Problemas Crônicos do Troller T4 (1997–2001): Fibra, Elétrica e o Motor AP

Os primeiros Trollers (modelos RF Sport e os primeiros T4) são veículos “raiz”, feitos para quem entende de mecânica e não se importa com conforto. Fabricados no Ceará antes da compra pela Ford, eles são jipes artesanais.

Nesta época (1997-2001), o Troller usava o motor AP 2.0 a gasolina e, posteriormente, o lendário MWM 2.8 Diesel. A robustez é inegável, mas o acabamento e a engenharia inicial cobram seu preço.


1. Carroceria de Fibra (Trincas e Infiltração)

A carroceria de fibra de vidro é leve e não enferruja, mas sofre com a torção do chassi nas trilhas.

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  • Trincas Estruturais: É comum encontrar trincas na base da Coluna B (onde fecha a porta), no cofre do motor e nos suportes da carroceria.
  • Infiltração: O Troller dessa época “já vem com água dentro”. A vedação das portas, do quadro do para-brisa e do teto (se for rígido) é precária. Molha o pé do motorista e o porta-malas em qualquer chuva forte.

2. Motor AP 2.0 Gasolina (O “RF”)

Entre 1997 e 2000, a maioria dos Trollers usava o motor VW AP 2.0 (o mesmo do Santana).

  • Falta de Força: O motor AP é excelente, mas o Troller é pesado e tem aerodinâmica de tijolo. O motor sofre para empurrar o jipe, exigindo giro alto e queimando juntas de cabeçote por superaquecimento.
  • Módulo de Injeção: A injeção eletrônica (Mi) não foi bem tropicalizada para uso submerso. O módulo queima ou oxida com facilidade se entrar água na cabine.

3. Parte Elétrica (O “Ninho de Gato”)

A elétrica dos primeiros Trollers é famosa por ser uma “gambiarra de fábrica”.

  • Chicote Artesanal: Os fios não seguiam um padrão de cores rigoroso e os conectores não eram selados.
  • Painel Louco: O marcador de combustível, temperatura e velocímetro raramente funcionam juntos. Problemas de aterramento (fio terra) fazem o painel apagar ou marcar errado. Refazer a elétrica é quase obrigatório para quem compra hoje.

4. Eixos e Pontas de Eixo

O Troller usa eixos Dana 44 (traseira) e Dana 30 (dianteira) nessa época.

  • Quebra de Ponta de Eixo: Se o dono colocar pneus muito grandes (acima de 33 polegadas) sem reforçar os semi-eixos (ponta de eixo), eles quebram na trilha ao fazer força.
  • Shimmy (Death Wobble): Uma trepidação violenta na direção ao passar em buracos a 60-80 km/h. É causado por folga nas buchas da barra panhard ou terminais de direção gastos.

5. Transmissão e Trambulador

  • Trambulador: O sistema de alavanca de câmbio tem buchas plásticas que se desintegram, deixando a alavanca “boba” e dificultando o engate das marchas.
  • Diferencial Traseiro: O sistema de deslizamento limitado (Trac-Lok) original desgasta os discos e para de funcionar, virando um diferencial aberto comum.

6. Motor MWM 2.8 Sprint (2001 em diante)

No final de 2001, entrou o motor diesel MWM 2.8 Mecânico.

  • Cabeçote: Embora seja um dos melhores motores diesel já feitos, ele não tolera superaquecimento. Se ferver uma vez, o cabeçote trinca entre as válvulas.
  • Adaptações: Nos primeiros modelos a diesel, a adaptação do motor no cofre foi apertada, dificultando a manutenção do alternador e da bomba de direção hidráulica.

Conclusão: Brinquedo de Gente Grande

  • Veredito: O Troller T4 (1997-2001) não é um carro para o dia a dia. É um “lego” para adultos. Se você quer um jipe barato para moer na trilha e sabe consertar coisas básicas, ele é incrível.
  • Atenção: Fuja de modelos com chassi trincado ou remendado com solda caseira. A fibra se conserta fácil, o chassi não.
  • Dica: O modelo 2001 com motor MWM 2.8 Diesel é a “mosca branca” e vale muito mais que o modelo a gasolina.
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