O Renault Kwid é um fenômeno de vendas, mas não é segredo que ele é um projeto de baixo custo. Para atingir o preço competitivo, a montadora economizou em diversos componentes, o que se traduz em uma durabilidade inferior à de rivais como o Fiat Mobi ou VW Up!.
Se você está pensando em comprar um Kwid usado ou já tem um na garagem, é fundamental monitorar estes 5 pontos críticos para evitar acidentes ou prejuízos altos.
1. Discos de Freio Empenados e Sólidos
Este é o defeito mais relatado e que afeta a segurança direta.
- O Sintoma: Ao frear, o pedal trepida violentamente e o volante vibra. Em casos extremos, ouve-se um chiado metálico constante (“ferro com ferro”) mesmo com pastilhas novas.
- A Causa Real: Os discos de freio originais do Kwid (até 2019) eram sólidos (não ventilados) e subdimensionados. Eles não dissipam o calor adequadamente, empenando com facilidade em descidas de serra ou uso urbano intenso.
- A Solução: Substituição dos discos por modelos de marca premium (Fremax, Hipper Freios) e uso de pastilhas de cerâmica. Nas versões a partir de 2020, a Renault adotou discos ventilados, o que amenizou o problema, mas não eliminou totalmente a fragilidade do conjunto.
2. Quebra e Trincas no Eixo Traseiro (Recall Grave)
Um problema estrutural sério que gerou recall recente para modelos fabricados entre 2021 e 2023.
- O Sintoma: Ruídos metálicos na traseira, perda de estabilidade em curvas ou desalinhamento visível das rodas traseiras.
- A Causa Real: Falha na solda e no material do eixo traseiro, que pode trincar ou até quebrar totalmente com o uso, causando a perda da roda.
- A Solução: Verifique se o Recall do Eixo Traseiro foi realizado. Em muitos casos, a concessionária instala um reforço ou troca a peça inteira gratuitamente. Jamais ignore esse item.
3. Caixa de Direção com Folga Precoce
A direção elétrica do Kwid é leve, mas o sistema mecânico não aguenta a buraqueira brasileira.
- O Sintoma: O volante apresenta uma “folga morta” no centro (você vira e o carro não responde imediatamente) e ouve-se um “toc-toc” forte ao passar em paralelepípedos ou esterçar parado.
- A Causa Real: Desgaste prematuro das buchas internas da caixa de direção e folga no pinhão.
- A Solução: Reaperto da caixa (solução paliativa) ou troca da caixa de direção completa. É um item de desgaste crônico que costuma aparecer antes dos 40.000 km.
4. Embreagem e Cabo de Acionamento
O sistema de transmissão do Kwid é alvo de muitas queixas por ruídos e dureza.
- O Sintoma: Pedal da embreagem pesado, rangido ao pisar (parece porta velha) e dificuldade para engatar a marcha ré (que arranha).
- A Causa Real: O cabo da embreagem não possui lubrificação adequada e o garfo de acionamento empena. Além disso, o platô tem molas frágeis que perdem pressão.
- A Solução: Troca do kit de embreagem e, obrigatoriamente, do cabo de embreagem. Lubrificar o cabo antigo resolve por poucos dias, mas o problema volta.
5. Fragilidade de Acabamento (Maçanetas e Travas)
A economia nos plásticos cobra seu preço no uso diário.
- O Sintoma: Maçanetas internas que quebram na mão ao tentar abrir a porta, tampa do porta-malas que não fecha ou abre sozinha, e ruídos excessivos de “escola de samba” no painel.
- A Causa Real: Plásticos de baixa densidade e mecanismos de fechadura simplificados.
- A Solução: Troca das maçanetas (existem opções paralelas mais reforçadas no mercado) e ajuste frequente das travas das portas e porta-malas.
Conclusão: Barato de Comprar, Caro de Manter?
O Renault Kwid cumpre o papel de ser um transporte barato, mas exige vigilância.
- A Compra Segura: Prefira os modelos pós-facelift (2022 em diante), que já possuem discos ventilados e acabamento ligeiramente melhorado.
- O Risco: Evite unidades 2017/2018 que nunca fizeram os recalls de freio e tubo de combustível. O barato pode sair muito caro se você tiver que trocar caixa de direção e eixo traseiro por conta própria.






