O Sea-Doo RXT-X 325 (2024-2026) é o jet ski de produção em massa mais potente da história. A BRP reengenheirou o motor Rotax 1630 ACE, instalando um supercharger maior e modificando a admissão para extrair 325 cavalos.
O resultado é uma aceleração que cola o cérebro na nuca. Mas, como dizem os mecânicos: “não existe almoço grátis”. A manutenção do RXT-X 325 exige um rigor militar. Se você tratar essa máquina como trata um GTI 130, ela vai quebrar.
Se você tem ou está negociando um RXT-X 325, esta é a lista do que você precisa monitorar para não transformar seu sonho de velocidade em um pesadelo mecânico.
1. A Saúde do Supercharger (O Coração da Potência)
O novo supercharger do motor 325 gira mais rápido e com mais pressão que o antigo 300.
- O Risco: As arruelas e rolamentos do supercharger sofrem desgaste acelerado se o jet for usado constantemente em Wide Open Throttle (Aceleração Total).
- O Sintoma: Perda sutil de velocidade final (caindo de 118 km/h para 105 km/h) ou um ruído de “moedor” vindo da frente do motor.
- A Solução: A BRP recomenda inspeção a cada 100 horas, mas em um motor 325, a recomendação de especialistas é verificar a folga do eixo da turbina e a integridade da cinta a cada 50 horas ou a cada troca de óleo. Se o supercharger falhar, ele manda limalha de ferro para dentro do motor.
2. Coxins do Motor (Suportes Quebrados)
O RXT-X é feito para mar aberto (Offshore). A combinação do peso do jet, o impacto das ondas e o torque brutal de 325 cv é fatal para os suportes do motor.
- O Sintoma: Vibração excessiva no guidão e entrada de água no porão.
- A Causa Real: Os coxins de borracha não aguentam a torção e rasgam. Com o motor solto (mesmo que milimetricamente), o eixo de transmissão sai de centro.
- O Efeito Dominó: Motor desalinhado destrói o anel de carbono (ver item 3).
- A Solução: Verificar os coxins a cada revisão. Se você pula muita onda, considere instalar coxins de corrida (mais rígidos).
3. O Anel de Carbono (Carbon Ring): Sob Estresse Máximo
No motor 325, o anel de carbono (vedação do eixo) trabalha no limite térmico e mecânico.
- O Sintoma: Água no porão e fuligem preta espalhada perto do eixo.
- A Causa Real: Cavitação. Quando você salta uma onda e acelera antes de cair na água, o motor dispara o giro e, ao reconectar com a água, o tranco no eixo é violento. Isso “lixa” o anel de carbono.
- A Solução: Troca preventiva rigorosa. Em um RXT-X 325, não espere 100 horas. Verifique a cada passeio longo.
4. Desgaste da Cinta da Turbina (Wear Ring)
Para ter a arrancada de 0 a 100 km/h em 3,4 segundos, a turbina precisa de tolerância zero.
- O Sintoma: O motor gira alto, faz barulho, mas o jet “patina” e demora a arrancar.
- A Causa Real: A cinta de sacrifício (wear ring) da turbina se desgasta, aumentando a folga entre a hélice (impeller) e a parede. No motor 325, qualquer milímetro de folga resulta em perda massiva de performance.
- A Solução: Troca da cinta da turbina. É um item de consumo frequente neste modelo.
5. Bugs no Painel Panorâmico e Conectividade
O RXT-X vem com a tela gigante colorida, que é linda, mas temperamental.
- O Sintoma: O painel apaga, reinicia ou perde a conexão com o celular (mapas e música param).
- A Causa Real: Superaquecimento do celular no compartimento estanque ou bugs de software do BRP Connect.
- A Solução: Manter o software atualizado e evitar deixar o celular fritando no sol dentro do porta-luvas.
Conclusão: Uma Máquina de Corrida
O Sea-Doo RXT-X 325 não é um brinquedo de fim de semana para amadores; é uma máquina de corrida vendida ao público.
Seus “problemas crônicos” são o preço da performance. Se você tiver o orçamento para manter a revisão do supercharger, trocar o anel de carbono preventivamente e cuidar dos coxins, terá a melhor experiência offshore do mundo. Se negligenciar, a conta da oficina será proporcional aos 325 cavalos.






