O Fiat Fastback (lançado em 2022) é um fenômeno de vendas. Ele popularizou o estilo SUV-Cupê no Brasil, oferecendo um design arrojado e os modernos motores turbo T200 e T270 por um preço muito competitivo.
No entanto, como todo projeto construído sobre uma plataforma focada em custo (a MLA, uma evolução da do Argo) e sendo um modelo tão recente, seus primeiros anos de estrada já revelaram um padrão de problemas crônicos e queixas de proprietários.
É importante frisar: a mecânica do carro (motores Firefly e T270, e o câmbio CVT) é considerada confiável. As principais queixas se concentram em características de projeto, acabamento e no motor T270 (herdando um problema de seus irmãos Jeep).
1. O Consumo de Óleo do Motor 1.3 Turbo T270 (Versão Abarth)
Este é o problema crônico mais grave e que exige maior atenção do proprietário, específico da versão topo de linha Abarth.
- O Sintoma: O nível do óleo baixa visivelmente no período entre as trocas, muitas vezes exigindo que o proprietário complete o cárter.
- A Causa Real: É uma característica de projeto do motor T270 (o mesmo do Compass e Renegade). O design dos anéis de pistão e a alta pressão do turbo causam uma passagem de óleo maior que o normal para a câmara de combustão. A própria Stellantis considera “normal” um consumo de até 400ml a cada 1.000 km.
- A Solução: Não é um “defeito” a ser consertado, mas uma característica a ser gerenciada. O proprietário deve verificar o nível da vareta semanalmente e completar com o óleo de especificação correta (geralmente 0W-20 sintético com a norma Fiat 9.55535-GSX).
2. Ruídos Internos Crônicos
Esta é, de longe, a maior e mais comum queixa de todos os proprietários do Fastback (e também do Pulse).
- O Sintoma: Um “festival de grilos”. Ruídos constantes de plástico vibrando contra plástico, que parecem vir de todos os lados: do painel central (na junção com a multimídia), dos forros de porta e, principalmente, da região da enorme tampa do porta-malas.
- A Causa Real: Projeto focado 100% no baixo custo. Todo o acabamento interno é feito de plástico rígido (duro), sem nenhuma parte macia (soft touch). Em um carro de mais de R$ 130 mil, isso gera frustração. Com a torção da carroceria, as peças atritam e rangem.
- A Solução: Reclamação na concessionária (para reaperto, na garantia) ou o famoso serviço de “caça-grilos”, onde um profissional aplica fitas de feltro e espuma nos pontos de contato.
3. Má Visibilidade Traseira (Defeito de Design)
Este é um problema crônico que não tem conserto, pois é uma escolha deliberada de design.
- O Sintoma: Visão traseira quase nula. O motorista olha pelo retrovisor interno e vê apenas uma “fresta” de vidro, tornando manobras e a condução na estrada mais difíceis.
- A Causa Real: É o preço que se paga pelo design “SUV-Cupê”. A linha do teto que desce de forma agressiva resulta em um vidro traseiro extremamente inclinado e pequeno.
- A Solução: Dependência total da câmera de ré e dos sensores de estacionamento. Ao comprar, faça um test drive e veja se você se acostuma com essa “visão de bunker”.
4. Bugs na Central Multimídia (Uconnect)
A central multimídia de 10,1 polegadas é um dos destaques do carro, mas não é livre de falhas de software.
- O Sintoma: Lentidão para iniciar o sistema ao ligar o carro, “apagões” (tela preta), travamentos e, principalmente, instabilidade na conexão sem fio com o Apple CarPlay ou Android Auto, que desconectam sozinhos.
- A Causa Real: Software (SOW) precisando de maturação. Como todo sistema complexo, as primeiras versões apresentaram bugs que vêm sendo corrigidos.
- A Solução: Manter o sistema sempre atualizado. A maioria das correções é feita via atualização de software na concessionária.
Um Carro de Design com “Pecados” de Custo
O Fiat Fastback é um projeto de grande sucesso comercial e seus motores (T200 e T270) e câmbios (CVT e AT6) são considerados confiáveis.
Seus problemas crônicos estão ligados diretamente às escolhas de projeto da Fiat para o mercado brasileiro: o sacrifício da visibilidade em prol do design, o corte de custos agressivo no acabamento e a herança do consumo de óleo do motor T270.
Ao comprar um, faça um test drive em uma rua esburacada para testar seu nível de tolerância aos ruídos e verifique com atenção o nível do óleo, especialmente na versão Abarth.






