A Nova Chevrolet Montana (lançada em 2023) é um sucesso de mercado. Baseada na plataforma do Tracker, ela acertou em cheio ao oferecer o design de SUV, o motor 1.2 Turbo e a praticidade de uma caçamba em um pacote urbano e moderno.
No entanto, como acontece com todo projeto novo, os “early adopters” (primeiros proprietários) estão descobrindo na prática os problemas crônicos e as “dores do crescimento” da picape.
É fundamental frisar: o conjunto mecânico (motor 1.2 Turbo e câmbio automático de 6 marchas) é considerado confiável e já estava testado e aprovado no Tracker. As principais queixas da Montana se concentram no acabamento, na calibração da suspensão e, principalmente, na vedação da caçamba.
1. A Infiltração de Água na Caçamba “Multi-Flex”
Este é, de longe, o problema crônico número um e a maior queixa dos proprietários da Montana.
- O Sintoma: Água e poeira invadindo a caçamba, mesmo com a capota marítima original (chamada de “Multi-Flex”) fechada e travada. Após uma chuva forte ou lavagem, proprietários relatam poças d’água no interior.
- A Causa Real: É uma falha de projeto na vedação da capota e da tampa traseira. O sistema de escoamento não é 100% eficiente para o volume de água de chuvas tropicais, e a vedação da tampa traseira permite a entrada de muita poeira.
- A Solução: Reclamação na concessionária. A GM, ciente do problema, tem aplicado (em garantia) kits de vedação adicionais (borrachas extras) para tentar mitigar o problema. Muitos proprietários também recorrem a vedações “aftermarket” para tentar selar a caçamba.
2. Ruídos Internos Crônicos
Esta é uma herança da plataforma (Tracker/Onix) e uma queixa universal.
- O Sintoma: Um “festival de grilos”. Ruídos constantes de plástico vibrando contra plástico, que parecem vir do painel, dos forros de porta e do console central.
- A Causa Real: Projeto focado em custo. Todo o acabamento interno da Montana é feito de plástico rígido (duro). Em uma picape que, nas versões topo de linha (Premier e RS), custa mais de R$ 150 mil, isso gera frustração. Com a vibração natural do motor 3 cilindros e o asfalto brasileiro, as peças atritam e rangem.
- A Solução: Paciência e o famoso serviço de “caça-grilos” (aplicação de fitas de feltro).
3. Suspensão Traseira “Seca” (O “Pula-Pula”)
Uma queixa muito comum de quem dirige a Montana, especialmente com a caçamba vazia.
- O Sintoma: A picape “pula” excessivamente na traseira ao passar em buracos, valetas ou lombadas, sendo desconfortável para o uso urbano. A suspensão dá “batida seca” (fim de curso) com facilidade.
- A Causa Real: Não é um defeito, mas uma característica de projeto. A suspensão traseira usa um eixo de torção (solução mais simples e barata que a da Toro, que é multilink). Para que a Montana pudesse carregar seus 600 kg de carga, a calibração do feixe de molas e dos amortecedores teve que ser muito rígida.
- A Solução: É uma característica do projeto. O conforto só melhora quando há peso na caçamba.
4. Bugs na Multimídia (MyLink)
Um problema recorrente nos lançamentos recentes da GM.
- O Sintoma: A conexão sem fio com o Apple CarPlay ou Android Auto é instável e “cai” com frequência. A tela também pode apresentar lentidão ou travamentos.
- A Causa Real: Software (SOW) “imaturo”. A integração da central multimídia com os sistemas de espelhamento sem fio ainda apresenta bugs.
- A Solução: Atualização de software na concessionária. A GM tem liberado novas versões que melhoram a estabilidade do sistema.
Um Projeto Inteligente, Com “Pecados” de Custo
A Nova Chevrolet Montana é um projeto inteligente, que acertou em cheio no design e na proposta de motor turbo. Seu powertrain é confiável.
No entanto, suas falhas crônicas estão ligadas diretamente às escolhas de corte de custo da GM: o acabamento em plástico rígido, a suspensão por eixo de torção e, o mais grave, um projeto de vedação da caçamba que não foi 100% adaptado para o uso severo no Brasil.






