O Volkswagen Fox chegou em 2003 com a proposta “compacto por fora, gigante por dentro”. O teto alto e a posição de dirigir elevada conquistaram o público, mas a mecânica e o acabamento simples trouxeram problemas que acompanham o modelo até hoje.
1. Motor EA111 (1.0 e 1.6): Lubrificação Crítica
O coração do Fox é valente, mas exige disciplina militar na manutenção.
- Batida de Tuchos: É o defeito mais famoso. Ao ligar o carro frio, ouve-se um “tec-tec-tec” metálico. Isso ocorre porque os tuchos hidráulicos descarregam ou entopem devido ao uso de óleo incorreto ou vencido.
- Borra de Óleo: O motor EA111 tem canais de lubrificação estreitos. Usar óleo mineral ou estender a troca cria uma borra que entope o pescador da bomba de óleo. Se a luz do óleo acender, pare imediatamente: o cabeçote pode estar sem lubrificação.
- Bobina de Ignição: A bobina original costuma apresentar rachaduras (trincas) na carcaça plástica, gerando fuga de corrente. O carro falha, perde força e aumenta o consumo, especialmente em dias úmidos.
2. O Banco Traseiro (O Recall dos Dedos)
Um erro de projeto grave marcou a história do Fox.
- O Defeito: O sistema de rebatimento do banco traseiro possuía uma argola que, se puxada incorretamente, acionava o mecanismo de guilhotina.
- O Risco: Diversos proprietários tiveram dedos decepados ou feridos ao tentar ampliar o porta-malas.
- A Solução: A Volkswagen fez um recall massivo para instalar uma peça de proteção e fitas adicionais. Ao comprar um Fox usado, verifique se o recall foi feito (procure pelo adesivo no manual ou consulte o chassi).
3. Sistema de Arrefecimento (Plástico Frágil)
Como em outros VW da época, o sistema de água sofre com peças plásticas de baixa qualidade.
- Cavalete D’água: A carcaça da válvula termostática racha e vaza água de forma “escondida” atrás do motor.
- Tubo Distribuidor: O tubo plástico que passa atrás do bloco resseca e quebra na ponta, causando vazamento súbito. A recomendação é substituir essas peças por versões paralelas de alumínio.
4. Suspensão (Barulhos de “Escola de Samba”)
O Fox é alto e firme, o que castiga as buchas.
- Buchas da Barra Estabilizadora: Elas desgastam prematuramente, gerando estalos secos na dianteira ao passar em lombadas.
- Bieletas: As hastes que ligam a barra à suspensão criam folga e fazem um barulho de “ferro solto” em paralelepípedos.
5. Acabamento e Elétrica
O interior do Fox G1 abusa do plástico rígido.
- Ruídos Internos: O painel, as portas e a tampa do porta-malas vibram muito. É difícil encontrar um Fox silencioso por dentro.
- Vidros Elétricos: O sistema de cabos de aço dentro das portas quebra as roldanas plásticas, fazendo o vidro cair ou subir torto.
- Luz EPC: Se a luz “EPC” acender no painel e o carro perder aceleração, geralmente é defeito no interruptor do pedal de freio ou no corpo de borboleta sujo, não necessariamente uma falha grave de motor.
Conclusão: Atenção ao Histórico
- Veredito: O Volkswagen Fox G1 é um carro urbano honesto, fácil de revender e com peças baratas. Porém, fuja de unidades com motor “rajando” ou com histórico de óleo duvidoso.
- Dica: Prefira o motor 1.6. O consumo é muito próximo do 1.0, mas a durabilidade e o desempenho são infinitamente superiores.






