O Jeep Commander (lançado em 2021 como linha 2022) é um fenômeno. Ele acertou em cheio ao oferecer 7 lugares com o luxo e a robustez da marca Jeep, tornando-se o líder absoluto de sua categoria.
No entanto, o Commander é construído sobre a plataforma Small Wide (a mesma do Compass, Toro e Rampage). Isso significa que, além de todas as qualidades, ele também herdou os problemas crônicos mais graves e caros de seus irmãos de plataforma.
Se você tem ou está de olho em um Commander usado, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.
1. O “Pesadelo”: O Trocador de Calor (Versões 2.0 Diesel TD380)
Este é, de longe, o problema mais grave e caro do Commander Diesel. É uma falha de projeto crônica herdada do Compass.
- O Sintoma: Trancos violentos no câmbio automático de 9 marchas (ZF 9HP), patinação e, no limite, a quebra total da transmissão.
- A Causa Real: O trocador de calor do câmbio automático é uma peça que usa o líquido de arrefecimento (aditivo) do motor para resfriar o fluido da transmissão. Este componente apresenta vazamento interno, e o aditivo (glicol, que é corrosivo) se mistura com o óleo do câmbio.
- O Desastre: O aditivo contamina o fluido e destrói os componentes internos do câmbio (pacote de embreagens, solenoides). O reparo raramente sai por menos de R$ 20.000.
- A Solução: Troca preventiva do trocador de calor. Mecânicos especializados recomendam a troca a cada 60.000 km ou a adaptação de um trocador de calor externo.
2. Falhas no DPF e EGR (Versões 2.0 Diesel TD380)
Este é o segundo problema crônico das versões a diesel, especialmente para quem usa o SUV de 7 lugares apenas na cidade.
- O Sintoma: Luz do DPF (filtro de partículas) acesa no painel, perda de potência e o carro entrando em “modo de emergência” (limp mode), não passando de 2.000 RPM.
- A Causa Real: Uso 100% urbano. O DPF é um filtro no escapamento que captura a fuligem. Ele precisa de longos trechos de estrada (calor constante) para se “autolimpar” (regenerar). No “anda e para” da cidade, ele entope.
- A Solução: Se você só anda na cidade, não compre um Commander a diesel. O reparo exige a regeneração forçada na concessionária (cara) ou a limpeza química do DPF.
3. O Consumo de Óleo do Motor 1.3 Turbo T270 (Versões Flex)
Este é o problema crônico mais famoso das versões Flex (T270).
- O Sintoma: O nível do óleo baixa visivelmente no período entre as trocas, muitas vezes exigindo que o proprietário complete 1 litro a cada 1.000 ou 2.000 km.
- A Causa Real: É uma característica de projeto do motor T270 (o mesmo do Compass e Fastback). O design dos anéis de pistão e a alta pressão do turbo causam uma passagem de óleo maior que o normal para a câmara de combustão. A própria Stellantis considera “normal” um consumo de até 400ml a cada 1.000 km.
- A Solução: Não é um “defeito” a ser consertado, mas uma característica a ser gerenciada. O proprietário deve verificar o nível da vareta semanalmente e completar com o óleo de especificação correta (geralmente 0W-20 sintético com a norma Fiat 9.55535-GSX).
4. A “Pane Elétrica Fantasma” (Todas as Versões)
Uma queixa muito comum sobre a complexa parte elétrica da plataforma.
- O Sintoma: Luzes de avaria (ABS, controle de tração, freio de mão elétrico, injeção, Start-Stop) acendendo no painel “do nada”, muitas vezes juntas, e apagando sozinhas.
- A Causa Real: A Rede CAN (o sistema elétrico) é extremamente sensível à voltagem. A causa número um deste “surto” elétrico é a bateria principal. Quando a bateria (que é uma EFB ou AGM, mais cara) começa a perder sua eficiência (após 2-3 anos), ela não entrega a voltagem correta e os módulos eletrônicos “enlouquecem”.
- A Solução: Antes de trocar qualquer sensor caro, teste e troque a bateria. Em 90% dos casos, a “árvore de natal” no painel desaparece.
5. Ruídos Internos e no Teto Solar
Para um carro de R$ 300 mil, os “grilos” são uma queixa recorrente.
- O Sintoma: Ruídos de plástico vibrando (“grilos”) no painel e, principalmente, estalos e rangidos vindos do teto solar panorâmico (nos modelos equipados).
- A Causa Real: A carroceria de um SUV de 7 lugares sofre uma torção estrutural considerável. Os encaixes plásticos e a grande estrutura do teto de vidro acabam gerando atrito e ruído.
- A Solução: Reclamação na concessionária (para reaperto e lubrificação dos trilhos do teto) ou o famoso serviço de “caça-grilos”.
Conclusão: Um SUV Premium com Manutenção Premium
O Jeep Commander é um projeto de sucesso e um excelente carro familiar. Seus problemas crônicos não afetam a versão Flex (T270) de forma grave, exigindo apenas que o dono fique atento ao nível do óleo.
O risco real está na versão 2.0 Diesel. Ao comprar um usado, é obrigatório levar a um especialista em câmbio automático para verificar o fluido da transmissão em busca de sinais de contaminação pelo aditivo. É um carro que não perdoa negligência na manutenção.





