Problemas Crônicos do Jeep Compass (2016-2026): Os 5 Defeitos Que Você Deve Conhecer

O Jeep Compass de segunda geração (fabricado em Goiana-PE, de 2017 até hoje) é o rei absoluto do segmento de SUVs médios no Brasil. É um fenômeno de vendas que acertou em cheio no design, na percepção de robustez e na tecnologia.

Diferente da problemática primeira geração (importada até 2016 e que deve ser evitada), este Compass é um projeto moderno e muito mais confiável. No entanto, seus anos de estrada revelaram problemas crônicos específicos para cada uma de suas três motorizações (2.0 Flex, 2.0 Diesel e 1.3 Turbo).

Se você tem ou está de olho em um Compass usado, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.

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1. O Consumo de Óleo do Motor 2.0 Tigershark (Versões Flex 2017-2021)

Este é o problema crônico mais famoso do Compass G2 Flex (pré-facelift).

  • O Sintoma: O nível do óleo baixa visivelmente no período entre as trocas, muitas vezes exigindo que o proprietário complete 1 litro a cada 1.000 ou 2.000 km.
  • A Causa Real: É uma característica de projeto do motor 2.0 Tigershark. O design dos anéis de pistão e o brunimento dos cilindros causam uma passagem de óleo maior que o normal para a câmara de combustão. A própria Stellantis (Fiat/Jeep) considera “normal” um consumo de até 1 litro a cada 1.000 km.
  • A Solução: Não é um “defeito” a ser consertado, mas uma característica a ser gerenciada. O proprietário deve verificar o nível da vareta semanalmente e completar com o óleo de especificação correta (5W-30 Sintético, Norma MS-6395).

2. Falhas no DPF e EGR (Versões 2.0 Diesel MultiJet)

Este é um defeito crônico de todas as picapes e SUVs a diesel modernos, e o Compass não escapa.

  • O Sintoma: Luz do DPF (filtro de partículas) acesa no painel, perda de potência e o carro entrando em “modo de emergência” (limp mode), não passando de 2.000 RPM.
  • A Causa Real: Uso 100% urbano. O DPF é um filtro no escapamento que captura a fuligem. Ele precisa de longos trechos de estrada (calor constante) para se “autolimpar” (regenerar). No “anda e para” da cidade, ele entope. A válvula EGR (que recircula os gases) também trava por carbonização.
  • A Solução: Se você só anda na cidade, não compre um Compass a diesel. O reparo exige a regeneração forçada na concessionária (cara) ou a limpeza química do DPF.

3. O “Pesadelo” do Trocador de Calor (Versões 2.0 Diesel)

Este é o problema mais grave e caro do Compass Diesel, e uma falha de projeto que pode destruir o câmbio.

  • O Sintoma: Trancos violentos no câmbio automático de 9 marchas, patinação e, no limite, a quebra total da transmissão.
  • A Causa Real: O trocador de calor do câmbio automático (ZF 9HP) é uma peça que usa o líquido de arrefecimento (aditivo) do motor para resfriar o fluido da transmissão. Este componente apresenta vazamento interno, e o aditivo (que é corrosivo) se mistura com o óleo do câmbio.
  • O Desastre: O aditivo contamina o fluido e destrói os componentes internos do câmbio. O reparo raramente sai por menos de R$ 20.000.
  • A Solução: Troca preventiva do trocador de calor. Mecânicos especializados recomendam a troca a cada 60.000 km ou a adaptação de um trocador de calor externo.

4. A “Pane Elétrica Fantasma” (Todas as Versões G2)

Uma queixa muito comum sobre a complexa parte elétrica do Compass G2.

  • O Sintoma: Luzes de avaria (ABS, controle de tração, freio de mão elétrico, injeção, Start-Stop) acendendo no painel “do nada”, muitas vezes juntas, e apagando sozinhas.
  • A Causa Real: A Rede CAN (o sistema elétrico) do Compass é extremamente sensível à voltagem. A causa número um deste “surto” elétrico é a bateria principal. Quando a bateria (que é uma EFB ou AGM, mais cara) começa a perder sua eficiência (após 2-3 anos), ela não entrega a voltagem correta e os módulos eletrônicos “enlouquecem”.
  • A Solução: Antes de trocar qualquer sensor caro, teste e troque a bateria. Em 90% dos casos, a “árvore de natal” no painel desaparece.

5. Consumo de Óleo no Motor 1.3 Turbo T270 (Versões Flex 2022-2026)

Sim, o problema se repetiu no motor novo, embora em menor escala.

  • O Sintoma: O motor novo (T270) também apresenta consumo de óleo acima do normal, embora menos severo que no antigo Tigershark.
  • A Causa Real: Característica de projeto de motores turbo de injeção direta. A Stellantis também alega ser “normal” dentro de certos limites (geralmente 400ml a cada 1.000 km).
  • A Solução: Monitoramento constante da vareta e uso exclusivo do óleo correto (geralmente 0W-20 sintético com a norma Fiat 9.55535-GSX).

Conclusão: Um Carro Excelente, Mas de Manutenção Complexa

O Jeep Compass é um projeto robusto e um sucesso de mercado. Ao contrário do G1, seus problemas são gerenciáveis, mas exigem um dono atento (que verifica o óleo semanalmente) e um mecânico especializado (especialmente para as versões a diesel e para a parte elétrica).

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