O JAC E-JS1 (lançado em 2022) foi, por um tempo, o carro elétrico mais barato do Brasil, disputando com o Renault Kwid E-Tech a porta de entrada para a mobilidade elétrica. Ele é um projeto focado 100% no custo-benefício e no uso urbano.
No entanto, como todo carro de uma marca em retomada no país e com um projeto focado no preço, seus anos de estrada revelaram um padrão de problemas crônicos e queixas recorrentes.
É fundamental frisar: o powertrain do E-JS1 (motor elétrico e bateria de tração) é considerado confiável. Os problemas mais comuns estão nos componentes “satélites” do carro e, principalmente, no pós-venda.
1. A “Morte Súbita” da Bateria 12V (O Defeito Mais Comum)
Este é, de longe, o problema mais relatado e que mais deixa proprietários na mão. É um defeito comum em vários EVs, mas que se mostrou crônico no E-JS1.
- O Sintoma: Você tenta “ligar” o carro (colocar em modo “Ready”), mas o painel não acende e nada acontece, como se o carro estivesse “morto”. A bateria principal (de tração) pode estar 100% carregada, mas o carro não responde.
- A Causa Real: A bateria de 12V (uma bateria comum de chumbo-ácido, igual à de um carro a combustão) morre prematuramente. Em um EV, a bateria de 12V é responsável por “acordar” os computadores de bordo e fechar os contatores da bateria principal. O sistema do E-JS1 que recarrega essa bateria (o conversor DC-DC) se mostrou ineficiente, ou o carro possui um “dreno fantasma” (consumo parasita) que esgota a bateria 12V quando desligado.
- A Solução: A troca da bateria de 12V (um item de manutenção relativamente barato) ou a instalação de um “mantenedor de bateria” para quem usa pouco o carro.
2. O Fantasma do Pós-Venda (Falta Crônica de Peças)
Este não é um problema do carro em si, mas é o maior risco de ser um dono de JAC E-JS1 hoje.
- O Sintoma: Em caso de colisão (mesmo uma batida leve), os proprietários relatam uma espera de semanas ou até meses por peças de reposição básicas, como para-choques, faróis, para-lamas ou até mesmo o para-brisa.
- A Causa Real: A JAC Motors tem uma operação pequena e centralizada no Brasil (comparada à BYD ou GWM, que estão investindo bilhões em fábricas). O estoque de peças de reposição, especialmente de lataria e componentes importados da China, é mínimo.
- A Solução: Paciência e ter um seguro completo. Sem seguro, o custo de um simples farol de LED ou de um para-choque pode ser proibitivo, e o tempo de reparo é um grande problema.
3. Os Ruídos Internos Crônicos
Um problema esperado de um projeto focado 100% no baixo custo, mas que é amplificado pelo silêncio do motor elétrico.
- O Sintoma: O “nhec-nhec” e “tec-tec” de plásticos vibrando em pisos irregulares.
- A Causa Real: O interior do E-JS1 é um mar de plástico rígido (duro). No silêncio absoluto de um carro elétrico, qualquer pequeno ruído de acabamento fica muito mais evidente e irritante para o motorista.
- A Solução: Aumentar o volume do rádio ou investir em um serviço de “caça-grilos” (aplicação de feltros e espumas).
4. A Autonomia Real vs. a Prometida
Esta não é uma “quebra”, mas uma característica de projeto que frustra muitos novos proprietários de elétricos.
- O Sintoma: O painel promete 302 km (Inmetro), mas no uso real (ligando o ar-condicionado ou pegando uma marginal a 90 km/h), a autonomia real fica na casa dos 200 a 230 km.
- A Causa Real: A autonomia oficial (PBEV/Inmetro) é medida em condições de laboratório muito otimistas. No mundo real, o uso do ar-condicionado (que é um grande vilão em EVs) e, principalmente, a velocidade, drenam a bateria muito mais rápido. Carros elétricos são muito ineficientes em velocidades de estrada (acima de 90 km/h).
- A Solução: Entender a proposta do carro. Ele é um carro exclusivamente urbano, projetado para rodar na cidade e carregar em casa à noite.
Conclusão: Um Urbano Barato, Mas Com “Custo-China”
O JAC E-JS1 é um carro elétrico com um powertrain confiável (motor e bateria de tração). Seus problemas crônicos são de “conveniência” (bateria 12V, ruídos) e de “corte de custos”.
O maior risco real ao comprar um E-JS1 hoje não é uma quebra mecânica, mas o custo e o tempo de reparo em caso de um acidente, devido à fragilidade do pós-venda da marca no Brasil.






