208 é um carro apaixonante e muito superior tecnicamente ao antigo.
- Para evitar dor de cabeça: Procure as versões com motor 1.0 Firefly (Manual) para economia e robustez urbana, ou o 1.0 Turbo (CVT) para desempenho, mas fique de olho no nível do óleo.
- Atenção: Verifique se todas as atualizações da multimídia foram feitas. Um sistema travando tira todo o prazer de dirigir esse carro tecnológico.






