A segunda geração do Volkswagen Fox (conhecida como G2), lançada em 2010, trouxe um salto gigantesco em acabamento e design, inspirado no Polo Europeu. O painel melhorou e o carro ficou mais bonito, mas herdou a mecânica da geração anterior com algumas “atualizações” que exigem cuidado.
Se você está de olho num Fox 1.0 ou 1.6 dessa época, prepare-se para lidar com o temperamento do motor VHT e as manias do câmbio robotizado.
1. Motor EA111 VHT (1.0 e 1.6): A Saga dos Tuchos
A Volkswagen atualizou o motor EA111, chamando-o de VHT (Very High Torque). Ele ganhou força, mas manteve os vícios antigos.
- Batida de Tuchos: É a marca registrada. Ao ligar frio, o motor faz um “tec-tec-tec” que pode durar alguns segundos ou ser permanente. Isso ocorre por desgaste nos tuchos hidráulicos ou baixa pressão de óleo devido à borra.
- Borra de Óleo: O cabeçote do VHT tem canais estreitos. Se o antigo dono usou óleo mineral (ou demorou para trocar), a borra entope a lubrificação.
- Sintoma: A luz de óleo acende em marcha lenta (motor quente) e apaga ao acelerar. Isso indica que a bomba não está conseguindo puxar óleo suficiente pelo “pescador” entupido.
- Bobina de Ignição: A bobina única que distribui para os 4 cabos costuma trincar a carcaça plástica, causando fuga de corrente e falhas (o carro “engasga” em dias úmidos).
2. Câmbio I-Motion (O Automatizado)
O Fox G2 popularizou o câmbio automatizado I-Motion (robotizado de embreagem única).
- O Robô: O sistema eletro-hidráulico que troca as marchas tem um acumulador de pressão que perde eficiência.
- Sintoma: A bomba elétrica trabalha sem parar (você ouve um zumbido constante ao abrir a porta do motorista) até queimar.
- Trancos e Embreagem: Diferente de um automático real, o I-Motion usa disco de embreagem comum. Ele desgasta prematuramente se o motorista segurar o carro no acelerador em subidas (em vez de usar o freio de mão). A troca da embreagem exige reprogramação via scanner, o que encarece o serviço.
3. Infiltração nas Lanternas Traseiras
Um defeito estético que vira elétrico.
- O Problema: A vedação das lanternas traseiras do Fox G2 é falha. A água da chuva entra e se acumula dentro da peça, criando um “aquário”.
- Consequência: A água oxida o circuito impresso (placa) das lâmpadas. Você troca a lâmpada e ela queima de novo em uma semana, ou o painel acusa “lâmpada queimada” mesmo com ela acesa.
4. Vidros Elétricos (Dianteiros e Traseiros)
O sistema de vidros elétricos do Fox é famoso pela fragilidade.
- Máquina do Vidro: As roldanas de plástico ressecam e quebram, fazendo o cabo de aço enrolar. O vidro cai dentro da porta ou sobe travando.
- Módulo Conforto: Em algumas unidades, o módulo que controla o fechamento dos vidros na chave queima, deixando os vidros “mortos” ou subindo apenas aos solavancos.
5. Suspensão e Caixa de Direção
- Buchas de Bandeja: As buchas da suspensão dianteira (principalmente a traseira da bandeja) rasgam com facilidade, gerando estalos metálicos em frenagens.
- Caixa de Direção: Há relatos frequentes de folga na cremalheira da caixa de direção, causando um “toc-toc” seco no volante ao passar por ruas de paralelepípedo.
6. Recall do Airbag (Takata e Volante)
Fique atento: o Fox G2 passou por recalls sérios.
- Airbag (Gerador de Gás): Unidades fabricadas até 2013/2014 podem estar equipadas com os airbags mortais da Takata, que projetam fragmentos metálicos na cara do motorista. Verifique se o recall foi feito.
- Volante Multifuncional: Algumas unidades tiveram problemas na fixação do volante, com risco de desprendimento.
Conclusão: Manual é a Escolha Segura
- Veredito: O Volkswagen Fox G2 é um excelente carro urbano se for Manual 1.6. Ele anda bem e tem peças em qualquer esquina.
- O Perigo: Evite o I-Motion usado, a menos que você tenha R$ 4.000,00 reservados para revisar o robô. E fuja de motores com luz de óleo piscando.
- Dica: Ao comprar, olhe a vareta de óleo. Se tiver verniz escuro ou borra na tampa, agradeça e procure outro. O motor VHT não perdoa negligência.






